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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Rio Preto: 2016

Luciano Alvarenga

Jean Paul Sartre disse certa vez que “o homem é ele, e suas circunstâncias”. E quem são os homens e suas circunstâncias na corrida a prefeitura de Rio Preto nesse momento. Orlando Bolçone, João Rillo, Edinho Araújo, Eleuses Paiva, Vaz/Ivani de Lima, Adriana Neves e Rodrigo Garcia.
Orlando Bolçone conhece a máquina pública municipal como poucos. É responsável direta ou indiretamente pelo que aconteceu e acontece na cidade em termos de urbanismo e planejamento. De repente, das pranchetas e tabelas virou deputado e tornou-se prefeitável. É um nome respeitável, não lhe pesa nada que desabone. Como deputado foi mais do que esperavam, mas como candidato a prefeito terá que superar algumas dificuldades pessoais, comunicação e trato com o público é uma.
João Rillo entra nessa corrida desidratado com a perda de quarenta mil votos nessa última eleição/2014. Dentro do PT municipal enfrenta o desafio aberto dos seus correligionários. Associações, fundações, sindicatos antes atrelados automaticamente, hoje lhe são hostis. Como deputado, carrega o peso de ser do partido do governo Federal, e ao mesmo tempo fazer discurso de oposição em sua base. Antes promessa, hoje é desafiado a demonstrar que ainda tem o que dizer. Ao mesmo tempo em que defende o governo no varejo, critica a Dilma no atacado, numa espécie de esquizofrenia quântico-bipolar.
Edinho Araújo é uma lenda na cidade, é o candidato que ninguém quer na corrida. Com o prestígio de ser ministro dos Portos, mais o fato de ter deixado a prefeitura com ótimos índices de aprovação, não teria dificuldade de reunir em torno de si uma gama respeitável de apoiadores sinceros. Tem contra si, o fato de que precisa dizer ao eleitor o que ele ganharia em tê-lo como prefeito mais uma vez. Mas certamente que Edinho prefere terminar sua carreira como prefeito do que como ministro.
Eleuses Paiva é ao mesmo tempo, alguém que como deputado Federal teve a honra de ser escolhido pela Revista Veja, como um dos cinco melhores parlamentares nesse último quadriênio, que terminou em 2014, e ser um ilustre desconhecido do grande eleitorado da cidade. É um dos nomes que certamente terá muito trabalho pra tornar-se conhecido e, ao mesmo tempo viável eleitoralmente. Sua vantagem é ter uma rejeição baixíssima.
Vaz/Ivani de Lima é um caso interessante. Nomes conhecidos, com história política na cidade, participantes desse último governo, como vice-prefeita, mas que por razões muitas não emplacam eleitoralmente no Executivo municipal. Com uma rejeição eleitoral significativa, especialmente entre os eleitores de rendas mais baixas, estão na lembrança da cidade suas antigas brigas políticas.
Adriana Neves é o nome da Acirp, ou melhor dizendo, do setor empresarial. Tem a seu favor o fato de ter dado um importante impulso na associação comercial, e ter feito uma gestão moderna e cheia de iniciativa. Saiu da mesmice e alavancou projetos e programas significativos. Deu ares novos à Acirp. É mulher, e como as mulheres estão na moda, e se bem usado isso, pode crescer eleitoralmente. De outro lado, precisa atravessar o rio e se fazer conhecer do grande público.
Rodrigo Garcia é o nome mais emblemático nessa eleição. Cuida da sua vida política com um profissionalismo típico de executivo de corporação. É jovem, já andou pelos cargos mais importantes da esfera estadual, goza de prestígio e confiança junto ao governador. Construiu até agora uma imensa força política. É ambicioso, sabe que pra além de onde está, ser prefeito de uma cidade como Rio Preto, é fundamental pra entrar definitivamente no rol dos políticos em condição de ser prefeito de São Paulo ou, mesmo governador. Escândalos e investigações envolvendo seu irmão podem aparecer na campanha.

Esse é o quadro atual. Esses candidatos dificilmente estarão todos na disputa. Mas é daí que sairá o próximo prefeito. A questão é, teremos renovação, ou reedição.

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