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Pais e Filhos: Do diálogo à tirania

Luciano Alvarenga


Enquanto o governo de São Paulo prepara mais uma mudança na estrutura curricular do ensino médio do Estado, dentro das salas de aula acontece a mais expressiva evidencia de como andam as relações de autoridade, poder, obediência e disciplina entre pais e filhos. Adianto, nunca os filhos puderam tanto e tão pouco são exigidos, e os pais tão sem autoridade e sem saber como educar como hoje.
Desde os anos 1970/80 que o discurso da liberdade, do diálogo entre pais e filhos, na esteira da revolução cultural de 1968, que autoridade e formação moral deram espaço cada vez maior a indisciplina e rebeldia. A popularização no Brasil, hoje, de escolas administradas pela PM, tendo na disciplina militar seu centro, evidencia que a pedagogia do faça o que você quiser, parece ter encontrado seu fim.
Escolas depredadas e professores que apanham dos alunos, associados a todo tipo de banditismo, explicita que a situação saiu do controle completamente. Liberdade virou libertinagem, diálogo se transformou em tirania juvenil. Os adultos não sabem o que fazer, e qualquer coisa que façam é logo apontado por uma patrulha de profissionais do comportamento, como autoritário, violento, desmedido, assédio moral. Entre não saber o que fazer e ser acusado por autoridades do estado por má condução da educação dos filhos, os pais não estão fazendo mais nada. Crianças e adolescentes assumiram o controle de tudo, seus pais devem simplesmente pagar as contas.
Até algum tempo atrás as escolas ainda conseguiam manter uma estrutura de regras e condutas, que os alunos deveriam respeitar. Hoje, a cada dia que passa, aumenta o número de escolas que se dobram a rebeldia dos alunos. Alunos que em casa agem e se comportam como querem, ante pais omissos e sem autoridade, agora se lançam contra a escola com o apoio dos seus próprios pais, que não podem ficar do lado da escola, por que em casa não possuem autoridade para manter a ordem.
Ao lado disso tudo, formou-se no Brasil uma enorme infraestrutura profissional e legal, que dá suporte à criança e ao adolescente contra a autoridade familiar. Os pais perderam completamente a prerrogativa sobre a educação dos filhos. Educar é apenas aquilo que os profissionais do estado, e seus acólitos na universidade, dizem que é. Todo um universo de aprendizagem e experiência, desenvolvido pelo povo e pelas famílias ao longo de muitas gerações, foi descartado pelas autoridades acadêmicas como atraso, obscurantismo e autoritário.
Estamos diante de gerações inteiras de gente Jovem, que estão pagando um alto preço pela educação formal e familiar que não tiveram. Inseguros, arrogantes, passivos, tirânicos, incapazes de assumir a própria vida vivem como se não tivessem nenhuma responsabilidade pelo que são, fazem ou deixam de fazer. Sem norte, atolados em bits de informação que não leva a lugar algum, soterrados em ferramentas de alta tecnologia que não sabem encontrar uso pra além da diversão e da dispersão, vagam em grupos pela cidade sem encontrar lugar, ocupação e utilidade.
Esse cenário tende a aumentar ainda mais o estado corrosivo em que se encontra a autoridade escolar e familiar; tal ordem de coisas se reflete e, já percebemos isso, na qualidade deficitária da democracia brasileira. É imperioso devolver aos pais e, adultos em geral, a autoridade perdida. Sem o quê, continuaremos trilhando um caminho de desordem e rebeldia que tende a tudo engolir. A família precisa ser o centro da sociedade, e no centro dela, precisa estar à autoridade dos pais. Luciano Alvarenga

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