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Sofrer com a angústia ou, a alegria de existir?

Por Luciano Alvarenga

"A angústia resulta de confiar naquilo que não somos"

As festas e o consumo de álcool, e drogas outras também, já desde muito vinham anunciando um medo angustiante que se alastrava entre nós. A quantidade de festas, happy hours, regadas a álcool e drogas de todo tipo foram se incorporando em nossa existência na impossibilidade de canalizarmos nossa angústia afetivamente. Bebo pra esquecer meu sofrimento. Angústia é filha do medo.
O medo é a expressão da falta de controle, da impossibilidade de ser dono do que pode me acontecer. Esse medo pode ser de um adolescente que ama e teme as consequências desse amor; de um jovem que teme não encontrar seu lugar na sociedade; dos adultos que não conseguem encontrar sentido na vida que levam.
Mas a saída está mais perto de nós do que pensamos.
Cercados de todo tipo de seguro, seja no condomínio fechado, na saúde privada, na quantidade de dinheiro que se consegue ganhar, no carro que me garante um imagem socialmente reconhecida, no título universitário, no grupo de amigos que me aceitam, nas festas prive abertas a quase poucos; tudo isso são subterfúgios que aparentemente nos dão lugar, reconhecimento e sentido, ainda que ao preço de não estarmos bem. Porque apesar de tudo, a angústia nos cerca, não nos abandona.
Não é angústia que te abandona, é você que abandona a angústia.
E se nos perguntarmos, então, se todos aqueles seguros não são apenas e tão somente um escape, um ponto de fuga pra afetos que não encontram seu objeto? E se nosso medo não for outra coisa senão um amor que não se deixa amar, uma insegurança que não encontra porto, um Eu que não se acha a si mesmo?
Estamos mais perto da saída.
E se pararmos pra nos perguntar como seríamos, ou como seria nossa vida, se deixássemos de nos cercar de segurança e passássemos a nos perguntar sobre o que somos realmente. O que move de fato nosso coração, o que fizemos com nossos sonhos e esperanças de um tempo outro onde nos lembramos de ser felizes?
Separar o que fizemos conosco mesmos, todas as coisas que nos cercamos pra mostramos quem somos, daquilo que somos de fato, daquilo que nos expressa verdadeiramente, é fundamental pra sairmos do buraco angustiante em que nos encontramos.
Quando nossa vida é a expressão do que somos verdadeiramente, e deixamos que ela nos guie naquilo que somos, o medo de existir desaparece e, se transforma apenas naquilo que deve ser, um alerta sobre os cuidados que devemos tomar. Desaparece mais rápido quanto mais rápido nos desvencilhamos do que não somos nós, mas apenas adereços, enfeites, que com o tempo esconderam nosso verdadeiro Eu.
Sofrer com a angústia ou, a alegria de existir?
A angústia resulta de confiar naquilo que não somos. E a alegria de existir é filha de reconhecermos quem somos.

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