Pular para o conteúdo principal

Rio Preto: 2016

Luciano Alvarenga

Jean Paul Sartre disse certa vez que “o homem é ele, e suas circunstâncias”. E quem são os homens e suas circunstâncias na corrida a prefeitura de Rio Preto nesse momento. Orlando Bolçone, João Rillo, Edinho Araújo, Eleuses Paiva, Vaz/Ivani de Lima, Adriana Neves e Rodrigo Garcia.
Orlando Bolçone conhece a máquina pública municipal como poucos. É responsável direta ou indiretamente pelo que aconteceu e acontece na cidade em termos de urbanismo e planejamento. De repente, das pranchetas e tabelas virou deputado e tornou-se prefeitável. É um nome respeitável, não lhe pesa nada que desabone. Como deputado foi mais do que esperavam, mas como candidato a prefeito terá que superar algumas dificuldades pessoais, comunicação e trato com o público é uma.
João Rillo entra nessa corrida desidratado com a perda de quarenta mil votos nessa última eleição/2014. Dentro do PT municipal enfrenta o desafio aberto dos seus correligionários. Associações, fundações, sindicatos antes atrelados automaticamente, hoje lhe são hostis. Como deputado, carrega o peso de ser do partido do governo Federal, e ao mesmo tempo fazer discurso de oposição em sua base. Antes promessa, hoje é desafiado a demonstrar que ainda tem o que dizer. Ao mesmo tempo em que defende o governo no varejo, critica a Dilma no atacado, numa espécie de esquizofrenia quântico-bipolar.
Edinho Araújo é uma lenda na cidade, é o candidato que ninguém quer na corrida. Com o prestígio de ser ministro dos Portos, mais o fato de ter deixado a prefeitura com ótimos índices de aprovação, não teria dificuldade de reunir em torno de si uma gama respeitável de apoiadores sinceros. Tem contra si, o fato de que precisa dizer ao eleitor o que ele ganharia em tê-lo como prefeito mais uma vez. Mas certamente que Edinho prefere terminar sua carreira como prefeito do que como ministro.
Eleuses Paiva é ao mesmo tempo, alguém que como deputado Federal teve a honra de ser escolhido pela Revista Veja, como um dos cinco melhores parlamentares nesse último quadriênio, que terminou em 2014, e ser um ilustre desconhecido do grande eleitorado da cidade. É um dos nomes que certamente terá muito trabalho pra tornar-se conhecido e, ao mesmo tempo viável eleitoralmente. Sua vantagem é ter uma rejeição baixíssima.
Vaz/Ivani de Lima é um caso interessante. Nomes conhecidos, com história política na cidade, participantes desse último governo, como vice-prefeita, mas que por razões muitas não emplacam eleitoralmente no Executivo municipal. Com uma rejeição eleitoral significativa, especialmente entre os eleitores de rendas mais baixas, estão na lembrança da cidade suas antigas brigas políticas.
Adriana Neves é o nome da Acirp, ou melhor dizendo, do setor empresarial. Tem a seu favor o fato de ter dado um importante impulso na associação comercial, e ter feito uma gestão moderna e cheia de iniciativa. Saiu da mesmice e alavancou projetos e programas significativos. Deu ares novos à Acirp. É mulher, e como as mulheres estão na moda, e se bem usado isso, pode crescer eleitoralmente. De outro lado, precisa atravessar o rio e se fazer conhecer do grande público.
Rodrigo Garcia é o nome mais emblemático nessa eleição. Cuida da sua vida política com um profissionalismo típico de executivo de corporação. É jovem, já andou pelos cargos mais importantes da esfera estadual, goza de prestígio e confiança junto ao governador. Construiu até agora uma imensa força política. É ambicioso, sabe que pra além de onde está, ser prefeito de uma cidade como Rio Preto, é fundamental pra entrar definitivamente no rol dos políticos em condição de ser prefeito de São Paulo ou, mesmo governador. Escândalos e investigações envolvendo seu irmão podem aparecer na campanha.

Esse é o quadro atual. Esses candidatos dificilmente estarão todos na disputa. Mas é daí que sairá o próximo prefeito. A questão é, teremos renovação, ou reedição.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Sem chão nem utopia

Luciano Alvarenga A grande promessa da modernidade foi oferecer liberdade contra tudo e qualquer coisa que pudesse impedir os indivíduos de fruírem a vida sem amarras. Podemos dizer que, tal liberdade foi conquistada plenamente, e ainda que alguns resquícios de passado, com suas imposições e limites ainda resistam, derretem rapidamente nesse momento; não deixando atrás de si nada que possa servir como estandarte pra novas rebeliões. Não há contra o quê se rebelar. Todos os sólidos do passado, seja moral ou secular, estão liquefeitos; ao indivíduo resta apenas o destino de se guiar, tendo a si mesmo como referência. Ao mesmo tempo em que goza de todas as liberdades, vividas ou sonhadas, realizadas ou posta como possibilidade, o que se desenha nas pegadas daquele indivíduo é o medo, o receio, a insegurança, a incerteza em relação a si mesmo e aos seus destinos possíveis. A própria ideia de destino nada mais é que uma imagem, uma ilusão de quem ainda pensa que se guia de acordo com alguma r…