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sábado, 23 de março de 2013

O sonho do poder: sexo, religião e pedofilia



Não é fácil entender a fuzarca das ideias que toma conta do mundo atual e, acabamos que, ou, nos vemos defendendo coisas que não gostaríamos de estar defendendo ou estamos repudiando estas mesmas coisas pelos motivos errados. Como entender que se defenda ao mesmo tempo a liberação da maconha e, em alguns casos de outras drogas, e ao mesmo tempo sermos todos concordantes com a proibição crescente ao uso do cigarro? Como entender que vivamos num clima de quase completa liberdade sexual e ao mesmo tempo sermos contra o aborto? Ou ainda, como explicar que as pessoas exijam cada vez mais liberdade, mas permitam que o Estado lhe diga quando usar capacete, ou sinto de segurança, ou mesmo que ela não pode educar seus próprios filhos em casa? Nunca se fez tantos discursos e profissão de fé pela felicidade e nunca a sociedade foi tão dependente de fármacos tarja preta como hoje. As mais atuais Escolas pedagógicas defendem fortemente a autonomia da criança e sua força criativa e jamais se conheceu em tempo algum a aplicação em massa de anfitaminas como Ritalina como se vê hoje nas escolas primárias.
Ninguém desconhece o fato de que o Estado dá todas as proteções jurídicas às crianças e adolescentes, o ECA, que é um compêndio imenso de direitos reservados, mas nenhum direito ou prerrogativa garante aos pais autoridade sobre seus filhos. Acaba que o Estado transforma crianças e adolescentes em tiranos, resguardados pelo Estado, e os pais em subsujeitos destituídos de qualquer autoridade. Mas contra a autoridade inexistente dos pais está sempre agindo a polícia jurídica com ações e processos. Os escribas dos discursos seculares, brandidos em alto som, são ágeis em identificar qualquer voz dissonante na massa dos indivíduos os acusando de perseguição, racismo e preconceito ante qualquer movimento afirmando realidades que não sejam as professadas no altar Secular. Chama a atenção, entretanto, a flagrante contradição entre a defesa diuturna que fazem dos seus direitos e a rapidez com que pisoteiam o direito dos outros. A isso se pode afirmar a velocidade com que defendem os índios e sua cultura, que devem mesmo ser defendidos, que eles em quase sua totalidade desconhecem, e a nenhuma disposição de reconhecer a legitimidade da cultura Cristã que eles conhecem e estão inseridos. Defendem os índios em nome da alteridade, e massacram os religiosos em nome da mesma coisa.
O casamento gay só foi possível depois da inoculação por duas ou três décadas de uma cultura permissiva e de aceitação do outro independentemente do que ele pense ou faça. O casamento gay só foi possível depois de termos passado pela cultura do divórcio, antes dela, pela pílula anticoncepcional que separou definitivamente prazer sexual de reprodução. Depois que o prazer deixou de estar associado ao compromisso com o outro, portanto, responsabilidade e maturidade, o prazer deixou de ser uma experiência heterossexual monogâmica e se desterritorializou. Não sendo mais uma parte do compromisso do casamento, pode ser exercido em qualquer situação, com quem quer que seja. Como temos tido conhecimento em documentários de TV e nas mídias em geral, prazeres sexuais são hoje experimentados pelos mais diversos tipos, das mais diversas formas, dos jeitos os mais esquisitos e cada vez ampliando mais as novas modalidades e práticas que deem prazer; acompanhadas, claro, de todo um discurso persuasivo sobre o direito à felicidade sexual contra o quê ninguém tem legitimidade para ser contra. Semanas atrás, depois de a justiça alemã ter proibido a zoofilia, isto é, o sexo com animais, uma manifestação pública na rua trouxe um sem número de gentes bradando seus direitos ao prazer com animais. Um dos casos mais emblemáticos foi o de um homem que contou sua história com uma cadela pastor alemão que lhe acompanhava. http://lucianoalvarenga.blogspot.com.br/2013/02/alemanha-aprova-lei-contra-zoofilia-e.html
