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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A estranha crise prisional

Luciano Alvarenga

A crise do sistema prisional brasileiro não é espontânea. Não se trata de nenhum arranjo interna corporis dos detentos, e das facções que ainda lutam pra barrar o completo domínio do PCC dos presídios brasileiros. Com isso não se quer afirmar que o sistema presidiário brasileiro não seja o que ele é, expressão da barbárie, mas apenas dizer que é estranho que durante os anos petistas no governo Federal, afora um caso aqui, outro acolá, como em Pedrinhas, rapidamente controlado e posto no anonimato da notícia, praticamente não houve nada parecido com o que se desenvolve agora.
Uma crise presidiária que se inicia no dia 01.01 de 2017, parece mais atividade agendada com grande antecedência, do que algo resultado da luta fratricida de grupos rivais nas cadeias, e que se desencadeia a partir de eventos não previstos, e não possíveis de serem completamente controlados.
É claro, que depois de dois anos de crise política, com foco no centro do poder, com uma ação judiciária que se espraia e envolve cada vez mais e novos atores, pra dentro do processo da Lava Jato, com um impeachment no meio do caminho, tendo ainda um governo que tenta de todas as maneiras se impor e estruturar sua ação; não é de estranhar que de repente uma crise possa ter sido forjada fora do arco do poder.
Não é novidade pra quem acompanha o noticiário político, que está em andamento nos bastidores, todo tipo de costura pra desestabilizar o governo Temer, e se possível derrubá-lo, permitindo eleições indiretas o quanto antes. Eleições indiretas são tudo o que o centro do poder hoje quer, tendo em vista a imprevisibilidade do momento e o derretimento da classe política tragada pra dentro da Lava Jato.
Com o Congresso em recesso, e as férias dadas à Lava Jato pela imprensa, a crise nos presídios ocupa o centro das atenções. Mais que isso, tem o potencial de desestabilizar o governo pra além do possível de ser controlado, dado o fato de que sendo os presos em sua maior parte, filiados às suas respectivas facções, a crise dos presídios se estende pra além de seus muros e envolve a sociedade civil, o sistema de transporte, e tudo o mais, como já sabemos, consequência da ação da bandidagem reunida em sindicato.
Uma crise como essa poderia ter acontecido em qualquer momento, antes, ou depois, mas calhou de explodir exatamente a partir do dia 01 de janeiro, no momento mesmo em que o governo tenta de todas as maneiras, normalizar a situação econômica do país. Como sabemos, ano passado, 2016, o vice presidente estadual dos direitos humanos de São Paulo, foi preso acusado de ligações com o PCC. Os direitos humanos não podem ser acusados de sua ligação com o movimento conservador nacional, ao contrário, direitos humanos são uma vertente que nasceu da barriga da esquerda. Como os maiores defensores dos presos são à esquerda e, quando o vice-presidente dos direitos humanos é preso por ligações com o PCC, não é uma anomalia sugerir que agora, a crise nos presídios possa ser nada menos que uma ação de desestabilização do governo, tendo o PCC como orquestrador da crise pra fins políticos.
Não nos esqueçamos que a gênese longínqua de grupos como o PCC, está lá nos anos 1970, quando os presos políticos começaram a instrumentalizar os presos comuns pra ações de teor político, ingressando os presos comuns no conhecimento sobre organizações criminosas, ações de guerrilha, e a importância de se sindicalizarem numa organização própria, a do crime. Em suma, políticos de esquerda e criminosos, agora organizados, não é nenhuma estranheza.





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