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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Papa Francisco recoloca a Igreja no centro do mundo


A Igreja Católica Romana é a única e maior instituição no ocidente capaz de fazer contrapeso cultural e político ao próprio ocidente. É a única instituição que a partir de sua maior liderança, o Papa, pode mudar de maneira significativa o rumo do mundo. É o que tem feito o Papa Francisco.
Quando Bento XVI renunciou, o papa intelectual, se abriu um enorme vácuo de certezas a respeito do que aconteceria a partir dali. A ideia de crise ventilou-se por todos os cantos, como se a Igreja pudesse, naquele momento de renuncia papal, ficar à deriva.
Escapou a muitos, talvez a maioria, de que a Igreja é uma instituição de 2 mil anos. Que o próprio ocidente é mais ou menos uma invenção sua e, que tudo aquilo vivido, acontecido, experimentado, transformado, morrido, renascido e recriado, nestes 2 mil anos, foi acompanhado ao lado, por dentro, encima e junto pela Igreja Católica.
Não há outra instituição no ocidente com a bagagem, background e produção intelectual a respeito de si mesma e, do mundo, como a Igreja, em suma, expertize. A maneira como a sucessão papal se deu, calma e rápida; a escolha de um Papa argentino, não europeu, inédito, num momento extremamente delicado de renuncia, evidencia que a Igreja ao fazer isso tudo, não o fez desconhecedora dos desdobramentos subsequentes.
Certamente momentos como estes já foram experimentados e vividos antes. O que quero dizer é que a Igreja tem case para tudo. Um Papa Argentino, latino americano, jesuíta, outsider. Outsider num mundo em crise, econômica, cultural, social e ecológica. Isto é, extremamente oportuno.
De repente o Papa chama Francisco, não dorme nos aposentos papais, anda de carro popular e paga os hotéis onde se hospeda. De quebra, diz que fumou maconha na juventude.
Quando a Igreja católica brasileira e as evangélicas se perdem num leilão sem fim por dinheiro, o Papa desnuda o banco do Vaticano, afasta um Bispo alemão que vivia como um magnata e, discursa em nome dos pobres e da simplicidade.
Perguntado sobre os gays, responde: “quem sou eu para julgar”. Desta forma, enquadra um dos maiores e mais barulhentos movimentos militantes do mundo numa frase, deixando datado um dos mais importantes temas surgidos na revolução cultural dos anos de 1960. Apontando que diante das urgências globais, onde a própria civilização humana encontra-se em risco, a demanda gay é apenas uma questão...
O mesmo se dá em relação a maconha. Diante do descalabro do uso de álcool e psicotrópicos e drogas químicas vendidas pela indústria farmacêutica, maconha é um não tema.
Isso tudo em poucos meses de papado. E com isso apenas, recoloca indiretamente a força e o significado de uma autoridade, seja ela qual for, quando revestida de credibilidade, sinceridade e visão de mundo. Papa Francisco traz à tona o significado de uma autoridade em seu maior sentido e, a importância dela em momentos como o que o mundo vem vivendo; profundamente intoxicado pela corrupção e degradação moral.
O Papa Francisco chama a atenção de católicos e não católicos e, isso provém de sua autoridade moral, que não quer dizer religiosa. E pra finalizar, a mais importante autoridade moral do mundo hoje não provém de uma instituição democrática, chamando atenção também para a crise profunda da democracia ocidental. Luciano Alvarenga

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