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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Marcondes, manifestantes e cassetetes: a Câmara de Rio Preto ontem

Um tapa na cara da população

Rodrigo Lima - Diário da Região

Guilherme Baffi
Grupo de manifestantes cercou até a Prefeitura para impedir fuga alternativa de Marcondes
A Câmara de Rio Preto rejeitou, na terça-feira, 5, por 11 votos contra quatro dois pedidos de Comissão Processante contra o vereador Fábio Marcondes (PR) por quebra de decoro parlamentar por ter dado tapa no rosto de Acauã Adolfo Bonazzi, 17 anos. A decisão do plenário revoltou populares que queriam a abertura de investigação contra o vereador e, após a sessão, houve confronto entre eles e guardas municipais.

Marcondes já havia deixado a Câmara pelo prédio da Prefeitura sob escolta de policiais militares e xingamentos dos populares. Um grupo de cerca de 100 manifestantes tentou invadir o prédio do Legislativo após forçar a abertura do portão da garagem, mas foram impedidos pela Guarda Municipal. O mesmo grupo já havia fechado parte da avenida Alberto Andaló e a rua Silva Jardim, o que provocou discussões isoladas com motoristas.

“A culpa é do (Fábio) Marcondes”, gritavam os manifestantes que carregavam uma faixa com a seguinte mensagem: “Fora Marcondes - vereador que bateu na cara de menor.” Após a sessão alguns vereadores ficaram impedidos de sair da garagem com os seus carros.

Uma nova tentativa de invasão do espaço pelo grupo - alguns com os rostos cobertos por máscaras - foi novamente contida pelos guardas, que saíram do prédio para evitar que os manifestantes tentassem reerguer o portão.

Guilherme Baffi
Vereador precisou de escolta policial para deixar a Câmara em segurança


Nesse momento, houve um desentendimento entre os manifestantes e os guardas municipais. A pancadaria começou e os manifestantes foram contidos por membros da corporação com cassetetes na mão. Houve uma confusão generalizada. Policiais militares estavam no local, mas não se envolveram na pancadaria.

O comandante da Guarda Municipal não quis comentar a ação dos membros da corporação. O professor José Paulo Dias, foi acusado de iniciar a briga com os guarda. Um boletim de ocorrência seria registrado ontem na Polícia Civil.

Em frente da garagem manifestantes ainda bateram boca com pessoas ligadas ao vereador Daniel Caldeira, como Júlio César, o Gordo, que protagonizou a briga registrada nas galerias da Casa no ano passado.

Outros rapazes acusados de atuarem como “capangas” de vereadores foram acusados de agredir estudantes que estavam no local. Um deles foi levado na viatura da Polícia Militar e o caso também seria registrado no plantão.


Guilherme Baffi
Manifestantes bloquearam estacionamento na tentativa de impedir saída de vereadores
Explosivos



Quando a situação aparentemente parecia estar sob controle, um corre-corre foi registrado na rua Silva Jardim. Policiais militares divulgaram que haviam apreendido cinco coquetéis molotov - explosivos artesanais feitos com garrafas e gasolina. Um rapaz foi preso e levado ao plantão policial ontem à noite acusado de portar o material, que deverá passar por perícia.


Toda confusão começou quando Marcondes, há 15 dias, articulou a derrubada de projeto que declarava a Associação dos Amigos dos Mananciais como de utilidade pública. A partir daí, se tornou alvo dos manifestantes.




Guilherme Baffi
Populares tentaram abrir à força portão da garagem da Câmara
Marcondes: ‘já pedi desculpa’



O vereador Fábio Marcondes (PR) afirmou ontem que já pediu desculpa aos pais e a Acauã pelo tapa que deu no rosto do adolescente. E admitiu o erro. “Como pessoa pública vejo que o caso já está encaminhado na Justiça. Hoje vai passar pelo plenário e minha posição é de cristão. Acho que na vida, antes de político, sou ser humano e sou passível de erros e acertos”, afirmou o vereador.

Marcondes disse que aceita a manifestações desde que elas sejam pacíficas. Funcionários da Casa e vereadores acreditam que os manifestantes vão voltar a promover novas manifestações após os fatos registrados ontem. O presidente da Câmara, Paulo Pauléra (PP), procurou não aparecer no episódio, mas tachou os manifestantes contra Marcondes de “bagunceiros.”

Diferente das outras sessões, a Polícia Militar só compareceu no Legislativo após ser chamada para garantir a saída de Marcondes do local.




Guilherme Baffi
Homem é preso sob suspeita de portar cinco coquetéis molotov
Mãe se diz ‘decepcionada’

O resultado da votação contra a abertura de Comissão Processante (CP) revoltou a mãe de Acauã, Sirineis de Fátima Barbosa. “Fiquei muito decepcionada com a atitude dos vereadores. O que eles menos querem é apurar o que aconteceu”, afirmou Sirineis. “Na polícia nós vamos continuar”.

Dos 17 vereadores, foram favoráveis à abertura das Comissões Processantes (CPs) contra Fábio Marcondes os vereadores Renato Pupo (PSD), Jean Charles (PMDB), Celi Regina (PT) e Marco Rillo (PT). O presidente da Câmara, Paulo Pauléra (PP), não vota nesse tipo de projeto. Todos os outros vereadores votaram contra.

A mãe de Acauã Adolfo Bonazzi disse ontem que esperou um contato do vereador Fábio Marcondes para receber o pedido de desculpas pelo ocorrido, mas isso não aconteceu. “Eu esperei ele (Marcondes) me procurar. Ele só pediu desculpas pelo Diário”, afirmou. Acauã disse que também espera um pedido formal de desculpas do parlamentar.

Ontem, por meio da assessoria da Câmara, o presidente do Conselho de Ética, vereador Cesar Gelsi (PSDB), disse que não se manifestaria sobre o assunto. De acordo com o tucano, o caso já estava sendo analisado pelo plenário.

Sessão 

Durante a sessão, os vereadores rejeitaram o prosseguimento de proposta que previa autorização para que filhos de guardas municipais mortos em serviço recebessem bolsa de estudo. Outro projeto rejeitado previa a recuperação ou retiradas de aparelhos de ginástica ou brinquedos quebrados de locais públicos, de Pupo e Rillo.

Os vereadores aprovaram a adequação do trabalho de flanelinhas com base em legislação federal. Outro projeto aprovado permite a atividade de oficina na rua Américo Del Nero, no Jardim Maria Lúcia.


Confira abaixo as imagens do confronto em frente ao prédio do Legislativo rio-pretense

Fotos de Guilherme Baffi






















































































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