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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

PT e CO

Luciano Alvarenga

O primeiro a dizer que havia uma herança maldita foi Lula, isso nos primeiros meses de 2003. Disse mais, que a oposição havia estado 500 anos no poder.  A oposição a que se referia era o PSDB, fundado em 1988. Foi Lula, em pleno escândalo do mensalão, que envolvia toda a cúpula de poder do PT, que disse que o país era “nós contra eles”. Estando, pretensamente, do lado “nós”, os pobres, e, do lado, “eles”, os ricos.

Foi a intelectualidade acadêmica do PT (Marilena Chaui à frente), e depois todo militante desinformado e de má fé, que passou a dizer que a classe média brasileira era reacionária, nazista e que odiava pobre. Foi o PT liderado por Lula e depois por Dilma que disse que os banqueiros roubariam o pouco dinheiro dos pobres e que tudo aquilo que a classe baixa, pobre, havia ganho ao longo dos últimos anos, seria perdido, caso Aécio Neves e seu ministro da Fazenda Armínio Fraga ganhassem a eleição.

Foi Lula quem disse que o mensalão era coisa que todos faziam, e que não passava de caixa dois. Foi Dilma quem disse que em seu governo não há corrupção, mas contraditoriamente, que toda ela seria combatida. Foi no governo Lula-Dilma, que o roubo na Petrobrás já passa da cifra dos cem bilhões de reais.

É a Dilma o nome que esteve em três momentos diferentes, mas fundamentais, nas posições chave pra ter ciência do maior escândalo de corrupção da história do país; Dilma foi presidente do conselho da Petrobrás, foi chefe da Casa Civil no governo Lula, o mais poderoso ministério do país, e atualmente ocupa o mais importante cargo da nação. Ela diz que nada sabe, embora saber seja o que mais se exige de gente que ocupa os cargos que ela ocupou.

O PT disse que tudo que fez, fez pelos pobres, e pela maior transformação social já vista (em Getúlio as transformações foram maiores) no Brasil. Que os gastos, a gastança e a corrupção se justificam em última análise dados os ganhos sociais realizados.

Mas é Dilma e Lula que colocaram agora no comando do ministério da Fazenda, Joaquim Levy, o maior representante, ao lado de Armínio Fraga, da Escola de Chicago, escola essa conhecida pela implantação do neoliberalismo econômico no mundo. Dilma disse na eleição que não seria ela que tiraria da boca dos pobres pra dar aos banqueiros e, que Armínio Fraga, homem de Aécio, traria o retrocesso, o desemprego e a fome ao país, caso ganhassem. A mesma Dilma que disse uma coisa fez o seu contrário. Ganhou mentindo, não sobre qualquer coisa, mas sobre o ponto central do seu partido, e, exatamente aquilo que o diferencia do PSDB.

Só uma coisa se deduz de tanta desfaçatez, manter-se indefinidamente no poder. O esquema de corrupção da Petrobrás, o maior da história, que tem em uma das suas pontas o fato de encaminhar ao caixa do PT, 3% de toda e qualquer obra da empresa, significa, ao lado, do esvaziamento ideológico desse partido, que ao PT só interessa manter-se no poder (só de equipamentos, a Petrobrás compra mais de 60 bilhões de reais por ano, sem licitação).

Depois de ter dividido o pais entre “eles e nós”, o PT é na verdade a amalgama política de um mega esquema de corrupção que envolve PP e PMDB e, que significa falar qualquer coisa e fazer o seu contrário, apontar fantasmas golpistas onde na verdade quem dá o golpe é o Partido dos Trabalhadores. Um golpe que significa esvaziar qualquer sentido ideológico, qualquer diferença, manter a divisão entre “nós e eles”, entre brancos e negros, gays e heteros, religiosos e ateus, tudo isso apenas pra manter-se indefinidamente no poder. Ainda que o PT não esteja nem ai com nada disso, é tudo estratagema para e, pelo poder.

Joaquim levy no comando da Fazenda é exatamente tudo o que o PT disse que não faria. É a evidência de que Dilma é apenas a bucha de canhão do momento, é apenas o fantoche do partido que balbucia o cinismo, a fanfarronice, mentira, a desfaçatez, e o fato de que o partido é um camaleão a travestir-se com as cores do que quer que seja para manter-se no poder.

O PT pode ser o PSDB, o PMDB, o PCB ou PSTU ou, qualquer outro em cada momento e a todo o tempo, a depender das circunstâncias. Ao mesmo tempo em que denuncia os bancos em favor dos pobres, dá o comando da Fazenda, do Banco central e o Tesouro Nacional para os maiores representantes do sistema bancário nacional e internacional.

Esse é o PT, que só admite democracia que signifique sua permanência no poder; sem contestação (golpismo), sem crítica (ante pobres). E atrás do PT segue uma militância que vai de profissionais encastelados em ongs, cargos e empregos públicos, uma militância entre desinformada ou de ma fé ou, incapaz de ver com olhos abertos no que transformou o partido. Acomodados por verdades, que segundo o próprio Lula eram bravatas, milhares defendem o partido em aberta e frontal negação da realidade. Luciano Alvarenga

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