Como o zeitgeist é o da ampliação das liberdades, seja elas quais forem, e dos direitos jurídicos que a elas se acoplam, e como temos tido provas diárias é exatamente o que está acontecendo e o que irá acontecer mais e mais, certamente podemos concluir que ao fim dessa trajetória não teremos mais tabus a defender, sendo o próprio termo tabu um convite para que seja quebrado.
Não é estranho, a quem quer que esteja mais ou menos atento, o fato de que a infância vai se transformando numa fábula de tempos passados. Lojas vendendo sutiãs com bojo a meninas de 4, 5 e 6 anos dando a elas selos que não possuem já é comum, salão de beleza para crianças, mais para as meninas é claro, aponta o que se quer delas. Miss Brasil infantil e agora com sua versão Universo; concurso que transforma meninas de 5 anos de idade em modelos de beleza inspirado em cada centímetro nas modelos adultas, completa o sentido dos salões de beleza. A transformação de crianças em consumidores mirins como a publicidade abertamente trata este público, transformando o mais rapidamente possível uma infância que seria ingênua num consumidor sem posses, mas que determina os gastos das famílias americanas, por exemplo, em de 80%; tudo isso é a preparação da sociedade para o que virá depois, a integração da criança na sociedade com todos os direitos reservados a um adulto, posto as dificuldades crescentes de se conseguir distinguir um e outro. http://oglobo.globo.com/revista-da-tv/sucesso-de-publico-massacrado-nos-eua-chegou-honey-boo-boo-renova-debate-sobre-limites-do-reality-7923096
Portanto, se o clima é o das liberdades crescentes, especialmente aquelas ligadas a sexo, sempre ele, se os pais perderam o direito sobre os filhos, que são agora vítimas passivas de um discurso jurídico de teor secular que desconsidera em absoluto suas consequências. Se as crianças, mais ainda as meninas, são inseridas num universo de consumo sexualizado, erótico e voltadas in limine para tornar meninas mulheres consumidoras, não podemos esperar outra coisa, daqui para frente, senão a bandeira da pedofilia ser levantada como algo natural e um direito das crianças.
Se são as crianças consumidoras, se são elas conscientes e inteligentes, independentes de seus pais, que em virtude de tudo já as deixam nas creches há décadas, se é a sociedade liberada, permissiva e sem preconceito e que entende as virtudes e o direito que todos têm de fazer sexo como queiram e quando e onde e com quem, impedir as crianças de acessar quando queiram tais práticas é não reconhecer às crianças o estatuto de sujeito integral e dona de todos os direitos reservados a qualquer outra pessoa de qualquer idade. Se não há infância não existe criança, portanto, quais as razões de lhes negar os direitos sexuais permitidos a qualquer outra pessoa? Aqui será legalizada a pedofilia com a anuência da sociedade que, atônita não terá argumentos para se posicionar de forma contrária.
Esse é o projeto em andamento na sociedade brasileira. Destitua a sociedade de qualquer força baseada em costumes ou regras morais ditadas pela tradição. Retirada a legitimidade do povo, repasse todo o direito discursivo ao Estado que a esta altura já está dominado pelos grupos minoritários com sua agenda secular totalitária. Tudo isso feito em nome dos direitos humanos que para se impor não reconhece os direitos de nada nem de ninguém que não seja apenas e tão somente aqueles que ampliam o secularismo e aumentam o poder jurídico do Estado contra os interesses da sociedade. Aqui não teremos mais uma sociedade baseada em unidades comunitárias e familiares donas do poder de dizer o que acredita e aceita, mas uma sociedade de indivíduos atomizados, distanciados, sem vínculos com o que quer que seja a não ser os discursos seculares que não lhe garante nada, a não ser mais e mais prazeres só conseguidos agora com doses cavalares de antidepressivos ou qualquer outra coisa desse tipo. É o sonho do poder.

2 comentários:

Willes de Toledo disse...

Parabéns pelo texto. É de grande profundidade e visão! Também concordo que a relativização de valores seculares destrói a principal base de toda a sociedade, a família!

Lycia disse...

Admirável Mundo Novo, já dizia Adouls Huxley.