Pular para o conteúdo principal

Tabaco não, maconha sim

Luciano Alvarenga
Há uma tendência na sociedade contemporânea em aceitar ou, fazer acreditar que aceitar coisas antes inaceitáveis é a melhor maneira de lidar com problemas que não tem solução. A mais recente dessas discussões é a liberação das drogas, ou aborto, existem outras, como o sexo com criança ou com animais. Nós ainda nos encontramos na primeira faze (liberação das drogas e aborto), mas em breve estaremos discutindo e, muita gente defendendo, que as crianças possuem direitos, e entre eles, o de transar com os adultos, ou mesmo, o de termos relações “amorosas” com animais.
A liquefação da tradição e da religião na máquina de moer tudo da modernidade, esboroa toda a base de sustentação da sociedade, seus valores, sua religiosidade, comportamentos estabelecidos pelo tempo, tradições de todo tipo, enfim, tudo passa a ser alvo de contestação e motivo de ser transtornado. Nada é legítimo ou digno de respeito ante os direitos inalienáveis do indivíduo. O indivíduo e suas escolhas passam a ser a medida de todas as coisas, não a sociedade onde está inserido e os valores que norteiam essa mesma sociedade. Mais vale o que quer uma pessoa, do que tudo aquilo que foi construído na tradição pelo tempo e a vida coletiva.
É nesse sentido que muito recentemente, e agora com a discussão no plenário do STF, estamos envolvidos com a liberação ou não das drogas. O discurso que prepondera, pelo menos na grande imprensa dominada quase toda ela por pessoas mais afeitas as mudanças (ainda que não se faça a menor ideia de pra onde essas mudanças no levarão) do que à manutenção, é pela liberação. “Deixe a cargo do indivíduo a escolha pelo uso, ou não, de drogas”, dizem. A ideia está baseada no fato de que o combate às drogas foi um fracasso; isso por que segundo afirmam, os usuários continuam existindo e os traficantes também, e a repressão ao uso não tem logrado êxito.
O êxito, pelo que é possível depreender dos argumentos levantados, seria o fim do usuário e do traficante. Como isso não é possível, a solução, segundo os defensores, seria a liberação. Entretanto, se todas as coisas que não podem ser solucionadas fossem liberadas pra ser praticadas, o mundo seria uma balbúrdia. É mais ou menos assim, não é possível evitar os acidentes de carro que terminam em morte, mas ninguém acha razoável proibir a fabricação de automóveis. Erros médicos fatais continuam acontecendo, mas ninguém ousaria proibir a medicina. Civis inocentes morrem na guerra da policia contra o crime, mas seria uma insensatez acabar com as forças policiais. Muitos animais morrem nos laboratórios farmacêuticos mundo afora, no processo de invenção e teste de novos remédios, mas é pouco razoável querer impedir seu uso nesse processo, tendo em vista que é o único e melhor meio na luta contra as doenças e epidemias que nos afligem.
A luta contra as drogas e a cultura que ela representa não é uma luta que visa um fim, no sentido de uma vitória onde ela não existisse mais, ainda que esse seja o desejo de muitos. A luta contra as drogas é a afirmação de um princípio, de uma cultura que se baseia num mundo sem drogas, ainda que esse mundo não seja completamente possível. Quando lutamos a guerra contra as drogas, com todas as consequências disso, o que se afirma é o desejo de que elas não existissem, é o princípio e valores que norteiam a vida coletiva em parâmetros outros que significam a ausência dessas substâncias. A guerra contra as drogas é antes de tudo a afirmação de valores que excluem as drogas e sua cultura, ainda que ela permaneça sendo usada.



  


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Classe média alta de Rio Preto no tráfico de drogas

Cocaína e ecstasy rolam solto na alta rodaAllan de Abreu Diário da Região Arte sobre fotos/Adriana CarvalhoMédicos são acusados de induzir o consumo de cocaína e ecstasy em festas raveFestas caras com música eletrônica e bebida à vontade durante dois ou três dias seguidos, promovidas por jovens de classe média-alta de Rio Preto, se tornaram cenário para o consumo de drogas, principalmente ecstasy e cocaína. A constatação vem de processo judicial em que os médicos Oscar Victor Rollemberg Hansen, 31 anos, e Ivan Rollemberg, 25, primos, são acusados pelo Ministério Público de induzir o consumo de entorpecentes nesse tipo de evento.

Oscarzinho e Ivanzinho, como são conhecidos, organizam há seis anos a festa eletrônica La Locomotive. A última será neste fim de semana, em Rio Preto. Cada festa chega a reunir de 3 mil a 4 mil pessoas. Segundo a denúncia do Ministério Público, os primos “integram um circuito de festas de elevado padrão social e seus frequentadores, em especial os participa…