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PT post-mortem - A dificuldade do Luto

Luciano Alvarenga

Muita gente não entende como aquela pessoa inteligente, que ele admira, ainda acredita no PT. Como diante de tantas evidências, gente presa, contas no exterior, processos, caixa dois, delações, documentos, assinaturas, revelações, dossiês, inquéritos, um impeachment no raiar do dia, e ainda aquelas pessoas não aceitam a verdade da luz do dia?
Aceitar que tudo isso é verdade, é aceitar a morte de uma crença. Aceitar que a esquerda é uma farsa. Aceitar que a esquerda é uma mentira, um conto de fadas pra quem tem dificuldades de aceitar a realidade da vida. Utopia é um lugar que não existe, não pode ser construída, não deve ser desejada, por que não pode se realizar.
A esquerda, e o PT mais que qualquer outro, vicejou pelo país na crença de que seria possível, a partir da ideia de um mundo ideal no futuro, tornar o presente realizável como um ideal. Uma geração inteira, talvez mais, acreditou que é possível fazer o paraíso Adâmico realizar-se sem Deus, e que a esquerda seria o vetor dessa construção paradisíaca; a ideia de um mundo sem explorados nem explorados, sem classes nem divisões, sem preconceitos nem diferenças. Coisa de gente infantil.
Gentes muitas acreditaram que seria possível trapacear a história, e construir um país dando saltos por cima da realidade, com discursos de igualdade e direitos, imaginou que a realidade vergaria ante a verborragia “bem intencionada” de “homens bons’.
Muitos acreditaram com tanta fé nisso, que agora, ante a realidade criminosa que emerge dos esgotos da esquerda, e do partido do poder, o PT, estão atarantados, perdidos, atônitos, desavergonhados de si mesmos; entretanto, anestesiados entre decidir sobre o que seus olhos veem, a farsa, a mentira e o crime, ou negar e manter a fé.
Diante de tudo que a luz do dia deixa transparente como a própria luz, muitos petistas, aqueles que muitos admiram, preferem cegar-se a si mesmos, renegar os seus olhos e, acreditar no que fala o partido. Como disse alguém, num certo passado, “você vai acreditar em mim ou, no que seus olhos veem?”.
Acreditar no que os olhos veem é admitir a morte da utopia, é aceitar a realidade juvenil de uma crença num mundo ideal irrealizável. Quem não admite a podridão do partido, é aquele mesmo que não aceita a realidade tal qual ela é. É aquele que não consegue aceitar que a vida não faz concessão, que não existe essa de gente melhor ou mundo outro, senão este em que estamos.
Acreditar no PT e na esquerda, é ser incapaz de substituir a crença juvenil pela vida adulta. É preferir rebaixar-se socialmente a aceitar a realidade da vida. A fé na esquerda é a crença humanista na redenção terrena. A fé na esquerda é a incapacidade de ver na vida seu único propósito, somos apenas poeira a espera de uma redenção outra, que só pode se realizar no espírito de Deus.
No fundo o que esses petistas não conseguem é aceitar o luto post-mortem.  O que colocar no lugar, da crença juvenil de mundo outro ideal?

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