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No Brasil é bonito ser grosseiro

Luciano Alvarenga
Que quase tudo mudou nessas últimas décadas não há dúvidas, mas como essas mudanças nos afetam é que são elas.
Uma das coisas mais impressionantes dessa mudança é como a feiura, o grosseiro e o mal educado ganharam expressão e direito a vida em nosso meio.
Chocar e agredir viraram sinônimos de verdade e autenticidade. Como se ser educado e civilizado fosse sinônimo de hipocrisia. Aliás, é isso, de umas décadas pra cá, tudo que fosse doce, educado, respeitoso, de bom trato e reverencial, foi associado à hipocrisia.
Pra ganhar status de verdade precisa ser forte, grosseiro e de preferência tem que ser anunciado aos gritos. É por isso que isso que muita gente denuncia as manifestações do dia 15 de março e do dia 12 de abril, como burguesas e elitistas.
Nada foi quebrado, ninguém morreu, não houve empurra empurra, e tudo se deu ordeiramente. Pra militância de esquerda, como nada foi feito violentamente, nem berrado como se fosse o fim do mundo, é a prova cabal de que essas foram manifestações burguesas de gente que está mentindo sobre suas reais intenções.
Chama a atenção como a ideia de ofender e desrespeitar transformou-se num comportamento válido e aceitável. A forma como os alunos entram em sala de aula, sem a menor consideração e respeito pelo professor é digno de nota. A falta completa de reverência diante de uma autoridade, ou diante de uma cerimônia, como a de formatura, por exemplo, é evidencia dessa mudança; a grosseria transformou-se em nossa forma exclusiva de relacionamento.
Democracia no Brasil virou xingar, berrar e impedir que outro fale. Democracia entre nós é empurrar goela abaixo nossas porcas verdades como se não houvessem outras. Veja como foram os debates na comissão que discute a maioridade penal no congresso.








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