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Estamos mais burros

Luciano Alvarenga

Ao contrário do que se propaga e se fala por ai, estamos mais burros. As crianças, ao contrário do que os pais gostam de afirmar, não são inteligentes, apenas sabem manipular signos e códigos da era digital que seus pais também já sabem, ou tiveram que aprender. Isso quer dizer, se tudo der certo, seu filho terá uma inteligência média.
Estes dias eu comentava que quando eu era criança, meus tios, pais e avós também achavam que eu era o supra sumo da inteligência por que sabia colocar a agulha da vitrola de tal maneira que não riscava o disco de vinil. Ora, simples, eu tinha as mãos leves e os dedos finos, ao contrário dos meus parentes, com suas mãos grandes, pesadas, dedos grossos e pouco afeitos a tamanha sofisticação.
Não era inteligência, era adaptação da espécie.
Como dizia, estamos mais burros. Ninguém mais lê, aliás, ler virou coisa de gente esquisita e fracassada. A molecada se comunica por códigos abstratos e absolutamente simplórios, substituindo a língua padrão, sofisticada e bonita por letrinhas que reduzem palavras até ao ponto de nada significarem do ponto de vista do idioma.
Ninguém com menos de 40 anos consegue se concentrar mais que dois minutos numa leitura. Ninguém, com raras exceções, consegue ficar focado num projeto por mais que um mês, talvez um semestre.
Ninguém sabe fazer nada. Todo mundo compra tudo. As pessoas tem uma dificuldade imensa de conversar com alguém que não conheça; códigos universais de comunicação, como obrigado, por favor, me desculpe, posso entrar, posso me levantar, posso sair, são coisas de outro mundo.
A molecada não entende por que tem que sair de uma cadeira pra que um velho, ou uma grávida, possa nela se sentar. Pra eles o direito é de quem chegar primeiro. Ou seja, não percebem a diferença entre o que são e o que são os outros.
A ideia de que a vida é um processo lhe é completamente estranha. Pensam em ter tudo e o que querem assim que passam a desejá-la. Imaginam que tendo o que dizem que precisam ter, como um diploma, isso já significa que as portas precisam estar abertas pra eles, simplesmente.
E se as portas não se abrem, culpam o mundo por não enxergar o quanto são bonitos, inteligentes e importantes. Ainda que não tenham importância nenhuma.

A publicidade fez gerações inteiras imaginarem que a vida é resultado do desejo, quando a vida resulta apenas de uma coisa, trabalho, muito trabalho.

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