Redes Sociais conectam ideias e visões de mundo

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Tabaco não, maconha sim

Luciano Alvarenga
Há uma tendência na sociedade contemporânea em aceitar ou, fazer acreditar que aceitar coisas antes inaceitáveis é a melhor maneira de lidar com problemas que não tem solução. A mais recente dessas discussões é a liberação das drogas, ou aborto, existem outras, como o sexo com criança ou com animais. Nós ainda nos encontramos na primeira faze (liberação das drogas e aborto), mas em breve estaremos discutindo e, muita gente defendendo, que as crianças possuem direitos, e entre eles, o de transar com os adultos, ou mesmo, o de termos relações “amorosas” com animais.
A liquefação da tradição e da religião na máquina de moer tudo da modernidade, esboroa toda a base de sustentação da sociedade, seus valores, sua religiosidade, comportamentos estabelecidos pelo tempo, tradições de todo tipo, enfim, tudo passa a ser alvo de contestação e motivo de ser transtornado. Nada é legítimo ou digno de respeito ante os direitos inalienáveis do indivíduo. O indivíduo e suas escolhas passam a ser a medida de todas as coisas, não a sociedade onde está inserido e os valores que norteiam essa mesma sociedade. Mais vale o que quer uma pessoa, do que tudo aquilo que foi construído na tradição pelo tempo e a vida coletiva.
É nesse sentido que muito recentemente, e agora com a discussão no plenário do STF, estamos envolvidos com a liberação ou não das drogas. O discurso que prepondera, pelo menos na grande imprensa dominada quase toda ela por pessoas mais afeitas as mudanças (ainda que não se faça a menor ideia de pra onde essas mudanças no levarão) do que à manutenção, é pela liberação. “Deixe a cargo do indivíduo a escolha pelo uso, ou não, de drogas”, dizem. A ideia está baseada no fato de que o combate às drogas foi um fracasso; isso por que segundo afirmam, os usuários continuam existindo e os traficantes também, e a repressão ao uso não tem logrado êxito.
O êxito, pelo que é possível depreender dos argumentos levantados, seria o fim do usuário e do traficante. Como isso não é possível, a solução, segundo os defensores, seria a liberação. Entretanto, se todas as coisas que não podem ser solucionadas fossem liberadas pra ser praticadas, o mundo seria uma balbúrdia. É mais ou menos assim, não é possível evitar os acidentes de carro que terminam em morte, mas ninguém acha razoável proibir a fabricação de automóveis. Erros médicos fatais continuam acontecendo, mas ninguém ousaria proibir a medicina. Civis inocentes morrem na guerra da policia contra o crime, mas seria uma insensatez acabar com as forças policiais. Muitos animais morrem nos laboratórios farmacêuticos mundo afora, no processo de invenção e teste de novos remédios, mas é pouco razoável querer impedir seu uso nesse processo, tendo em vista que é o único e melhor meio na luta contra as doenças e epidemias que nos afligem.
A luta contra as drogas e a cultura que ela representa não é uma luta que visa um fim, no sentido de uma vitória onde ela não existisse mais, ainda que esse seja o desejo de muitos. A luta contra as drogas é a afirmação de um princípio, de uma cultura que se baseia num mundo sem drogas, ainda que esse mundo não seja completamente possível. Quando lutamos a guerra contra as drogas, com todas as consequências disso, o que se afirma é o desejo de que elas não existissem, é o princípio e valores que norteiam a vida coletiva em parâmetros outros que significam a ausência dessas substâncias. A guerra contra as drogas é antes de tudo a afirmação de valores que excluem as drogas e sua cultura, ainda que ela permaneça sendo usada.



  


Nenhum comentário: