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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Luciano Alvarenga. Educação e TV – dois lados da mesma tragédia


Dois problemas graves impedem que a realidade social e cultural no Brasil deem saltos de qualidade realmente significativos. Educação pública de péssima qualidade e televisão de qualidade baixíssima. Não me refiro a qualidade técnica dos programas de TVs nacionais, particularmente os da Globo, mas sua qualidade social e cultural.
O estado putrefato e abandonado, não necessariamente em termos de dinheiro, da educação é o principal abismo a impedir que todas as outras faces da vida cotidiana da nação possam efetivamente mudar. Tendo em vista que a educação não exerce, não cumpre, não realiza sua principal função, qual seja, a de retirar do estado de ignorância e letargia em que se encontram as mentes infantis e jovens, o que temos como resultado é uma nação de gente impossibilitada de crescer, amadurecer, se realizar e emprestar ao país seu potencial transformador nunca realizado.
Uma educação formal que não funciona só não possuía nenhum significado enquanto a vida e a cultura eram uma expressão da vida no campo, nas zonas rurais. A partir do momento em que a cultura transformou-se no resultado da vida urbana e, das conquistas da civilização moderna, a educação transformou-se no único meio, na única possibilidade de fornecer as gerações recursos técnicos, saberes e aprendizados capazes de lhes permitir navegar pelo mundo. Mais ainda num mundo digital.
Impossibilitados que estamos de contar com uma educação que liberte da ignorância e, portanto, que possibilite a construção de um destino altivo e soberano pra nação, acabamos mergulhados numa televisão que, se, por um lado, poderia ser um mecanismo de equilíbrio e compensação pelo estado lastimável da educação entre nós, torna-se ela, por sua vez, o reflexo do público - sem formação educacional de qualidade - que a assiste.
A televisão brasileira é do ponto de vista cultural, da programação que apresenta, a produção diária de uma quantidade indescritível de mau gosto, criação de ídolos vazios, mal caratismo e, tudo que é ruim e pouco nobre para se consumir em termos de cultura. Ressalvadas exceções num programa ou outro.
Somada a indigência da educação temos a televisão, que, concentrada em pouquíssimas mãos, é resultado da necessidade de manter o status quo e, a ignorância geral do povo. Sem educação de qualidade e, uma mídia televisiva comprometida com o alto nível de sua programação, não é possível nada.
Sem educação formal de qualidade e transformacional, as gerações são forçadas a inventarem sua própria cultura a partir de onde estão e como estão. As amplas massas da sociedade brasileira, sem os instrumentos educacionais da civilização, praticamente vivem como se estivessem na pré-modernidade.
Não fosse isso, por si só, um descalabro civilizatório, a televisão reproduz - em função do imenso exército de audiência de reserva que estas massas são – essa cultura urbana relegada, despolitizada, desconectada (das fronteiras culturais da humanidade) e, a margem como se fosse algo realmente digno de ser elevada a referência.
Evidentemente que as periferias produzem, a partir de casos excepcionais e exceções, uma outra cultura que seriam, estas sim, interessantes de serem replicadas na TV. Mas estas nunca são reconhecidas ou abraçadas pelas emissoras de TV; justamente por que escapam do conteúdo pobre, vazio e despolitizado que é o que interessa a quem produz TV no Brasil.
A inclusão de milhões de pessoas no mercado consumidor nestes últimos anos, ao invés de ter significado o acesso delas aos melhores produtos de cultura, tem significado o seu oposto; a difusão via TV, de uma cultura de baixíssimo valor cultural e, simbólico, pobre de significado político e destituída em sua grande parte de qualidade técnica.
Em uma letra, a TV não melhora seu produto a uma audiência recém-incorporada ao mercado de consumo; ela revende às massas aquilo mesmo que esta massa já vivia e experimentava culturalmente antes de acessar o mercado como consumidora. Luciano Alvarenga


Essenciais nas escolas, professores são profissionais de segunda classe

http://revistaforum.com.br/blog/2014/01/essenciais-nas-escolas-professores-sao-profissionais-de-segunda-classe/ 




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