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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Pós Bento XVI


O cardeal Angelo Scola contra os sul-americanos

A direção de Ratzinger foi precisa. Dar duas semanas de tempo antes da sua saída de cena para que o catolicismo mundial possa absorver a grande novidade e deixar, a partir o dia 1º de março, uma dezena de dias à disposição dos cardeais-eleitores para que, em Roma, troquem-se ideias para identificar a plataforma programática do próximo pontificado. "Identidade e tradição" era a palavra-chave do núcleo conservador ibérico e latino-americano, que em 2005 levou à vitória o cardeal Ratzinger.

A reportagem é de Marco Politi, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 12-02-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A nova eleição ocorre em um momento de notáveis disparidades nas análises dos "príncipes da Igreja", que se reunirão naCapela Sistina. De um lado, há um grande grupo que teme o "tsunami da secularização", e, de outro, há uma fileira ainda dificilmente quantificável, que sente a necessidade de uma nova relação com o mundo contemporâneo e a urgência de reformas na organização e no modo de proceder da Igreja. 

No meio, como sempre, uma área que ainda busca se orientar. Nomes de papáveis já circulavam no ano passado, enquanto se aprofundava a crise do pontificado, mas a decisão do Papa Ratzinger surpreendeu a todos e força agora os grupos de pressão ou de "proposta" a acelerar a tessitura dos contatos necessários para levar um candidato.

Os cardeais italianos representam ainda um forte componente do conclave, e certamente a figura de referência – não de hoje – é a do arcebispo de Milão, cardeal Angelo Scola. É conhecido como ótimo organizador, homem de cultura, atento aos problemas sociais (é forte o seu compromisso com as famílias pobres das dioceses) e comprometido com o diálogo com o Islã e as culturas asiáticas. 

No entanto, é bastante forte entre os cardeais "estrangeiros" a intenção de prosseguir a internacionalização do papado. E, portanto, depois do polonês Wojtyla e do alemão Ratzinger, abre espaço a hipótese de levar em consideração um papa não europeu. 

Na primeira fila – segundo essa perspectiva – está o cardeal canadense Marc Ouellet, de 68 anos, prefeito da Congregação para os Bispos. Ele tem muitas cartas a seu favor: conhece a máquina da Cúria, conhece os problemas das dioceses do mundo, teve uma experiência pastoral importante como arcebispo do Quebec e trabalhou várias vezes na América Latina, continente-chave do catolicismo mundial. 

Da América Latina, que hospeda quase a metade dos católicos do globo, outros candidatos estão destinados a emergir nas próximas semanas, porque ainda no conclave de 2005 o único concorrente de destaque do cardeal Ratzinger era justamente um latino-americano: o argentino Jorge Maria Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, personalidade dotada de uma forte espiritualidade, mas também moderadamente disponível para realizar reformas. Mesmo nesta vigília o seu nome aparece. 

Mas há também outros dois papáveis da América do Sul. O hondurenho Oscar Maradiaga, dinâmico presidente da Caritas Internationalis, homem de notável carisma humano e de grande abertura para os problemas sociais, é há anos o ídolo daqueles que gostariam de um pontífice próximo dos problemas dos católicos do dia a dia, mas o fato de o seu nome concorrer há anos nem sempre ajuda no Vaticano.

Outro possível forasteiro é o brasileiro João Braz de Avis, atual prefeito da Congregação para os Religiosos, uma personalidade humilde, com um forte caráter pastoral, que fisicamente, por imediaticidade e simplicidade, lembra o Papa João XXIII

Mas, no entanto, este será um conclave das surpresas.

Tudo ainda está muito fluido. Ao contrário de 2005, não há um "candidato forte", na primeira posição, que já goze de um bom pacote de consensos, a priori, como aconteceu com o cardeal Ratzinger. Mas, diferentemente dos conclaves de 1978 (que elegeram João Paulo I e o Papa Wojtyla), também não se desenvolveu nestes anos um debate aberto sobre os problemas da Igreja. Por isso, com relação a muitos candidatos ou aspirantes papáveis, não é fácil adivinhar até que ponto eles estão dispostos a reformas. 

Os jogos estão realmente em aberto. Pode despontar um húngaro como o cardeal Peter Erdő, presidente dos episcopados católicos europeus, ou o norte-americano Seán O'Malley, o frei capuchinho que limpou a diocese de Boston depois do escândalo dos abusos sexuais. 

Mas a verdadeira surpresa seria o "papa negro": o cardeal ganense Peter Turkson, favorito segundo as casas de apostas britânicas.
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/517551-o-cardeal-angelo-scola-contra-os-sul-americanos

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