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A última revolução é conservadora

Luciano Alvarenga
A saída da Inglaterra da União Europeia, pelo voto popular, ainda que toda a imprensa mundial estivesse a favor da permanência, propagando a ideia da destruição econômica desse país, caso saísse da UE; o voto popular, que impediu que na Colômbia fosse concretizado um acordo, do governo Federal, com as Farc – apoiado pela imprensa internacional e pela ONU - anistiando todos os assassinos, dos assassinatos praticados nesses quarenta anos pelo grupo terrorista; a vitória inconteste de Trump nos EUA, quando a imprensa mundial alardeou por mais de um ano a vitória da candidata democrata, Hillary Clinton. Esses são eventos de proporções globais e com consequências fundamentais pras próximas décadas. Mas uma coisa há em incomum entre todos eles, o voto popular, ou, falando politicamente, o voto conservador.
O globalismo, ou a ideia de um governo mundial, assentado numa cultura pós-cristã, ou em termos “religiosos”, numa cosmovisão ecológica - paganismo; a ideia cosmopolita e liberal do indivíduo como centro de tudo e qualquer coisa, ou em termos sociológicos, o individualismo radical; o principio político democrático de que tudo e qualquer coisa, expresso individualmente, é um direito inalienável, ou, nos termos da Ciência política, aquilo que Tocqueville chamou de democracia extrema, ou o igualitarismo em tudo e em todos; a ideia de que a tecnologia é o principio sobre o qual todos os outros devem ser caudatários, ou, autoritarismo da técnica ou, ditadura da ciência, tudo isso foi negado, direta ou indiretamente, pela sociedade e pelo povo nos eventos mencionados no primeiro parágrafo.
O que estamos vendo ao vivo, e vivendo, é uma confrontação maciça dos povos de várias partes do mundo, especialmente no ocidente, ao iluminismo, ao racionalismo, ao liberalismo e a esquerda internacional, representada pela ONU, e outros organismos internacionais e locais a ela ligados, e pela grande imprensa mundial e seus representantes em cada região do mundo.
O iluminismo e sua ideia de paraíso terrestre sustentado pela razão faz água por todos os cantos do mundo moderno, e mais ainda nos países onde foi adotado seguido da cultura liberal esquerdista. A única força capaz de fazer frente a esse conjunto de forças ideológicas, certamente é o conservadorismo, e sua capacidade de colocar como pano de referência, a cultura tradicional, os saberes legados pelos séculos e, a religião cristã – o mais importante salto civilizacional alcançado pelo homem desde sempre.
“O homem é estúpido, mas a humanidade é sábia”, nos alertava o mais importante pensador e filósofo conservador, Edmund Burke. E com isso querendo dizer, que somos herdeiros de todos os saberes vividos, sofridos, experimentados, melhorados e aperfeiçoados pelas gerações ao longo dos séculos. A ideia mesma que o homem pode, a partir de um conjunto de ideias, ideologias ou partidos políticos, obter um resultado melhor do que todo o passado vivido antes, e nos legado, é absurdamente imprudente, e nos tem levado ao desastre civilizacional, e destruindo a sociedade a cada passo do caminho do homem moderno.
O que a democracia tem conseguido, pra além de toda manipulação midiática, de toda revolução promovida nos costumes, nos saberes tradicionais, na corrupção das mentes infantis e jovens nas escolas, é o povo mais e mais afirmando, voto a voto, que não compartilha do destino de destruição e perversão dos valores que a sociedade moderna cosmopolita e liberal tem oferecido, com codinomes como felicidade e liberdade.
Nunca a sociedade esteve mais infeliz, mais escrava e mais solitária do que nos tempos atuais. Nunca o chamado conservador se fez mais urgente, mais atual e revolucionário do que nos dias que correm. Aquilo mesmo que intelectuais de gabinete, pensadores de partido e seus representantes, imitadores no mundo das mídias tem feito, aos poucos, mas profundamente é negado pelo povo e, seu saber intuitivo de que todas as barbaridades liberais defendidas nas academias, na grande imprensa, nada mais que é a destruição da civilização ocidental em todos os seus pilares e valores fundamentais.
O resgate do mundo dos mortos, a tradição e o conservadorismo, não é uma opção, é a única saída à loucura autoritária da razão, e sua ferramenta fundamental, a tecnologia; bem como, a cultura liberal e marxista, promotores primeiros do mal, e de tudo o que ele significa. Em uma linha, a questão fundamental na civilização ocidental, é o homem pós-moderno como novo criador da vida e do mundo, e as barbáries que vão sendo deixadas nesse caminho.

Comentários

Anônimo disse…
Mas os conservadores são liberais em economia. O liberalismo moral e cultural é um produto da economia liberal que vocês defendem. Quem começou a pornografizar a esfera pública ocidental, a mudar os valores, foram os capitalistas, defendidos pelos conservadores. A Marilyn Monroe esfregando os seios nas mais diversas mercadorias não é marxismo cultural (sendo que os países comunistas foram completamente conservadores em termos culturais e morais), mas uma ação publicitária massiva para mudar a moral das pessoas e, assim, criar mercado.

O marxismo esmaga as individualidades. O liberalismo, que vocês conservadores defendem, enaltece-as. A crise que vivemos é produto da vitória do liberalismo.

A esquerda rejeita o liberalismo econômico mas quer o liberalismo cultural. A direita rejeita este porém quer o liberalismo econômico. Ambas são liberais. O liberalismo é o grande vitorioso do mundo, já dizia Fukuyama.

Liberalismo é a queda de todos e quaisquer limites sob uma retórica auto-vitimizante (laissez-faire), é a liberação de todo o egoísmo corrupto humano. E é justamente isso que está em crise. Do maconheiro da esquina ao banqueiro global, ninguém mais quer limites. Isso está nas propagandas "viva sem limites, sem fronteiras" e está na demanda de expansão do capital. A pós-modernidade é uma vitória do liberalismo (iluminismo inglês) sobre o kantismo.

A última fronteira das mercadorização de tudo é a genética humana. Em breve seres humanos serão comercializados para os mais excusos fins, ou teremos um rim da Monsanto. Ao capital interessa pessoas sem valores, religião ou tradições. Pois sem isso, vende-se tudo e todos a qualquer um. Os conservadores apoiam um mercado global, o mercado LIVRE, e portanto apoiam essa lógica da globalização que está dissolvendo a civilização ocidental.

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