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sábado, 28 de setembro de 2013

Padre virou emprego, paróquia, empresa

Luciano Alvarenga
O Papa esteve no Brasil e surpreendeu. Andou em carro que não era limusine, tomou chuva e pisou no barro onde nem político gosta de ir, deixou o povo chegar perto, tocar, beijar, ver e sentir. O Papa foi embora, mas a Igreja ficou. E sobre ela vamos falar um pouquinho.
É claro que estamos convivendo, os fiéis pelo menos, com outra geração de padres. Mais jovens, menos preparados, mais afoitos, menos carismáticos, mais interesseiros, menos envolvidos, mais preocupados com o dízimo, menos preocupados com a pastoral, mais modernos e abertos, menos fecundos e místicos. Senão todos, muitos. Há exceção, sim.
Nas antigas gerações encontramos também exemplos, às vezes, piores, posto que tenha a seu favor a idade e a experiência em dissimular, enganar e manipular.
Chama a atenção o fato de que virou mania entre os padres, as grandes obras. Todo padre quer deixar uma marca, nenhuma tem a ver com fé, pastoral, mística, mas todas têm a ver com templos enormes, Igrejas novas, salões maiores e tudo em nome da comunidade. Torres que devem ser vistas de todos os pontos da cidade, projetos sociais que devem mudar a cara da juventude, salvar os doentes, Igrejas que caibam milhares de pessoas sentadas e, por ai vai.
E dessa maneira sangram a comunidade com ofertas, dízimos, festas, bingos, rifas, quermesses, e, tudo em nome das grandes obras. Ao mesmo tempo em que condena nos sermões o consumo conspícuo dos fiéis, lhes tiram às bolsas em festinhas, bingos e almoços que não tem fim. Construir, esse é o verbo dos padres. Se o que fazem, fazem pela comunidade ou, em nome de uma marca própria, o que é mais provável, que buscam não se sabe exatamente. Depõe contra os padres sua conhecida vaidade. Vaidade que quase sempre os tornam arrogantes, impetuosos, vingativos e intolerantes.
Enquanto se erguem shoppings por toda a cidade, erguem-se atrás os templos e seus similares. De repente os eclesiásticos foram tomados por uma vocação malufista das obras. Ninguém mais se interessa pelas almas, mas onde alojá-las quando estiverem atormentadas. Padres concorrem com os políticos no afã de conquistar os fiéis, e, o fazem pelos olhos. Quanto mais um padre constrói na sua paróquia, mais influencia fora dela.
A vaidade dos padres não raras vezes, para não dizer quase sempre, os torna alegremente parceiros de políticos sabidamente suspeitos, para não dizer “condenados”, em eleições em que os tais padres testam sua força, reafirmam sua posição e isso tudo aos olhos de fiéis e eleitores que assistem, em muitos casos, atônitos, sermões e homilias de um ano inteiro ser desmentidos em palanques e microfones de pequenas festas. Aliás, quanto mais longe vão às obras de um padre maior é o alcance político que ele atinge. Vereador, deputado e até, governador. Se as obras e os amigos políticos dos padres não andam em coerência com as homílias que pregam, não importa.
Ao conversar com os tais padres, logo fica transparente o despreparo intelectual, a falta de liderança, a vazia espiritualidade, a imaturidade emocional, a confusão entre função e símbolo, enfim, a Igreja está tomada por uma febre executiva.  
Chama a atenção que no momento mesmo em que o discurso papal é desapego, o que estejamos vendo seja o que descrevo. Padre virou emprego, missa se transformou em tarefa e obrigação incontornável, e paróquia uma empresa que precisa dar lucro.
Não estranha que os velhos católicos estejam cansados e os jovens desiludidos, desencantados e desinteressados. Ou na melhor das hipóteses, confundindo Jesus com Genésio e achando os tais padres o máximo. Luciano Alvarenga
PS: A ausência da mulher na administração da Igreja e na participação simbólica com pastora, talvez explique bastante de tudo isso que acima se disse, elém de outras cositas máshttp://www.estadao.com.br/noticias/impresso,papa-fara-reforma--historica-diz-relatorio-,1079962,0.htm









Um comentário:

EDSON COSTA disse...

Um retrato fiel não somente na comunidade católica mais também nas evangélicas.