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Esquerda atual: um caso psicanalítico

Por Luciano Alvarenga
Uma coisa que marca muitos dos movimentos anti tudo e qualquer coisa, ou em favor de tudo quanto é coisa, é uma espécie de estridência nervosa, inquietação psicótica, uma espécie de comportamento desesperado, birrento, exigindo agora e imediatamente aquilo que reivindicam.
Não precisa ser um especialista em psicologia, nem mesmo um psicanalista freudiano, pra ver nesse comportamento atual, marcadamente nos jovens desses movimentos, alguma coisa de mal resolvida, de sua tenra infância. E qual foi sua infância? Desmamados logo após nascerem (seja por obrigações de trabalho da mãe, seja por negligência pura e simples, seja pra evitar seios esteticamente reprováveis pros padrões de beleza em vigor), não tiveram oportunidade de criar e sentir os laços maternais absolutamente necessários para o desenvolvimento de uma série fundamental de sentimentos como amor próprio, autoestima, autoconfiança, segurança, etc.
Não fosse apenas isso, a ausência fundamental e consolidada da figura paterna no lar, substituída agora, pela realidade de duas mães, dois pais, ou, autoeducação dentro de um grupo familiar indistinto e, em que os papeis dos pais estão diluídos entre irmãos, tios, avós, sem que se possa reconhecê-los efetivamente.
Cabe dizer ainda, a terceirização da educação formal cada vez mais cedo, hoje a lei federal obriga o encaminhamento pra escola aos quatro anos de idade, mas sabemos que a regra tem sido o envio dos filhos pra creches muito antes disso; o que cria uma nova realidade, onde aquilo que antes, freudianamente se chamava de socialização primária, com os pais e a família próxima, findou-se; tornando a socialização primária um momento que se dá ao mesmo tempo em que se realiza a socialização secundária, isto é, na escola. Ora, socialização primária em casa com a família é algo completamente diferente da outra, secundária, acontecida na escola ou creche, e envolve momentos absolutamente distintos do desenvolvimento infantil, com consequências trágicas para o amadurecimento emocional e neurológico da criança.
Uma observação antropológica, com requintes etnográficos, isto é, pesquisa de campo, com esses jovens, rapidamente dará todas as descrições necessárias e o diagnóstico definitivo de que essa gente toda está ali, nesses movimentos de contestação, por motivos de ordem amorosa, afetiva, familiar, em suma, são pessoas sofrentes em seu psiquismo.
Ao se observar os movimentos de contestação de décadas atrás, em relação aos atuais, o que se nota é o deslocamento de um comportamento nitidamente político, centrado, pautado via de regra por uma literatura sociológica e estratégias de ação, pra algo, agora, puramente histérico e psicótico.
Chama a atenção que berrar, urinar, evacuar, tornaram-se práticas preferenciais desses movimentos como mote de ação; o que nos remete imediatamente, pro significado psicanalítico dessas ações no primeiro ano e meio do bebê. Ora, bebês berram por sua mãe por dois motivos: um, o ceio que alimenta, e, dois, da prazer. Evacuar, sabemos, dialoga com o entendimento do bebe de que cria algo, ao mesmo tempo em que é uma ação também prazerosa, quando da retenção das fezes.
Evidentemente que a questão em tela, nada tem ou está ligada a política, seja feminista, gay, étnica, etc, mas, é mais que qualquer coisa, fenômenos psíquicos individuais alocados coletivamente nesses movimentos, e que são eles, esses movimentos, corolários, consequências inevitáveis em gerações inteiras, que nascidas dentro de um contexto social e tecnológico específico, desenvolveram respectivas realidades psíquicas que não conseguem expressar de outra maneira que não politicamente.
Nesse sentido, esses movimentos não são como querem alguns, a nova esquerda; a esquerda apenas os manipula; são na verdade indivíduos tendo que lidar com os desdobramentos psicológicos de uma realidade, essa sim, determinada pela esquerda, revolução sexual, revolução feminina, revolução gay, que alteraram completamente o berço de sua formação afetiva e amorosa, e que gerou a realidade psíquica desses indivíduos hoje.
Em uma linha, esses movimentos tem mais importância como fenômenos psicanalíticos, do que sociológicos e políticos.




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