Pular para o conteúdo principal

Sábado a tarde: a realidade das pessoas


Luciano Alvarenga
Cena 1. Cadê o pai?
Uma mulher jovem, seu filho de dois anos, os pais dela. Todos riem, brincam e se entretém em torno do garoto numa tarde de sábado. Cadê o pai? O pai é uma figura que costumava fazer parte do cenário familiar, não existe mais e se pode ser encontrado nos manuais de Antropologia.
Cena 2. Mulher em roupa de adolescente
Entra a mulher, o marido e a filha de 5 anos. A menina com uma chupeta na boca  anda pelo estabelecimento. A mãe, que se esqueceu que não é mais adolescente em sábado a noite, desfila numa roupa e maquiagem que sugere que o que ela pretende nada dialoga com o fato de que é mãe e está com sua filha numa padaria. O marido, arrastando toda a crise do masculino na atualidade, apenas se esgueira atrás da mulher deixando evidente que ele não é um pólo na relação, mas apenas apêndice sem função na família. A menina, de 5 anos, percebendo que a mãe não saiu da adolescência e, portanto, não está nem ai com ela, e o pai incapaz de tomar uma decisão sobre si mesmo e sua mulher, só deixa a menina como opção se encastelar numa chupeta que já deveria ter sido tirado dela a pelo menos 3 anos.
Cena 3. A mulher e seu marido na livraria.
A mulher entra quase altiva no espaço entre as prateleiras, olha como alguém que procura alguma coisa. Atrás dela, como um filho na pré adolescência, segue inseguro o marido. Caminhando minutos sem fim atrás da mulher, que vez ou outra olha um livro ou pergunta algo ao atendente, sempre sob os olhares amedrontados e infantis do marido, segue a triste figura preocupado com os olhares que outros homens por ventura lancem sobre ela.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Sem chão nem utopia

Luciano Alvarenga A grande promessa da modernidade foi oferecer liberdade contra tudo e qualquer coisa que pudesse impedir os indivíduos de fruírem a vida sem amarras. Podemos dizer que, tal liberdade foi conquistada plenamente, e ainda que alguns resquícios de passado, com suas imposições e limites ainda resistam, derretem rapidamente nesse momento; não deixando atrás de si nada que possa servir como estandarte pra novas rebeliões. Não há contra o quê se rebelar. Todos os sólidos do passado, seja moral ou secular, estão liquefeitos; ao indivíduo resta apenas o destino de se guiar, tendo a si mesmo como referência. Ao mesmo tempo em que goza de todas as liberdades, vividas ou sonhadas, realizadas ou posta como possibilidade, o que se desenha nas pegadas daquele indivíduo é o medo, o receio, a insegurança, a incerteza em relação a si mesmo e aos seus destinos possíveis. A própria ideia de destino nada mais é que uma imagem, uma ilusão de quem ainda pensa que se guia de acordo com alguma r…