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Carta de desfiliação do PT do secretário-geral do Sindipetro RJ

Rudá Ricci. 

Reproduzo a carta de desfiliação de Emanuel Cancella pelo fato dela revelar uma depuração constante (ou uma troca de pele) no interior do PT, desde a vitória de Lula, em 2002. O que parece significativo é que saem militantes sociais e o partido fica ilhado às figuras carimbadas do campo institucional.
O que me faz recordar a fala de Enrico, da direção da Democratici di Sinistra que ciceroneava a delegação de filiados da América Latina (da qual eu fazia parte) no último congresso do partido, o 4o, em Florença. Quando chegávamos ao centro de convenções onde ocorria o congresso, Enrico dá uma olhadela para os carros estacionados na entrada. Com um sorriso cínico, olha para nossa delegação e diz: "um congresso de esquerda com tanto carro com chapa branca não é bom sinal". Não era mesmo.
Logo depois, Berlusconi entrava com seu staff no interior do Congresso. Os velhos militantes quase tiveram um ataque cardíaco. Mas o então secretário-geral tomou a palavra e disse que democratas sabem receber seus adversários em sua casa. Bonito discurso. Mas ali, já não era mais a esquerda que falava. Era algo estranho, a tal fusão da DS com a Margherita, de cunho liberal. Deu no PD.
O que ficou na memória foi a frase irônica de Enrico. Com tanta chapa branca, fica difícil estacionar um carrinho de militante, meia boca.

PT: A despedida de Emanuel Cancella, do Sindipetro

publicado em 24 de outubro de 2013 às 8:05

Enviado por Caio Toledo, via e-mail
À Direção Nacional do Partido dos Trabalhadores, PT
C/C À direção Municipal e Estadual do PT do Rio de Janeiro
É com tristeza que me despeço dos companheiros! Durante décadas ajudei a construir o PT. Dediquei grande parte de minha vida ao partido, e o único partido ao qual me filiei. Nunca tive cargo no partido e em nenhuma empresa e governo, como também nunca o desejei. Que fique claro que não tenho nada contra quem ocupa cargos, muito pelo contrário, acho legítimo! O leilão de Libra, para mim, é a gota dagua que faltava para me afastar definitivamente de um partido que, a cada dia, se torna mais entreguista e neoliberal.
O Partido dos Trabalhadores se coloca agora contra uma das principais bandeiras do povo brasileiro, o qual foi para as ruas na década de 40 e 50, na campanha “O petróleo é Nosso!”, a maior campanha cívica que este país conheceu! Continuarei a participar ativamente dos movimentos sindicais e sociais, mas não posso levar nas costas o peso de um partido que tão importante para a organização da classe trabalhadora e a democratização do país, transformando-se hoje num partido burguês, a serviço do grande capital dos patrões e a defender privatizações, com ajuda até do exército, diga-se de passagem.
Como se não bastasse, o PT continua a defender o governador do Rio, Sérgio Cabral, símbolo da corrupção no país, e apóia também o prefeito do Rio, Eduardo Paes. Sérgio Cabral e Eduardo Paes mandaram a PM bater em professores! Não dá para um militante socialista, com o mínimo de dignidade e de compromisso com a classe trabalhadora e a soberania de nosso país, continuar no PT.
Levo saudades de muitos companheiros. Muitos dependem do partido para sobreviver, esqueceram-se da vida e se dedicaram integralmente ao partido e hoje são reféns dessa política. Outros que merecem nosso respeito são aqueles que tentam mudar o partido por dentro. Honestamente, para mim não dá mais! Muitos dirão:” já vai tarde…,..mas ele já não tinha saído do partido?” Com certeza, muitos destes são os grandes culpados pela deterioração das políticas do PT.
Saudações Socialistas,
Rio de Janeiro, 19 de outubro de 2013.
Emanuel J. A. Cancella
Secretário-Geral do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional do Federação Única dos Petroleiro

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