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Democracia como farsa

Luciano Alvarenga
A democracia brasileira é um tecido de qualidade duvidosa, sendo tencionado por todos os lados, resultando em rasgos que se abrem por toda sua extensão. O que está em questão hoje, é o que o Brasil é, e sempre foi; um país pobre, com uma incipiente e frágil institucionalidade, com partidos políticos que nada mais são que a extensão de interesses privados; grandes empresas, sócias inconfessas do Estado, e com a própria ideia de nação como algo distante e sem sentido.
No momento mesmo em que escolas e universidades e assembleias legislativas são invadidas; ruas, estradas e avenidas interrompidas; policias que abandonam sua função e se juntam aos manifestantes; operações da PF e do Ministério Público que se avolumam por todos os cantos do país; em que os líderes maiores do poder nacional articulam na calada da noite; quando o próprio presidente da República carrega a suspeição de ser parte de todo o esquema de corrupção; em que a velha imprensa faz política nas manchetes dos jornais, que a crise econômica assombra o indivíduo comum, o que se desenha com clareza é o poder e suas instituições, perdendo a legitimidade que os mantém.
O que todos se perguntam, é como pode o presidente do senado federal, ter uma dezena de processos na mais alta corte de justiça nacional, e tais processos dormitarem a mais de uma década, sem que nada lhe aconteça. O STF, é agora parte do jogo em que se tenta de todas as maneiras e artifícios, domesticar uma parte desse poder, Judiciário, levando a Lava Jato pro lugar, pensam eles, de onde ela jamais deveria ter saído, o anonimato das pastas e gavetas do ministério público, deixando impunes os corrupto, sejam grandes ou pequenos.
Ao mesmo tempo em que tudo acontece, o elemento novo é uma população digital, empurrando morro acima, a necessidade de alguma justiça e punição, algo raro, impensável e distante da realidade de quem se acostumou com o poder e a impunidade.
Embala esse teatro de horrores, o vácuo de poder político que se abriu com a bancarrota da esquerda. Com o impeachment, e a perda espetacular de prefeituras, à esquerda, nessa última eleição, o país vê levantar-se uma onda de descontentamento, de sentimentos conservadores reprimidos por décadas de politicamente correto, e autoritarismo ideológico da esquerda. A ausência de outra coisa que não fosse a esquerda liberal, no cenário cultural e político, tornando ilegítimo qualquer sentimento outro, soterrou a possibilidade do desenvolvimento de forças e ideias diferentes, e que fossem acolhidas legitimamente no palco da democracia. O resultado é agora, uma avalanche de sentimentos contidos e reprimidos que não querem apenas ser ouvidos, quer destilar ódio, vingar e afrontar, eliminando tudo e todos que de alguma maneira possam ser associados a “democracia” da esquerda liberal.
O resumo dessa história é um país carcomido pela corrupção, com todas as principais instituições do Estado e seus representantes, não apenas envolvidos na lama fétida da corrupção, mas o fato de que o próprio poder não tem mais legitimidade pras curar-se dos tumores que produziu. Esse é o buraco mais fundo de onde sairemos com imensa dificuldade; as instituições da democracia e seus representantes não tem mais legitimidade ou, perdem o pouco que tem, impedindo uma solução pelas vias legais e reconhecidas juridicamente.
A Lava Jato nos levará se assim conseguir, frente a frente com o que a democracia da esquerda liberal produziu, um modus operandi político assentado na corrupção como meio de governar. Mas se obtiver sucesso em sua empreita, o resultado será um país esfacelado diante da farsa que se tornou, por descobrir, que não construiu uma democracia, construiu uma concertação de corrupção estatal-empresarial, montada na sela de uma ideologia vendida como iluminação e modernidade.





Comentários

Anônimo disse…
"O que todos se perguntam, é como pode o presidente do senado federal, ter uma dezena de processos na mais alta corte de justiça nacional, e tais processos dormitarem a mais de uma década, sem que nada lhe aconteça."

Resposta: quando Renan era chefe da polícia federal do PSDB, partido da elite paulista, ele era "do bem". Renan virou "do mal" depois que apoiou o PT.

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