Pular para o conteúdo principal

O novo Diário da Região?

Luciano Alvarenga



O Diário da Região, mais importante jornal impresso de São José do Rio Preto, está passando por nova reformulação, o leitor mais atendo já deve ter percebido. Da logomarca até o site tudo irá mudar. Não é a primeira vez que o Diário passa por esse tipo de mudança, naturalmente, e não será a última. A questão é: está mudando na forma, no conteúdo, na abordagem, no foco ou, em tudo isso junto?
Os jornais impressos fazem uma corrida contra o tempo; ao mesmo tempo em que precisam estancar a evasão de leitores, que cada vez mais rápido migram para internet, precisam decidir em que medida tornar o impresso renovado e interessante para antigos e novos leitores (estes são poucos), ao mesmo tempo em que não podem deixar de atender e bem, o leitor do jornal em plataforma digital.
Não está sendo fácil. A última mudança do Diário há alguns anos, não logrou obter os resultados que se esperava. Praticamente o jornal se mantém mais pela falta de concorrência, o que é ruim para o próprio Diário, do que por méritos próprios. O que se esperar de um jornal como o Diário.
Destaque-se que o leitor de jornal impresso é o típico cidadão de classe média, mais letrado e informado que esmera pela informação de qualidade. Os impressos sempre tiveram na classe média o seu público leitor fiel, e quase sempre reverberava a mentalidade média desse leitor. Ao mesmo tempo em que também, em mão dupla, o influenciava e abria novas perspectivas para o seu entendimento do mundo.
O Diário, como todos os outros, sentiram fortemente a mudança dos tempos com a plataforma digital. Uma das bases dos jornais impressos pré-internet era o factual. Com a TV e o rádio massificando a noticia para o grande público, o impresso era quem destrinchava o factual, analisava com mais detalhe e permitia uma informação mais qualitativa ao seu leitor.
O factual e a versão dada pelos impressos, praticamente tornava-se a verdade absoluta. Isso mudou, mas o Diário não. O Diário continua dando manchete ou, submanchetes, para coisas exaustivamente discutidas e analisadas na internet e nas redes sociais; com a imensa desvantagem de que chega às ruas, muitas vezes, com 24 horas de defasagem. Diga-se que o factual, na era da internet, deixou de ser noticia, transformou-se em curiosidade de pouca relevância como material de informação.
 A grande questão hoje aos jornais não é o factual ou chegar primeiro a uma dada informação, coisa rara hoje em dia; mas como o jornal vê cada uma das coisas que ele publica. O que as pessoas querem saber não é que o mundo está cheio de gays, elas sabem, mas por que ele está cheio de gays. Há uma enorme diferença entre uma coisa e outra. As pessoas estão saturadas de informação, aliás, estão viciadas, mas ninguém atende melhor esse vício do que a internet. Entretanto, cresce o número de pessoas, especialmente as mais escolarizadas e sofisticadas intelectualmente, o antigo público dos impressos, que mais que saber, quer entender as razões, os por quês. E nunca as pessoas desejaram tanto entender as razões de tudo o que ocorre como agora.
Num mundo complexo e em mutação permanente, onde tradições desaparecem, novos comportamentos nascem, realidades estranhas e longínquas passam a morar em nosso bairro, onde o lá está aqui e, nós mesmos interferimos, mudamos o que está distante de nós, torna-se imperioso entender, saber, compreender como lidar com tudo isso. É a globalização se impondo no cotidiano. Um jornal que não se proponha a dar isso ao seu leitor é um jornal sem importância nenhuma.
Oferecer ao leitor acesso a conteúdos (análises, estudos, pesquisas, dados, contraditórios), que lhe permita formar uma base de entendimento e conhecimento a respeito do mundo que lhe rodeia e, que está imerso, é criar nele o sentimento de que seu jornal é indispensável. Ora, quem mais quer saber e entender e ter estofo intelectual para compreender o mundo? Quem sente que pode interferir nos destinos desse mesmo mundo, da sua cidade, do seu estado, do seu bairro. Esse é o público do jornal. O Diário não pode imaginar que será um jornal pra todos. Sua plataforma digital até pode se dar ao luxo de atender uma grande parte do todo, mas não o impresso.
Repito. É fundamental que o Diário se coloque a altura da importância que granjeou ao longo de sua história; isso só será possível se o jornal se reinventar se renovar, dialogar com seu leitor que também mudou e, quer outra coisa do seu matutino. Pra isso o jornal terá que passar por um processo de mudança em como lê a cidade, como entende a política e vê o mundo e, qual é o papel que quer desempenhar a partir de agora.
O desafio dos impressos em conseguir se renovar é da mesma urgência colocada pros partidos políticos. Tanto um como outro estão afundando por estarem presos a paradigmas obsoletos. Luciano Alvarenga



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Classe média alta de Rio Preto no tráfico de drogas

Cocaína e ecstasy rolam solto na alta rodaAllan de Abreu Diário da Região Arte sobre fotos/Adriana CarvalhoMédicos são acusados de induzir o consumo de cocaína e ecstasy em festas raveFestas caras com música eletrônica e bebida à vontade durante dois ou três dias seguidos, promovidas por jovens de classe média-alta de Rio Preto, se tornaram cenário para o consumo de drogas, principalmente ecstasy e cocaína. A constatação vem de processo judicial em que os médicos Oscar Victor Rollemberg Hansen, 31 anos, e Ivan Rollemberg, 25, primos, são acusados pelo Ministério Público de induzir o consumo de entorpecentes nesse tipo de evento.

Oscarzinho e Ivanzinho, como são conhecidos, organizam há seis anos a festa eletrônica La Locomotive. A última será neste fim de semana, em Rio Preto. Cada festa chega a reunir de 3 mil a 4 mil pessoas. Segundo a denúncia do Ministério Público, os primos “integram um circuito de festas de elevado padrão social e seus frequentadores, em especial os participa…