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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Praça Cívica – minha opinião


Certa vez, num outro texto, há alguns anos, eu disse que Rio Preto era uma ótima cidade... do século XX, mas que ainda lhe faltava muito pra ser uma ótima cidade do século XXI.
A recente discussão sobre a construção de um terminal urbano na Praça Cívica, ao lado da biblioteca municipal, é um excelente exemplo a respeito de como Rio Preto ainda está distante de ser uma cidade contemporânea, atual e sustentável.
Em primeiro lugar, mencione-se a maneira autoritária e unilateral com que a prefeitura encaminha a realização dos seus intentos. Para o executivo municipal não interessa argumentos técnicos de arquitetos e urbanistas, leis, nem projetos anteriormente aprovados, e que digam que ali não pode, nem deve haver um terminal urbano; dado o fato de que toda a Praça Cívica é parte de um complexo maior chamado Parque Setorial (esse sim, um projeto ousado, inovador e que destacaria a cidade no contexto das cidades mais modernas do mundo, que envolve Parque da Represa e Parque Linear da Filadelfo,) e, que já indica com clareza o que ali deve ser feito. Aos olhos do prefeito, isso não interessa.
Em segundo lugar, o fato de que já existe um terminal urbano no centro da cidade (rodoviária velha) e que pode atender de maneira satisfatória a demanda da população que usa o centro de Rio Preto. Sim, por que se imaginarmos que na verdade o que a cidade precisa é de uma NOVA rodoviária, fora do centro, mais moderna, mais ampla, em uma areia que faça jus a ótima localização regional de Rio Preto, perceberemos que um terminal urbano na Praça Cívica vai condenar nossa cidade a jamais ter um NOVA rodoviária em local mais apropriado.
Em terceiro lugar, o argumento de que a Praça Cívica é subutilizada e ocupada por marginais e moradores de rua, não é um argumento, é um não fato. Isso por que o que está em questão não é o que a Praça é, mas o que ela PRECISA SER pra que Rio Preto possa ter seus melhores espaços urbanos ocupados da melhor maneira possível.
O que está em questão, então, é o fato de que interesses que não conseguem se justificar tecnicamente, no sentido alto da palavra, interesses que visam construir aleatoriamente, ao invés de projetar, elaborar se impõem pela força e, empurram goela abaixo da população uma Rio Preto do século XX, ainda que estejamos em 2015 necessitados de projetos e planos que nos alcem século a dentro.
A vitória da construção de um terminal urbano na Praça Cívica é a vitória de interesses econômicos, imediatos e menores e, portanto, é a cidade século XX se impondo sobre aquilo que é preciso que ela seja, uma cidade do século XXI, isto é, altiva, sustentável, ecologicamente rica, equilibrada economicamente, com acento em espaços públicos e transporte coletivo, mais que no privado, que tenha caminhabilidade, seja acessível e bonita.

E uma palavra, Rio Preto não pode aceitar perder um espaço nobre como a Praça Cívica, e tudo o que ela poder ser, em nome de falsas facilidades imediatas. Luciano Alvarenga

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