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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Nas Diretas Já e no Fora Collor não havia violência, agora há

Pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública é detido em manifestação no RJ

Rudá Ricci, Pois é. Estamos vivendo este pêndulo da avaliação sobre as manifestações pós-junho. Alguns ressaltam o "vandalismo" daqueles que quebram bancos e tudo o que aparece na sua frente. Outros (me incluo neste grupo) procuram ressaltar a ausência de prática política, de negociação de autoridades públicas com manifestantes e a ação excessiva da polícia (em alguns casos, também do MP) procurando criminalizar qualquer protesto. 
Fico pensando por qual motivo nas manifestantes pelo impeachment de Collor e Campanha das Diretas não havia violência em cena aberta. Exatamente porque havia mediação, havia representação que bebia nas ruas para encaminhar ações institucionais. Agora, não temos mais esta mediação em virtude de uma geração de políticos despreparados e que sonham em ser empresários. Não gostam do fazer política, da capacidade de formular consensos ou convencer a maioria no jogo de gangorra entre racionalidade e paixão. 
Vejam esta notícia que está no site da Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz, no Rio de Janeiro. Paulo Roberto, professor desta reconhecida instituição foi preso pela polícia na noite de terça-feira quando se juntou aos manifestantes. Ele estava na escadaria da Câmara Municipal, onde alguns jovens sugeriam a sua ocupação, como já ocorreu em tantas outras capitais mas que, no Rio de Janeiro, aparece como ofensa à Ordem e ao mundo civilizado. O professor foi "enquadrado nos crimes de danos ao patrimônio público, formação de quadrilha, roubo e incêndio - todos inafiançáveis".
Isto é ou não a criminalização generalizada da questão social pela "política" de Estado? É ou não um exagero que estende perigosamente as garras estatais para o direito cívico de manifestação?. 



Pesquisador da ENSP é detido em manifestação

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O professor e pesquisador Paulo Roberto de Abreu Bruno, da ENSP/Fiocruz, foi detido pela polícia, na noite de terça-feira (15/10), quando participava de manifestação popular, no Centro do Rio de Janeiro, em apoio aos professores. Paulo estava acompanhado de sua esposa, Carla, também detida e liberada em seguida, e de dois outros professores da Escola: Juremi de Oliveira e Bianca Dieili da Silva. A manifestação, que teve início na Praça da Candelária e seguiu até a Cinelândia, reuniu milhares de pessoas em apoio aos professores das redes estadual e municipal, em greve há cerca de dois meses por novo plano de cargos e salários e melhores condições de trabalho. No início de outubro, a ENSP/Fiocruz divulgou nota de repúdio à violência contra os professores. A Presidência da Fundação, as direções da Escola e da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio e o Sindicato dos Servidores da Fiocruz (Asfoc-SN) estão em contato com familiares e amigos para prestar solidariedade e apoio jurídico.

Paulo de Abreu Bruno foi detido na escadaria da Câmara Municipal enquanto gravava imagens no local para pesquisas. Um de seus principais objetos de estudo é a pesquisa de movimentos populares urbanos. Desde junho, vem recolhendo material e fazendo registro fotográfico das manifestações no Rio de Janeiro. Paulo atua ainda no campo da saúde coletiva e ambiental tanto em comunidades indígenas amazônicas como em favelas. 
Paulo Bruno foi detido e levado para a 37° Delegacia de Polícia Civil (Ilha do Governador), onde foi fichado e enquadrado nos crimes de danos ao patrimônio público, formação de quadrilha, roubo e incêndio - todos inafiançáveis. Nesta quarta-feira (16/10), foi transferido para a Polinter. No início da noite, a Fiocruz divulgou nota para a imprensa informando que representantes do Departamento Jurídico da Asfoc (Jorge da Hora e Fabio Krueger), acionados pela diretoria do sindicato, participarão de reunião no centro do Rio de Janeiro com advogados do Instituto Brasileiro de Direitos Humanos (IBDH) para entrar com medidas cabíveis para libertação dos presos. O IBDH vem monitorando as prisões feitas ontem à noite.

O presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, entrou em contato com a chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegada Martha Rocha, buscando informações e pedindo acompanhamento do caso. Parlamentares foram acionados para prestar apoio. O servidor da ENSP e advogado Marcos Vinicius Giraldis Silva também acompanha desde ontem à noite o caso. 
A Secretaria de Estado de Segurança da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro divulgou uma nota de balanço de presos durante, o que ela denomina, de atos de vandalismo no Centro do Rio de Janeiro. A nota cita que ao todo 64 pessoas foram presas e 20 menores foram apreendidos em flagrante cometendo atos de vandalismo. Deste total 27 pessoas foram autuadas com base na nova Lei do Crime Organizado (lei n° 12.850/2013) por crimes como: danos ao patrimônio público, formação de quadrilha, roubo e incêndio, todos delitos inafiançáveis
Paulo Bruno é licenciado e bacharel em História, mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense e doutor em Ciências pelo Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz. Servidor público da Fundação Oswaldo Cruz desde 2006, integrante do quadro de profissionais da ENSP, vem atuado no campo da saúde coletiva e ambiental, com ênfase nos seguintes temas: processos educativos em saúde; saúde e ambiente amazônicos; movimentos populares urbanos, educação e saúde ambiental. 

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