Redes Sociais conectam ideias e visões de mundo

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Os filhos da revolução feminina

Luciano Alvarenga


É claro que os tempos são de mudanças. É claro que cada geração vive tais mudanças de uma maneira e, dialoga com ela a partir do aparato cultural, educacional, familiar e religioso que possui ou não. Uma coisa é certa, as mudanças em andamento são tectônicas e, afeta a todos indistintamente.
Dando prosseguimento a discussão sobre o masculino podemos afirmar que a crise do homem ou aquilo que ele ainda não é, é também ela resultado das mudanças operadas no universo feminino e delas com eles, os homens. Uma das coisas mais importantes e notáveis acontecidas como resultado da libertação da mulher do jugo familiar e marital foi ao mesmo tempo a velocidade igualmente espantosa com que os homens e a sociedade de uma maneira geral se desresponsabilizaram da mulher. Em outras palavras, à medida que as mulheres ganhavam autonomia e liberdade os homens se desprendiam dos apegos e responsabilidades com elas.
O movimento de autonomia e afirmação da mulher ao longo das últimas décadas é ao mesmo tempo o processo de desconstrução de toda uma arquitetura de responsabilidades, papéis, cumplicidades e ligação dos homens com as mulheres. Os filhos deste rompimento de “responsabilidades” andam a solta por ai e são mostras de toda uma geração criada na ausência do pai, do masculino (seja o velho masculino ou um novo a ser inventado) e o que isso pode significar em termos afetivos, psíquicos, educativos e sociais.
A proteção em excesso, vide a violência crescente, imaginada ou real, nos centros urbanos, é um lado, apenas um, de uma relação de mães e filhos-homens assentada na necessidade de criar o filho protegido num mundo masculino que ele frequenta e que a mãe desconhece. O instinto da mulher é proteger, na ausência do masculino (impulsividade e risco) como polo de equilíbrio, sobressai à proteção, o invólucro social conhecido, de iguais, onde não há surpresas e onde o filho pode se desenvolver com segurança. Diga-se, que mesmo em famílias com o pai presente isso pode acontecer. Isso em função de uma provável ascendência da mãe na educação do filho e, também pelo fato do pai ser ausente e despreocupado de ter algum protagonismo na educação do filho, o que é bastante comum.
Um garoto que cresça sob o signo da segurança será, muito provavelmente, um adulto que tem medo. Medo do novo, do desconhecido, do diferente, da mudança, do feio, das mulheres, especialmente as fortes e imperativas, de qualquer coisa que não possa ser reconhecida rapidamente e rapidamente interpretada com algo familiar e seguro. Não há lugar menos propenso a mudanças que a própria casa dos pais. E é a casa dos pais onde o universo masculino passa a se formar e se formar em segurança; segurança demais? Quem tem o medo como amigo terá na insegurança o maior dos inimigos.
Ora, o mundo é tudo menos um lugar seguro. Nada é seguro, nem o emprego, nem a rua, nem as pessoas que conhecemos, nem os relacionamentos, nem os sentimentos que possuímos, nem as escolhas que fazemos, tudo está em programa BETA, em completa indefinição. Numa sociedade insegura e incerta os homens estão sendo criados sob o signo da segurança. Quem busca segurança acima de tudo e em primeiro lugar, abre mão e sempre e cada vez mais da liberdade. Quem não tem liberdade não sabe o que é responsabilidade, afinal, liberdade é assumir as consequências dela, sejam quais forem. Ou seja, os filhos do feminismo (brasileiro) estão desequipados para os tempos atuais. Assim, podemos dizer que a revolução feminina entre nós e a maneira como os homens adultos responderam a ela, e ainda respondem, vem resultando numa geração de homens que preferem assistir as mulheres dominarem a cena - e, portanto, não se responsabilizar por nada nem por ninguém, - a compartilhar o palco com elas.

Nenhum comentário: