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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Haddad e a geração infeliz

Rudá Ricci

Haddad é o símbolo de uma geração de gestores públicos sem humor, sem prazer em ser políticos.
Tem como parceiro o ranzinza Marcio Lacerda, este, que além de dirigir a prefeitura de Belo Horizonte, gostaria de dirigir a coração e mente de toda população que desejava ser toda sua.
Os dados da pesquisa Datafolha é mera fotografia de momento. Alguns gestores públicos de sua geração poderão estar um pouco à frente. Todos, contudo, não nasceram para o que se elegeram. Weber citava três predicados que um líder precisa necessariamente possuir. Paixão era uma delas. Pelo simples motivo que sem paixão, o líder não lidera, não emociona, não empolga. Resta ao pobre Fernando o empenho de seu padrinho, eternamente apaixonado pela política, e o da militância. Militância composta por aqueles que defendem seus empregos, mas que também envolve os que se comportam como torcida de time de futebol.
Fernando é o símbolo desta geração de gestores públicos que assolou o país. Anódinos, impecáveis na escolha do guarda-roupa, discurso tecnocrata, dificuldade para se expressar na língua corrente, duros como uma lâmina de aço.

Reprovação a Haddad é similar à de Pitta e Kassab


RICARDO MENDONÇA

DE SÃO PAULO

Cinco meses depois da onda de protestos que sacudiu as principais cidades do país em junho, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), ainda não conseguiu recuperar nenhum ponto da popularidade que perdeu.
Prestes a completar o primeiro ano no cargo, Haddad tem índices de reprovação similares aos que seus antecessores Celso Pitta e Gilberto Kassab (PSD) tinham quando também estavam no fim do primeiro ano na prefeitura.

Pesquisa feita pelo Datafolha na quinta e na sexta-feira da semana passada mostra que Haddad tem 18% de aprovação entre os paulistanos, mesmo índice que tinha depois do auge dos protestos.
No mesmo intervalo, o conjunto de eleitores que julga seu governo ruim ou péssimo oscilou de 40% para 39%. Os que acham sua gestão regular passaram de 35% para 40%.
Editoria de Arte/Folhapress
O Datafolha ouviu 1.071 eleitores da capital na semana passada. A margem de erro da pesquisa é de três pontos, para mais ou para menos.
Haddad tornou-se um dos alvos principais dos protestos de junho, que começaram reivindicando a redução das tarifas de ônibus em São Paulo e o obrigaram a cancelar o aumento decretado em maio.
Desde então, Haddad ampliou faixas exclusivas para ônibus na capital e, num gesto simbólico de valorização do transporte coletivo, passou a ir para o trabalho de ônibus em determinadas ocasiões.
Mas surgiram novas fontes de desgaste para a imagem do prefeito nos últimos meses, como o aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), recém-aprovado pela Câmara Municipal.
O único consolo oferecido pela pesquisa a Haddad é o aumento de 6 pontos em sua taxa de aprovação entre eleitores de 16 a 24 anos. É um grupo pequeno, mas importante justamente por ter sido protagonista dos protestos de junho. Entre os que têm mais de 60 anos, ele caiu 7 pontos.
Na comparação com seus antecessores, a situação de Haddad só não é pior que as de Pitta em 1997 e Kassab em 2007, ambos com 15% de ótimo e bom ao final do primeiro ano de seus mandatos.
Embora ainda tenha três anos pela frente para tentar recuperar sua imagem, a situação política de Haddad traz preocupações imediatas para os estrategistas do PT.
Pouco conhecido na cidade até as eleições de 2012, sua bem sucedida campanha foi baseada na ideia de renovação, da aposta no "homem novo" descrito na propaganda.
É a mesma fórmula que os petistas pretendem repetir no ano que vem para tentar eleger o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, governador de São Paulo, Estado governado pelo PSDB desde 1995.
Assim como Haddad, que exibiu suas realizações como ministro da Educação para se eleger prefeito, Padilha apresentará seus feitos no Ministério da Saúde, especialmente o programa Mais Médicos.
Como Haddad, Padilha também terá a presidente Dilma Rousseff e, principalmente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva engajados em sua campanha eleitoral.
Mas o forte sentimento de frustração com a experiência Haddad, indicado pelos números do Datafolha, tem tudo para ser explorado pelos adversários do PT contra Padilha nas eleições de 2014.
Carolina Daffara/Editoria de Arte/Folhapress

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