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Dia do Professor

Quem sabe faz, 
quem não sabe ensina
Luciano Alvarenga
Não há frase mais humilhante para um professor do que esta. Está calcada em duas verdades, ambas falsas. A primeira é a de que quem faz, sabe. Se isso fosse verdade não estaríamos vendo prédios caindo; médicos matando em cirurgia; engenheiros calculando estradas, curvas e acessos rodoviários que provocam tantos acidentes como o álcool; psicólogos mais atormentados do que pacientes; advogados que mal sabem falar. A segunda também é falsa, tendo em vista a quantidade imensa de professores que estão ensinando sem nada saberem.
O sentido da frase é esconder o fato real de que o mercado está cheio de maus profissionais, distorcendo a realidade para uma ideia de superioridade da prática sobre a teoria. O único sentido prático dessa afirmação é dizer que os professores são todos ruins, sendo os outros profissionais a princípio bons.  A frase diz que os que sabem fazer, são bons, e os que ensinam nada sabem. Quando na verdade tanto tem muito bons professores ensinando, como os têm também outros tantos profissionais muito ruins fazendo.
Uma sociedade em que o número de analfabetos e analfabetos funcionais é dado estarrecedor, em que durante 450 anos da nossa história a maioria esmagadora da população não sabia ler e escrever, não é de admirar que a situação do professor seja a que conhecemos. Vivemos em uma sociedade que conhecimento, leitura, teoria são tesouros desconhecidos.
É importante o fato de que os professores são os únicos profissionais que, pelo menos os que mais se destacam nesse sentido, estão sempre chamando a atenção para o fato de que são importantes, e são. Não é novidade, entretanto, que também avulta em quantidade aqueles que não dão a menor importância a isso. A pergunta é: são ou não. A resposta é: sim e não.
Seriam importantes caso houvesse uma política e uma cultura social no sentido de criar autonomia e um país forte pela educação. Não são porque não existe uma política e uma cultura social no sentido de libertar as gentes desse imenso país das teias da ignorância onde jazem.
Os professores são profissionais que estão vivendo os últimos tempos de uma profissão. A escola como a conhecemos e a educação que nela se faz, está acabando e não tem mais importância na sociedade em que estamos. Com as mudanças das bases técnicas da sociedade industrial pra sociedade financeira e digital nestas últimas décadas, pouco resta à educação tradicional que todos experimentamos. A escola está abandonada há muito tempo, muito antes de termos nos transformado numa sociedade pós-industrial; mas agora, o fato é que falar em Escola é não falar sobre muito coisa.
O descaso social com a educação e com os professores tem raízes profundas no Brasil e vem da colônia (lembre-se que Portugal proibiu durante quase toda o período colonial que se abrissem escolas e universidades aqui). Depois, já na República, educação nunca foi um eixo central nos projetos nacionais, sendo sempre razão de discursos, mas nunca prática efetiva.
A questão agora é que estamos em uma sociedade pós-industrial, em que essa educação disciplinadora e cheia de regras e conteúdos, que devem ser decorados ou aprendidos de alguma maneira, e que em breve será esquecido, não faz mais sentido. E não é por outro motivo que a Escola se transformou num grande ponto de encontro ou, num cárcere que visa manter presa uma juventude que a sociedade não sabe como lidar.

No dia dos professores, me parece que falamos mais daquilo que o país abriu mão, Educação para a soberania e autonomia, do que propriamente dos professores. Luciano Alvarenga 

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