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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Marina é o pós-PT

Luciano Alvarenga
A decadência estonteante de Aécio Neves nas intenções de votos nesta campanha eleitoral, sem nem ao menos ter chegado a condição de co-protagonista do processo em curso, dá o golpe de misericórdia no PSDB nacional e, provavelmente o relegará a condição de satélite do PSB num provável governo Marina Silva.
Doutra maneira, a ascensão de Marina, da maneira súbita e contundente como aconteceu, colocou em pânico as hostes petistas com a probabilidade real de PT deixar o poder. De repente não se trata mais de boxear com o sparring (PSDB) que tornava fácil e saborosa as vitórias do PT, especialmente porque mantinha o debate sequestrado nos anos 1990, mas agora de ter que dialogar a partir de uma nova agenda. A agenda pós-PT/PSDB.
PT e PSDB estão superados. Um pelo seu sucesso, e o outro pelo seu fracasso. Aécio veio pra campanha com FHC no bolso; faz um discurso anos 90, inflação e economia. Quando nem inflação nem economia é um tema nessa eleição. Dilma abre a campanha como se tivesse em 2010. Fala de bolsa família e programas como Pronatec, quando isso nada mais é que fatos dados. Estabilidade da moeda, economia andando, seja de que forma for, programas sociais e valorização do salário mínimo não são um tema eleitoral, são uma realidade do cotidiano.
A sociedade brasileira virou a página do país antes da classe política. Dilma, nem o PT, sabem o que oferecer além do leque de ofertas e serviços sociais e, econômicos lançados nos segundo governo Lula. Chove no molhado. Não entendeu que o sucesso do PT com Lula, deflagrou na sociedade, especialmente nos extratos médios/trabalhadores do país, uma reação de exigências e cobranças que extrapolam o universo que fez o sucesso do Lula 2. Manifestos de Junho/ 2013 é a evidência.
O PSDB jamais se desvencilhou dos anos 1990, não se renovou, está obseleto. O PT foi superado pelo sucesso dos governos Lula. De certa maneira o PT pode sair de cena, do poder central, sem jamais ter realizado seu historio papel. É aqui que o protagonismo da Marina ativa, especialmente no PT, o velho discurso manjado e caquético do maniqueísmo.
Com o projeto Lula esgotado nesse governo insosso e repetitivo da Dilma, o PT tenta despertar o medo, a desconfiança e o receio na sociedade brasileira, mais ainda naquela parte sempre sensível aos discursos da mudança – o povo. Sem projeto, sem programa, sem horizonte além da ideia de democracia como consumo, o PT leva o pavor, por meio de seus representantes nas mídias, com a ideia de uma Marina regressista e fundamentalista.
Sendo Lula católico, FHC ateu e Geisel luterano (ditadura), qual a razão de Marina evangélica ser um problema? O fato especial é que durante os três governos do PT no plano federal, se disseminou pela sociedade brasileira todo tipo de maniqueísmo possível. O PT e, seus representantes pela sociedade brasileira, ocupando todos os poros de participação civil organizada, enraizaram-se e se fortaleceram a partir da ideia fundamentalista de que fora do escopo da cultura de esquerda, resta o atraso e a ignorância.
A ideia de qualquer expressão religiosa que não seja afro, é atraso e arcaísmo, a própria ideia de que religião é um mal que precisa ser extirpada; o argumento malicioso que, ao mesmo tempo que discursa em prol da democracia sexual, aceitação, e convivência, não aceita a religião, o religioso, o crente e sua cultura é a evidência mais óbvia de que democracia no PT é a democracia da sua própria agenda.
Converter um dos mais importantes nomes da história do PT, Marina, numa fundamentalista religiosa (coisa que ela definitivamente não é), é admitir o fundamentalismo dos fanáticos da razão encastelados nos intramuros da esquerda.
A Marina é pós PT. Marina é a equalização dos manifestos de Junho de 2013 com a agenda política atual e futura. Marina é o resgate de um debate político que há vinte anos está sequestrado pela dependência química de PT e PSDB em falarem de si mesmos. O Brasil está ansioso por se libertar do PT e PSDB.
Marina avança a agenda do país e confirma as vitórias sociais, políticas e econômicas conquistadas até agora, mas que urge por novos temas, novas conquistas e horizontes. Luciano Alvarenga



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