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domingo, 27 de outubro de 2013

Reinaldo Azevedo na Folha:

reinaldo Reinaldo Azevedo na Folha: apagando fogo com gasolina
Reinaldo Azevedo espuma de raiva dia e noite. Era menos agressivo quando colunista da Veja. Quando passou a blogueiro, com oportunidade de interagir diretamente com seus muitos fãs e desafetos, aposentou a focinheira. Faz muito sucesso, o que irrita muita gente. Nunca vi razão para tanta bronca contra Reinaldo. Ele defende o que defende. Também nunca vi razão para ler seu blog. Já sei o que ele ataca.
Mas li sua coluna de hoje na Folha, na internet. O que me levou a visitar seu blog e ler uns trinta textos. Vários são bem engraçados, quase todos são muito violentos. Me peguei concordando com Reinaldo em vários temas e discordando em outros tantos. Não voltarei. O volume é muito alto, sempre onze. E ele grita sempre a mesma coisa: abaixo o PT.
É perfeitamente defensável, e útil para a democracia, que tenhamos cães de guarda das tradições de um país - conservadores, vamos chamá-los assim. E fundamental que tenhamos jornalistas que se disponham a morder as canelas dos poderosos. Mas Reinaldo jamais critica banqueiros, empresários, ruralistas, grandes empresas de comunicação, ou o alto tucanato. E vive no pé de ambientalistas, feministas, blogueiros, manifestantes, grevistas e petistas, grandes ou pequenos.
Como Reinaldo Azevedo só bate em um lado, o que faz é propaganda eleitoral, não jornalismo. O mesmo vale para outros porta-vozes disfarçados de imprensa, dos dois lados do fla-flu. E é por isso que, além de seu blog na Veja, agora ele tem uma coluna na Folha de S. Paulo.
Foi contratado, junto com Demétrio Magnoli, para bater no PT. E inevitavelmente no candidato petista ao governo do estado, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A dupla Reinaldo-Demétrio presta-se perfeitamente para a missão. Um é histriônico, o outro é articulado. Um briga, outro elabora. Os dois são ligados ao Instituto Millenium, entidade organizada por banqueiros e grandes empresários, inclusive de comunicação, com o objetivo de combater o PT. A Folha, que diz buscar o equilíbrio nesta renovação do time de jornalistas, chamou também Ricardo Melo. Ricardo é crânio, língua afiada, apartidário: bate em gregos e troianos (e Reinaldo já arrumou treta com ele, no passado). Mas são dois do lado da propaganda, e um do lado do jornalismo.
Críticos se surpreendem com uma suposta guinada à direita da Folha. É falta de perspectiva histórica. Lembro quando a Folha chamou José Sarney para colunista, logo que o gângster deixou a presidência, o país em frangalhos, Collor no poder. Perto de Sarney, que aliás agora é Lula desde criancinha, Reinaldo Azevedo é uma flor, ninguém há de negar. O jornal sempre deu uma no cravo e outra na ferradura. Veja o espaço que têm Jânio de Freitas e Clóvis Rossi, e o tanto de podridão que o jornal revelou de administrações do PSDB. A Folha não é imparcial, como nenhum veículo é. Também não é irresponsável.
Dilma está reeleita. O grande objetivo do PT em 2014 é roubar dos tucanos o segundo orçamento da união, quase 40% da economia brasileira.
O PSDB sem o governo de São Paulo perde a espinha. No cenário dos sonhos de Lula, que ungiu Padilha candidato, o PT governará sem oposição. Falta combinar com as ruas, que segundo Reinaldo na sua coluna na Folha, é "ente divinizado por covardes". Não vejo o divino em nada, nem vejo grandes diferenças entre PT e PSDB. Mas enxergo o seguinte: uma parte grande do que foi rejeitado nas manifestações de junho foi esse jeito raivoso de Azevedo e suas contrapartidas governistas verem o mundo, assim como essa polarização partidária fundamentalista e paralisante.
Não leio essa gente e recomendo que ninguém leia. A rapaziada nas ruas queimava bandeiras de partidos. Reinaldo e companhia querem apagar o fogo com gasolina.

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