Redes Sociais conectam ideias e visões de mundo

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Educação: O óbvio começa a ser aceito

“Currículo precisa se adequar à realidade do século 21”, aponta especialista

Se o maior desafio de um país é melhorar a educação, o maior desafio da educação são os sistemas curriculares. Essa é a conclusão a que chegaram os especialistas presentes na mesa sobre política curricular no Seminário de Política Educacional , organizado pelo Instituto Ayrton Senna, na última quinta-feira (24/10).
Para o doutor em educação pela Universidade de Alcalá (Espanha), Eládio Heredero, envolver a comunidade, dotar a escola de autonomia e repensar o currículo a partir das necessidades de cada região são elementos básicos para ampliar a qualidade educacional. “A escola que nós queremos deveria ser um projeto em que todos nós tivéssemos envolvidos. Desde secretários e prefeitos a alunos, professores e famílias”.
No século XX, bastava aprender competências ligadas às áreas de linguagem e matemática. Atualmente, com as tecnologias da informação e um mundo cada vez mais globalizado, o currículo escolar também merece transformações, preparando o estudante para a vida em sociedade.
Habilidades cognitivas x não-cognitivas
Segundo Eládio, um currículo para o século XXI,  é importante que se reúna, em uma mesma base curricular, habilidades cognitivas e não-cognitivas, como o pensamento crítico, a colaboração, a comunicação e a criatividade. Para o professor, até mesmo ao conceito de felicidade poderia fazer parte dos indicadores curriculares. “Conhecimento e valores como a ética, por exemplo, devem estar dentro do mesmo currículo”. professor_material pedagogico_transparente
Para a reitora da Universidade Metropolitana de Santos, Marinês Fine, a escola pode ser um espaço privilegiado para desenvolver as competências não cognitivas. “Embora haja aí um caminho de discussão, estamos falando de características de comportamento dos nossos alunos, que têm na escola um palco privilegiado para serem convidados a pensar e desenvolver valores como disciplina, responsabilidade, sociabilidade, estabilidade emocional, cooperação e aberturas a novas experiências”.
Participação
Para garantir equidade nas escolas, o projeto de educação deve passar por todas as instâncias, fazendo com que todos decidam sobre suas necessidades. O professor espanhol critica ainda os currículos fechados e defende que cada unidade escolar tenha autonomia para tomar decisões , trazendo identidade à escola a partir do local onde ela se encontra.  “Isso significa respeitar a heterogeneidade dos alunos. Todas as nossas salas são heterogêneas, assim como é na sociedade.
A avaliação enquanto instrumento de melhora
Para o professor espanhol, as avaliações devem servir como mecanismos de melhoria para o espaço escolar. “Deve ter uma auto avaliação e reflexão de toda a escola pra desenvolver esse trabalho”, aponta.
A avaliação na Educação Infantil
Para a professora da Universidade de São Paulo (USP), Zilma de Oliveira, o currículo da Educação Infantil deve levar em consideração as habilidades que podem ser exercidas pela criança, baseando-se em atividades práticas em detrimento do modelo disciplinas encontrado no ensino fundamental.
Música e contação de histórias são algumas das práticas que podem fazer parte de um currículo voltado para a criança pequena. A professora aponta que é necessário definir as competências do profissional dessa etapa da educação. “Temos professores, mas eles têm uma cabeça voltada para a criança mais velha”.

Nenhum comentário: