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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Sábado a tarde: a realidade das pessoas


Luciano Alvarenga
Cena 1. Cadê o pai?
Uma mulher jovem, seu filho de dois anos, os pais dela. Todos riem, brincam e se entretém em torno do garoto numa tarde de sábado. Cadê o pai? O pai é uma figura que costumava fazer parte do cenário familiar, não existe mais e se pode ser encontrado nos manuais de Antropologia.
Cena 2. Mulher em roupa de adolescente
Entra a mulher, o marido e a filha de 5 anos. A menina com uma chupeta na boca  anda pelo estabelecimento. A mãe, que se esqueceu que não é mais adolescente em sábado a noite, desfila numa roupa e maquiagem que sugere que o que ela pretende nada dialoga com o fato de que é mãe e está com sua filha numa padaria. O marido, arrastando toda a crise do masculino na atualidade, apenas se esgueira atrás da mulher deixando evidente que ele não é um pólo na relação, mas apenas apêndice sem função na família. A menina, de 5 anos, percebendo que a mãe não saiu da adolescência e, portanto, não está nem ai com ela, e o pai incapaz de tomar uma decisão sobre si mesmo e sua mulher, só deixa a menina como opção se encastelar numa chupeta que já deveria ter sido tirado dela a pelo menos 3 anos.
Cena 3. A mulher e seu marido na livraria.
A mulher entra quase altiva no espaço entre as prateleiras, olha como alguém que procura alguma coisa. Atrás dela, como um filho na pré adolescência, segue inseguro o marido. Caminhando minutos sem fim atrás da mulher, que vez ou outra olha um livro ou pergunta algo ao atendente, sempre sob os olhares amedrontados e infantis do marido, segue a triste figura preocupado com os olhares que outros homens por ventura lancem sobre ela.

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