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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Democracia: rumo a um mundo totalitário


Estamos no epicentro temporal de uma mudança tectônica no mundo. Do ponto de vista da História, a queda o Muro de Berlin foi o fim do século XX, e o ataque as Torres Gêmeas nos Estados Unidos, foi o início do século XXI. O ataque às torres, nos E.U, trouxe pra dentro do mundo ocidental o horror do terrorismo, numa escala de destruição até então desconhecida. De repente, nenhum lugar pode mais estar a salvo da sanha assassina dos islâmicos.
E.U, Inglaterra, Espanha, agora França, experimentam serem os alvos no ocidente. Mas como explicar que sendo Paris um dos principais destinos turísticos do mundo, e que, portanto, possui naturalmente um sistema de segurança e de inteligência típicos pra uma cidade com essa importância, e, tendo sofrido um ataque terrorista em Fevereiro, contra um jornal local, não tenha antecipado esse novo e último ataque terrorista?
Como explicar que seis grupos de pessoas, fortemente armadas, com um tipo de armamento que dificilmente passa despercebido, entrem numa casa noturna de shows, parem enfrente a um estádio, onde acontece uma das mais importantes e disputadas partidas de futebol daquele continente, sem que possam ser parados e antecipados em suas ações por qualquer um que seja? Como que ninguém, especialmente a policia francesa, suas centrais de inteligência, não sabem quem pode ser uma célula terrorista na principal cidade do país, depois de tudo o que já aconteceu no mundo, na Europa e em Paris, ainda esse ano?
Ainda que o jornalismo internacional nada tenha perguntado nesse sentido, essas perguntas precisam ser feitas. É inacreditável que esse ataque terrorista não tenha sido previsto, antecipado. Mas se foi, por que nada foi feito? Aqui mora os novos tempos que nascem no mundo. O mundo esta se redesenhando. Está claro, agora, mais ainda a quem se dedica ao entendimento da geopolítica mundial, que o 11 de setembro de 2001 deu inicio a um processo de mudança geopolítica que só tem paralelo na Primeira e na Segunda Guerra Mundiais. A morte de Saddam Hussein, de Muamar Kadafi, a Primavera Árabe, as transformações no Egito, tudo isso que parecia se desenrolar como eventos inesperados, vão parecendo cada vez mais peças movimentadas a partir de uma estratégia muito bem engendrada.
Ao mesmo tempo que o mundo se transforma em função dos eventos acima listados, mudanças não menos importantes estão acontecendo dentro dos países centrais diretamente envolvidos nesses acontecimentos. Assim é que tão logo aconteceu os ataques às torres nos E.U, foi promulgado, a toque de caixa, o chamado Patriot Act. Ato esse que limitava e, limita ainda, direitos civis de uma maneira, e numa extensão, inéditos naquele país. O mesmo acontecendo na Inglaterra e agora na França, que está sob Estado de sítio; o que significa dizer, limitações em largas medidas de direitos civis.
É claro que diante de tais acontecimentos, evidentemente que os governos são obrigados a atitudes radicais em relação ao próprio país, em nome de sua proteção. Mas não é disso que se trata, nem é sobre isso que quero chamar a atenção. O que está ocorrendo é que a democracia, as liberdades civis, o poder inédito que os indivíduos têm, a partir das bases tecnológicas assentadas em comunicação, é alguma coisa que não pode ser mantida como está.
A democracia será mantida, mas apenas e tão somente dentro de parâmetros muito limitados. Isso será possível se levarmos em conta que o medo que o terrorismo desperta no ocidente é de tamanha grandeza, que os cidadãos vão sem pestanejar, como já o fazem nos E.U, entregar mais e mais fatias de suas liberdades e direitos civis a governos mais e mais centralizadores e autoritários.
A pergunta que ninguém ousa fazer é se os terroristas atuam no ocidente como parte de uma reação ao mundo ocidental ou, são na verdade o próprio ocidente mudando a história do mundo em nome dos seus ocidentais interesses? Estaríamos, como escreveu numa coluna da Folha de São Paulo (16/11/2015), Leão Serva, à beira da Terceira Guerra Mundial?










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