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domingo, 13 de janeiro de 2013

O SOM AO REDOR


O MELHOR DE
O SOM AO REDOR

Kléber Mendonça fez o melhor filme sobre o Brasil desde tempos imemoriais

Ajuda a imprimir a incômoda verossimilhança a fotografia limpa de Pedro Sotero.

O filme “O Som ao Redor”, do cineasta pernambucano Kléber Mendonça Filho, é o melhor filme sobre o Brasil desde tempos imemoriais.

Uma produção de R$ 2 milhões, rodada no apartamento do diretor, na rua Setúbal, na praia de Boa Viagem, em Recife,  só tem um ator conhecido: o excelente Irandhir Santos, do malfadado “Tropa de Elite – II” (tão sinistro quando o “I”).

O melhor é o Kléber.

Sutil, delicado, inteligente, mordaz, mortal como um golpe de peixeira.

Diretor e autor de um roteiro tão bem feito que lembra o melhor do cinema argentino.

O Som ao Redor é verdadeiro.

É tudo verdade.

Ninguém é falso, nenhuma situação fica fora de propósito.

Ajuda a imprimir a incômoda verossimilhança a fotografia limpa de Pedro Sotero.

Não tem concessões medíocres: não foi feito para um video-show vespertino.

O que é o melhor do Som ao redor ?

É que foi feito em Pernambuco.

Que saiu barato.

Que não tem nada a ver com esse círculo de ferro Globo- diretores publicitários que tanto pode fazer um filme em  Toronto quanto em Hollywood ou em Adis-Abeba.

Fica tudo lindo ! E igual ! E falso !

Uma homogeinização – que o Vladimir Safatle já denunciou – e que a Lei Rouanet e o Ministerio da Cultura reproduzem como cúmplices.

Kléber é a prova da vitalidade desse movimento de fuga do centro.

É a nova fronteira da cultura brasileira.

Em que os filhos vingadores se encontram com o usineiro de Fogo Morto.

Em que a classe média racista não resiste a 15′ de uma reunião de condomínio.

A Globo sufocou a cultura brasileira.

Cadê a dramaturgia ? Cadê o Plínio Marcos ?

Cadê a cinematografia ? Cadê o Nelson ?

Fernanda Montenegro faz uma ponta em novela.

Adriana Esteves, que podia ser uma das filhas do rei Lear, torna-se uma histérica rodriguiana.

Com Kléber, a cinematografia genuinamente brasileira deu uma banana para a rua Lopes Quintas e se instalou na rua Setúbal.

Onde se recomenda não cair no mar, por causa dos tubarões.

Veja o trailer oficial do filme:

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