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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Jornalismo: o jogo político econômico das empresas de noticias


Luciano Alvarenga

O que se vê mundo a fora é a denuncia de que imprensa e institutos de pesquisa eleitoral estão mancomunados na construção de uma realidade eleitoral que atenda seus prévios interesses. Há tempos que se discutem os interesses conflitantes entre Redação e comercial/empresa dentro de um jornal.
Até certo tempo atrás, pelo menos até os anos 1990 no Brasil, a Redação estava protegida dos interesses comerciais da empresa, tendo liberdade para construir seu editorial e mesmo permitir que os jornalistas fizessem jornalismo baseado na busca da verdade.
Este tempo é apenas lembrança hoje. O que se vê é que a Redação está completamente dominada pelos interesses comerciais da empresa e que aquilo que se veicula no jornal não deve de maneira alguma interferir muito menos ferir os interesses econômicos da empresa de noticias. O que temos então não é mais um jornal, seja impresso, ou eletrônico, o que temos é um ramal noticioso de uma empresa com múltiplos interesses econômicos que usa a mídia como apoio de seus interesses financeiros e políticos (aqui).
O que a sociedade tem diante de si não é mais uma imprensa preocupada em buscar a verdade e trazer o melhor ângulo da noticia. Mas uma imprensa que na verdade é apenas uma interface de uma grande empresa com interesses econômicos e políticos e que ela atende manipulando o noticiário de acordo com vontades e orientações que em nada dialogam com jornalismo sério e imparcial. (aqui)
As pesquisas de opinião, que em época eleitoral abundam pelo país, é apenas uma face bastante clara do fenômeno acima mencionado. Tendo em vista que do ponto de vista econômico e político o que importa não é a verdade, mas apenas que a pesquisa diga o que seus contratantes querem, o que temos é que as pesquisas não apontam mais a realidade eleitoral do momento, mas que indiquem a realidade eleitoral que se quer que acredite ser a verdade naquele momento.
Em melhores termos, as pesquisas não são feitas para que demonstrem a tendência do eleitorado, mas ao contrário, que afirmem o que se quer que o eleitorado faça. Mas é apenas quando tais pesquisas são veiculadas pela imprensa como verdades matemáticas, é que elas atingem seu objetivo. Tornam fatos consumados o que na verdade são realidades falsas arquitetadas nos bastidores de campanha. A mídia de noticia com seus múltiplos interesses políticos e econômicos serve como verniz de verdade a realidades falsas que tem como fim ludibriar o eleitor. É por essas e outras que cresce a credibilidade de blogs e sites independentes na mesma medida em que a mídia tradicional perde leitores e assinantes.
Por fim, não é demais afirmar que grandes jornais e canais nacionais e regionais operam na contramão da democracia à medida que mais preocupados com a manutenção de seu poder econômico e influência política do que com o desenvolvimento e maturação do processo democrático sempre renovado no andamento das eleições. As eleições viraram um negócio importante demais para ficar nas mãos do eleitor. 

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