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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A revolução sexual ficou na conta das mulheres

Luciano Alvarenga

Se, tem uma coisa possível de se ver concretamente entre as famílias brasileiras, especialmente as pobres, dos centros urbanos, é o imenso estrago da contra cultura dos anos 1960, mais a injeção letal aplicada nos vinte anos recentes, das chamadas políticas de proteção, seja da infância e adolescência, seja da mulher. Tudo contra a cultura patriarcal demoníaca, responsável por tudo de ruim existente na sociedade.
A família é o alvo. Isso autores na esquerda, desde Lênin, passando pela Escola de Frankfurt, e mais tarde desenvolvido em minúcias por filósofos e pensadores da esquerda contemporânea como Focault, já alertavam para o fato de que a família é um centro de poder e cultura, que impede o alastramento da ideologia comunista. Destruir a família não é uma opção, é uma necessidade imperiosa, por que ela, a família, é a base do poder religioso; destruindo a família, a religião se destrói junto.
A disfuncionalidade da família atual é um fato; a quantidade de fenômenos como consumo de drogas, violência, demência, loucura, histeria, psicopatia, apatia, depressão, compulsão, hiperatividade, dislexia e um sem número de doenças, que tem na ausência da família, ou, na sua desestruturação, a base desses fenômenos médicos, já em si é uma evidencia clinica da doença social que nos aflige, e que tem na família, ou na sua disfuncionalidade, a única e mais plausível explicação.
Quando essas doenças aparecem apenas como elementos laterais, afetando de maneira natural os indivíduos, nada há de errado; mas quando a própria sociedade começa a ser expressão dessas doenças e, a quantidade de pessoas por elas afetadas deixa de serem meros casos tratáveis, o que temos é uma sociedade, ela toda, doente. E a doença tem nome, marxismo cultural ou, a hegemonia da esquerda no campo da cultura.
Andar pelas periferias brasileiras é encontrar um fato alarmante, as famílias são todas elas compostas por mulheres; mães, tias, avós, filhas e filhos, e raramente ou, presente de maneira quase sempre problemática, algum homem; geralmente viciado, fraco, dependente, problemático, ausente, violento. A revolução sexual dos anos 1960 está na base disso, e explica como essa revolução afetou as famílias pobres, e as de classe média, de maneira muito desigual.
Enquanto nas famílias de classe média, as transformações de comportamento e cultura provenientes da década de 1960, significaram um arejamento, abertura e, de certa maneira, uma forma mais leve de se lidar com questões sexuais, entre os pobres, isso significou a destruição de sua família.
Na classe média, culturalmente mais preparada, mais refinada, mais aberta às mudanças em andamento, a liberalidade sexual significou apenas, distensão, uma oxigenação das relações; sem no entanto, afetar os laços familiares ao ponto da sua disfuncionalidade. Mal ou bem, as famílias de classe média absorveram as mudanças em curso sem abrir mão, entretanto, de valores caros a elas, a manutenção do casamento e a centralidade dos filhos, nele, mantiveram-se. Só muito recentemente isso tem mudado, com as separações e divórcios promovendo mudanças profundas nessa realidade e, com as implicações emocionais, nos cônjuges e filhos, já detectados por especialistas.
Nas famílias pobres, a revolução sexual foi uma tragédia. A moralidade sexual, assentada em valores religiosos e seculares, era uma garantia de unidade familiar. Sexo estava sempre ligado a algum tipo de responsabilidade. O acesso ao sexo pelos rapazes, não era possível sem um acordo, um pacto, que implicava responsabilizar-se pela mulher que lhe interessava. Tal acordo era, sem possibilidade de contorno, o casamento. O casamento indissolúvel. As famílias pobres, nesse sentido, escapavam da realidade de relações desfeitas e, as consequências trágicas que isso traria pra mulheres e seus filhos, pobreza e desamparo.
A cultura de liberalidade sexual, que entre moças e rapazes de classe média, especialmente as moças, foi recebida acompanhada de cuidados com médicos, ginecologistas, contraceptivos, camisinhas e o discurso do prazer, mas com responsabilidade; entre os rapazes e moças pobres, especialmente as moças, cada vez mais meninas, foi o absoluto abandono à própria sorte.
Herdeiros de uma cultura religiosa e secular, que modelava os comportamentos de forma regrada e recatada, mas agora, desancorados dela, e, portanto, únicos e exclusivamente responsáveis por si mesmos, o que se viu são moças adentrando a vida sexual cada vez mais cedo, e os homens transando todas elas, como garanhões sem controle. Filhas de famílias de caráter religioso, onde sexo é tema religioso no campo do tabu, moças e meninas ingressaram na vida sexual urbana contemporânea sem nenhum tipo de entendimento do que estava acontecendo, e arcaram com suas próprias vidas com as consequências.
Tendo suas primeiras relações sexuais, ainda na adolescência, o que se tornou comum, é essas mesmas mulheres chegarem à vida adulta, aos trinta anos, com quatro, cinco filhos de quatro, cinco homens diferentes. Homens esses, desvestidos de quaisquer responsabilidades com essas mulheres e com seus filhos. Sem uma cultura religiosa e secular, ponderando e punindo comportamentos irresponsáveis, esses homens cresceram privados de qualquer responsabilidade e amor pela mulher com quem se relaciona.
O tema do aborto está diretamente ligado a isso. As feministas, percebendo o que aconteceu com as mulheres como consequência da liberalidade sexual, no caso dos pobres, libertinagem, uma quantidade impensável de filhos e mais pobreza; passaram a advogar o aborto como resposta. O que está em questão não é o direito da mulher ao seu próprio corpo e, portanto, a liberdade de abortar, como discursam as feministas; a questão central é a não admissão do fato, de que a cultura sexual sem responsabilidade ou sentido, pra além do sexo em si, jogou as mulheres pobres num mar de desilusão, abandono, pobreza, desamor, fruto direto da irresponsabilidade masculina, legada pela revolução sexual, também defendida e aplaudida pelas feministas, e pela esquerda em geral.
A defesa do aborto, hoje, ao contrário de ser uma defesa da mulher aos seus direitos individuais, como quer nos fazer crer, ou mesmo um remédio a disfuncionalidade da família, provocada pela ausência do masculino, e do que ele significa pra estabilidade e saúde emocional da mulher, do homem e dos filhos; é na verdade mais um passo no abismo de destruição da família. Aborto, num quadro como o que descrevi, de ausência do masculino, terá consequências emocionais e físicas única e exclusivamente sobre a mulher. A mulher é que terá que arcar psiquicamente com o ato grave do aborto, e as consequências pela vida toda, que terá sobre ela. Os homens, horas, esses nem ao menos sabem quais das mulheres que transaram tiveram filhos. Para um homem, sem laço emocional algum com uma mulher, o fato dela estar fazendo aborto é algo completamente ausente da sua realidade. E é incrível que as feministas não digam uma letra sobre isso.
O machismo presente no feminismo é aberrante.

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