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Goleiro Bruno é a verdade e o ciclista sem braço a realidade



O golero Bruno foi participe de um crime onde sua namorada foi morta, esquartejada e jogada aos cães. Tempo de cadeia, 6 anos, sendo que três ele já cumpriu enquanto esperava o julgamento. A condenação, que mais parece apenas um castigozinho por pecadilhos menores, se deve em função de ser réu primário, como se nunca ter cometido um crime fosse uma vantagem adicional para se cometer o primeiro e, o fato de que na cadeia, nestes três anos, teve bom comportamento. Ou seja, bom comportamento na cadeia redime do comportamento homicida em liberdade.
Na mesma semana um jovem de 22 anos, universitário, com o carro do pai ao voltar da balada atropelou e arrancou o braço de um ciclista, de 21 anos que ia ao trabalho, na Avenida Paulista em São Paulo. Atropelou, arrancou o membro do jovem, não prestou socorro, fugiu da cena do acidente, jogou o braço num córrego qualquer e sumiu. Aliás, o sem-braço assim ficará porque o reimplante que seria possível não é mais pelo fato do braço ter sido jogado fora.
Não surpreenderá se o flamengo, ou um time qualquer, recontratar o goleiro Bruno daqui a três anos e tão logo isso aconteça ele apareça dando entrevista no Globo Esporte sobre sua bela atuação no jogo daquela noite. Não surpreenderá também se os pais do garoto universi-otário aparecer dando todo apoio possível ao filho delinquente acusando o ciclista de irresponsabilidade por andar de bicicleta numa cidade como São Paulo.
Estes fatos são dois entre milhares. O Estado e seus intelectuais entre aspas, siliconados pela mídia, transtornaram nestas últimas décadas toda ordem de valor sobre os quais se assentavam a sociedade e sua gente. As crianças, resguardadas pelo alucinante ECA, tem mais poder sobre si mesmas e sobre seus pais do que estes sobre elas. Os adolescentes ainda que biológica e fisicamente adultos são tratados como débeis mentais e impedidos de qualquer coisa que seja uma vida produtiva; ainda que bebam , transem, matem, façam o que bem entendam.
Os adultos que até um tempo atrás não tinham medo de dizer seu nome nem de afirmar as razões de suas crenças, hoje se amesquinharam ante uma horda de idiotas e idiotices cada uma superando a anterior, e, por carência, insegurança e incapacidade cognitiva repetem, como locutor de aeroporto, toda ordem de novas esquisitices e comportamentos desviantes que surjam. Com o Estado e sua legião de intelectuais entre aspas ditando as novas normais, que mais estupefatas e idiotas que sejam, são reafirmadas por todos e, os pais, inseguros e imaturos para se afirmarem, adotam como juridicamente correto aquilo que a tradição e a inteligência popular secular sempre teve como errado, só pode resultar em situações como estas toldadas neste texto. O criminoso estará livre em três anos, ainda que tenha matado, esquartejado e jogado o corpo aos cães, e o jovenzinho, inocente, “uma criança ainda”, aguarda pra ver o que lhe acontecerá agora que se entregou.
A sociedade - que se perdeu completamente de suas funções, esperando que o Estado e a mídia, sua porta voz, lhe diga o que fazer - começou uma campanha para comprar um braço mecânico ao rapaz sem braço. O braço mecânico é aqui a única e mais significativa coisa que uma sociedade imatura e dominada completamente pelo Ethos infantilista pode fazer por alguém que foi vítima de uma serie de crimes. Não se estranhará se o rapaz começar a galgar a fama por consequência da tragédia, afinal, tudo é espetáculo. Não estranhe mais ainda se ele mesmo concluir que a tragédia foi uma benção dada o quanto de coisas que passou a ganhar e o tanto de espaço midiático que conseguiu depois disso. Já que nada se pode fazer contra uma cultura juvenil irresponsável, elevada ao suprassumo da existência e, um público adulto atônito diante daquilo tudo que ele quando esboça alguma reação é apenas para concordar, nada há a fazer senão dar um braço de fibra de vidro a alguém que até a noite anterior possuía o seu natural. Luciano Alvarenga

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