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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O Brasil de esquerda acabou

Luciano Alvarenga


O Brasil de esquerda acabou
Corta a imprensa nacional quase todos os dias, a fala de que o governo afunda numa profunda crise, mas que a oposição também não sabe pra onde ir nem o que propor. Sim, a crise é dupla, mas o que não se diz é que dificilmente sairemos desse momento com uma receita de salvação, ou uma grande e mirabolante ideia. A crise no Brasil é grave, por que civilizacional, de destino. Esses trinta anos de “democracia” de esquerda viraram o país no avesso, inverteram valores, esvaziaram significados tradicionais e tornou raquítico todo um universo arquetípico que guiaram o país nos últimos duzentos anos. Foi assim que educação, cultura, religião, autoridade, trabalho e relações cotidianas, de repente começaram a ser tratados como velharias, obscurantismo, folclore barato.
Foi assim que pais não sabem mais como educar os filhos, que filhos deixaram de entender como se fica adulto, que os adultos perderam a noção do seu papel, que valores não existem, e que existe apenas “liberdades” que devem ser aproveitadas sempre, independentemente do seu significado e de suas consequências. De repente, todo um universo de conhecimentos tradicionais que durante décadas e séculos foram se forjando, se desenvolvendo e se aperfeiçoando lentamente ao longo do tempo e do uso pelas famílias, foi descartado por uma miríade de intelectuais ideologicamente engajados na revolução da sociedade brasileira. Intelectuais respeitados, em função da posição que ocupavam e ocupam, sentados encima de um saber teórico impossível de ser compreendido por leigos e não iniciados, julgaram que tudo aquilo que não era pensado e compreendido pela pena intelectual, era atraso.
E dessa forma, a educação nas escolas, a formação dentro da família, a relação homem e mulher, aluno e professor, adolescência e maturidade, dinheiro e trabalho, caráter e carreira, fiéis e pastores, autoridade e poder, tudo isso foi completamente transtornado, e de tal maneira foi modificado em suas raízes, que não mais reconhecemos no nosso dia a dia no que nos transformamos. Somos alguma coisa completamente diversa do que éramos cinquenta anos atrás. Isso não foi uma mudança, muito menos o que poderíamos chamar de evolução, num sentido bem restrito, não; o que aconteceu é que o Brasil, a partir dos anos 1970, tornou-se um laboratório onde partidos de esquerda, sindicatos, ong’s e movimentos sociais, liderados por uma elite de intelectuais ideologicamente engajados (a partir da universidade pública, portanto, pagos com dinheiro do contribuinte), deram inicio ao mais fantástico processo de transtorno sociocultural que o Brasil já tinha vivido em quinhentos anos de existência.
A crise desse governo e dos partidos que lhe fazem oposição, é a crise de uma visão de mundo, é a crise de um discurso, a crise desse país forjado nos gabinetes dos intelectuais, e que tentaram inscrever, na prática cotidiana das pessoas, autoritariamente. A crise é de tudo o que era repelido antes e, que foi levado a décima potência nos discursos e na prática da esquerda “democrática”. Em uma década ou duas, o país que emergia da ditadura devia ser renegado, esquecido, exilado do cotidiano das pessoas. De repente, o combate à ditadura se transformou no cavalo de Tróia para arrebentar e acabar com toda a cultura, todo o fazer cotidiano, toda a religiosidade tradicional, todo o saber tradicional do povo, toda ideia de autoridade, em resumo, direito consuetudinário, deveria ser substituída pelo “saber” teórico elitista dos sumos sacerdotes da academia.
O que estamos vendo é o fim de uma era, de um discurso autoritário de mudança, e do desejo megalomaníaco de fazer o Brasil ser, o que ele nunca quis ser.

Um comentário:

Eliabe Fidelis de Souza disse...

O nosso país infelizmente, quando aceitou esses ideais liberalistas, aceitaram uma desgraça, para o nosso país, pois o liberalismo, é uma ideologia de merda, nasceu fruto de um sentimento americano, de que eles são os donos do mundo, que eles podem tudo, e que não tem pra ninguém, é uma ideologia do cão, uma ideologia fruto do orgulho, da arrogância, da soberba americana, o que eles não estão percebendo é que é exatamente o liberalismo que vai levá-los a falência, a grande derrocada, a queda do império americano, bem como vai levar pro buraco junto com eles, todos esses países da América latina, inclusive o Brasil se não acordar, enquanto ainda é tempo. Pois estão indo, pelo mesmo caminho, é um cego guiando um bando de outros.
O que o liberalismo faz, é criar uma sensação de liberdade e de poder tão grande no individuo, que o leva a cometer tantas falhas a ponto de comprometer a sua própria subsistência.
O liberalismo é como o câncer, vai corroendo todas as estruturas de uma sociedade, e quando ela se der conta, toda essa sociedade já estará completamente irrecuperável, falida, se tornara presa fácil para os seus adversários.
Os próprios economistas, dizem que o liberalismo está em decadência, porque a partir do momento em que o capital se sobrepõe ao Estado e as necessidades sociais, ele se torna um sistema fadado ao fracasso, por aceitar todas as distorções que o sistema capitalista, é capaz de produzir e tem produzido, na nossa nação, e em todos os países que tem aceitado, essa ideologia do cão, capaz de levar uma sociedade inteira a se autodestruir.
O Brasil devido dívida externa, foi obrigado a adotar uma política econômica recessiva, desde o ano de 1982 pelo FMI, e com essa estratégia se tornou um exportado liquido de capital, e ainda com o Consenso de Washington, os americanos recomendaram o Brasil a adotar, políticas neoliberais, com o pressuposto de que isso traria o desenvolvimento e a melhoria das condições sociais, que eles diziam vir com a liberalização econômica, mas o próprio economista, Argemiro J. Brum, disse: que não é bem assim, sobretudo nos países periféricos como o Brasil, porque os mais fortes levam vantagens, sem a presença forte do poder político do Estado, a tendência dominante é a concentração da riqueza e do poder na mão de poucos, o que só leva a aumentar as diferenças sociais entre ricos e pobres bem como a aumentar o numero desse último grupo, ao agravamento das crises sociais e econômica, bem como a acentuar o nível de exploração dos trabalhadores.
O neoliberalismo, tão defendido por Lula, que diz defender os trabalhadores, que diz ser do povo, por FHC e que orientou a Constituição de 88, é uma farsa, uma furada, porque com o enfraquecimento do Estado, e a sua não intervenção na economia, pra corrigir as distorções causadas pelo sistema capitalista, irá levar o povo Brasileiro a uma nível cada vez maior de exploração, e de um completo descontrole e desequilíbrio social e econômico.
O objetivo dos americanos como essas propostas neoliberais para o Brasil, tem como objetivo de fazer com que o nosso país nunca consiga sair da condição de subdesenvolvimento, e que fique sempre dependente deles.
Aqueles que defendem o neoliberalismo, o defende porque não tem a menor noção do que é o liberalismo de verdade, por traz desses discurso bonitos, pois se soubessem, jamais apoiariam, uma ideologia e um sistema tão desgraçado como esse, que é como o câncer, para a sociedade, pois estimula uma completa inversão de valores, que um dia custará um preço muito alto, para o nosso país, para si mesmos.