Pular para o conteúdo principal

Artigo: Luciano Alvarenga. Rio Preto em Foco: a urgência de um Museu

Fernando Marques
Rio Preto é uma das mais importantes cidades do interior brasileiro. Sem dúvida ainda é a líder econômica e comercial da região noroeste paulista. Ganha destaque em inúmeras áreas, saúde, educação e medicina são algumas delas.
Mas Rio Preto não lidera quando o tema é cultura. Ainda que tenha projetos importantes como o FIT (que recentemente perdeu a parceria com o Sesc, por motivos pouco nobres; corre o risco de perder a parceria com a Petrobrás, caso interesses menores se sobreponham ao interesse público); Janeiro da Comédia, que este ano recebeu muito menos aporte e apoio do que em anos anteriores; Bienal do Livro, que já está virando semana, que pode virar feira e, daqui a pouco acabar, tudo isso soma-se a inexistência de um projeto realmente significativo em torno da Secretaria de Cultura Municipal.
Tive a oportunidade de conhecer estes dias o acervo e o espaço Rio Preto em Foco, coordenado, idealizado e, sustentado pelo músico Fernando Marques. Não precisa ser especialista no assunto pra saber que o Fernando, a partir de seu esforço pessoal, reuniu um dos mais importantes acervos de imagem e som do país. Pra não falar nada basta dizer que recentemente recebeu em doação, da família, algumas das câmeras usadas pelo mais famoso cineasta brasileiro do Cinema Novo, Gláuber Rocha, internacionalmente reconhecido. Essa doação evidencia a credibilidade e reconhecimento do sério trabalho desenvolvido por Fernando Marques.
A quantidade de material iconográfico, câmeras, filmadoras, películas fílmicas raríssimas, rádios de uma centena de anos, dados registrados sobre pessoas, lugares, acontecimentos e, um sem número de outros importantes e raros documentos da história de Rio Preto e do Brasil, mais que justificam a criação de um museu que acolha este material e, dê vida a um setor da cultura rio-pretense completamente abandonado.
Chama a atenção que, tanto material, reunido por uma única pessoa, ainda não tenha despertado o interesse do empresariado de Rio Preto e do poder público municipal. Chama a atenção, tendo em vista o fato de que um museu em nossa cidade contemplando e reunindo este material, facilmente seria destaque na região e no país, atraindo doadores de novos materiais, bem como, estimulando em outras cidades, nossas vizinhas, o desejo de conhecerem a própria história, assim como criando seus próprios museus.
A criação de um museu não apenas recompensa o trabalho de décadas de um músico, preocupado com a história cultural de sua cidade, mas garante definitivamente que, todo este acervo esteja preservado às gerações futuras para que saibam e conheçam o caminho percorrido por sua terra natal ao longo das décadas e, dos séculos. Ainda mais em uma cidade que valoriza tanto mídia, seja a impressa como o rádio e a TV.
Aliás, as rádios, TVs e jornais de Rio Preto deveriam ser, entre aqueles que podem ajudar na criação desse museu, os primeiros interessados nisso. Afinal, o que está reunido ali é justamente a história de cada um deles.
A criação de um museu da imagem e do som em Rio Preto é um projeto urgente, necessário e que precisa ser apoiado por todos. Eu apoio. Luciano Alvarenga

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Sem chão nem utopia

Luciano Alvarenga A grande promessa da modernidade foi oferecer liberdade contra tudo e qualquer coisa que pudesse impedir os indivíduos de fruírem a vida sem amarras. Podemos dizer que, tal liberdade foi conquistada plenamente, e ainda que alguns resquícios de passado, com suas imposições e limites ainda resistam, derretem rapidamente nesse momento; não deixando atrás de si nada que possa servir como estandarte pra novas rebeliões. Não há contra o quê se rebelar. Todos os sólidos do passado, seja moral ou secular, estão liquefeitos; ao indivíduo resta apenas o destino de se guiar, tendo a si mesmo como referência. Ao mesmo tempo em que goza de todas as liberdades, vividas ou sonhadas, realizadas ou posta como possibilidade, o que se desenha nas pegadas daquele indivíduo é o medo, o receio, a insegurança, a incerteza em relação a si mesmo e aos seus destinos possíveis. A própria ideia de destino nada mais é que uma imagem, uma ilusão de quem ainda pensa que se guia de acordo com alguma r…