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Lulu é o outro lado do pornô revanche

Luciano Alvarenga
O aplicativo Lulu, que permite as mulheres darem notas aos homens na internet sobre seu desempenho sexual, amoroso, afetivo ou físico, impedindo os homens de fazerem a mesma coisa, sobre elas, é mais um passo que damos em direção ao esvaziamento de tudo que seja importante, significativo e rico emocionalmente.
Lulu é a ideia de que todos se resumam a notas e rachetags. Na verdade, Lulu exige que as relações e as pessoas se assumam apenas e tão somente em notas e rachetags; ser superficial é condição sine qua non para que o Lulu seja um sucesso. Então, assim seremos. De corpos desumanizados e prontos pra consumo, avaliados por nossos desempenhos, como carros hi techs, caminhamos acelerados para uma massa informe de almas reduzido as notas de um aplicativo social-web.
As redes sociais e, todos os aplicativos que emergem dentro dela, transformam a vida numa tela de fotos, textos, rachetags e notas que, nada dizem sobre a realidade de cada um, mas que aos poucos ou aceleradamente, não sei, vai se impondo pesadamente como a verdade de cada um e, sobre todos. De repente não somos mais o que somos, passamos a ser o que fizemos de nós nas redes e, o que fizeram com o que fizemos de nós.
Você é o que dizem que é, e tudo isso a partir do que permitiu que dissessem. Meninas que se matam, tragicamente, após terem sua intimidade sexual exposta na internet, pagam o preço, profundamente desproporcional, de terem se deixado estar numa situação em que não é possível nenhum controle.
A mesma sociedade que liberta, permite e libera, pune, achincalha, destrói e mata. A vida nas redes é contemporânea como só ela pode ser, mas ao mesmo tempo é arcaica como todos os sentimentos raivosos, bárbaros e rançosos que carregamos. Filmar uma transa, no universo juvenil de hoje, é da mesma ordem de filmar uma festinha de colegiais. A diferença profunda é que sexo no universo dos colegiais e, da sociedade toda, pasmem, é coisa de putas.
Por baixo de toda liberdade e ar fresco que corta as relações atuais, sejam amorosas ou sexuais, corre um rio fétido, podre e tóxico que emerge quando as tais liberdades são experimentadas além da fronteira. É fundamental que se diga que são as mulheres, sempre elas, o alvo, o centro, o ponto cardeal que precisa estar sobre controle. Nem que morte seja a condição última a ser imposta às mulheres que não compreendam o terreno onde andam.
Não é por outro motivo que o Lulu foi inventado num dia e virou polêmica no outro. Mulheres que se matam em função de vídeos publicados na web por amigos, parceiros, ou, seja lá quem for, é um problema de cada uma e o quanto ela se expõe a isso, mas homens avaliados em seu desempenho sexual e social é um problema de todos. Até o judiciário está se envolvendo.
É a mesma sociedade que exilava a mulher em sua própria cidade em função de uma transa pré casamento, ou, condenava como adúltera qualquer desvio dentro dele que, hoje leva a morte a garota exposta num momento de intimidade; mas em contrapartida, já entende que o Lulu seja realmente um problema.
O que estamos vendo nas redes sociais e, nos aplicativos, é o que somos realmente e sempre fomos. Profundos e rasos, capazes de muita subjetividade e profunda artificialidade, bárbaros e civilizados, nada novo. A diferença é a escala.

Uma última palavra. Que as garotas que cresceram e crescem sob o signo da liberdade digital entendam que, a linguagem das redes sociais, ancoradas naquela plataforma, apenas e tão somente atualizou as mentalidades analógicas anteriores à web. Nada mais. Luciano Alvarenga

Comentários

NNEVES disse…
Você desconhece o Nelson Rodrigues.

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