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Rio Preto: uma leitura do ano de 2012


2012 vai rapidamente acabando em Rio Preto

Luciano Alvarenga
O ano vai terminando e este é momento bastante oportuno para uma olhadela geral do que se passou em 2012 em Rio Preto.
Em primeiro lugar, um silêncio sepulcral dos antes candidatos a prefeito no pós-eleição. Eu disse em texto, dois meses atrás (clique), que a ausência destes candidatos, nos quatro anos de administração do prefeito, explicava em alguma medida a vitória contundente do Valdomiro. O silêncio após a eleição indica como as coisas continuarão.
O Edinho sumiu completamente e tenho a impressão que é o grande derrotado político desta eleição. Parte significativa de seu eleitorado migrou para o Valdomiro, outra parte ressentiu-se com sua ausência na eleição e seu apoio ao PT. Apoio que não teve nenhuma importância eleitoral e também trouxe prejuízos ao capital político do petista.
Marco Rillo tinha razão, o PT deveria ter apoiado o Mané na campanha e preservado o deputado João Paulo Rillo para circunstâncias futuras mais promissoras e plausíveis. Ganhou a insistência de ser candidato do Deputado petista. Rillo, o moço, leu mal o contexto político de 2012 e confundiu com o que havia acontecido em 2008.
O professor Manuel Antunes pela quantidade de votos que teve sinaliza para o fato de que não tem mais um eleitorado cativo, que ao que tudo indica migrou para o prefeito. Valdomiro sugou o eleitorado do Mané e do Edinho. Eleitorados estes que se deixaram guiar por novas expectativas.
O prefeito termina o ano bem. Ganhou a eleição e ganhou convincentemente. Envolvido em tudo o que é investigação, processos e suspeitas que sabe deus onde pode terminar, o fato é que apenas as forças ligadas ao prefeito podem lhe trazer alguma surpresa ruim. Sendo pouco provável que uma oposição que perdeu em primeiro turno tenha força para alguma coisa. Nem sei, aliás, se tem interesse nisso. Não teve antes, terá menos agora.
Da Câmara nova pode se esperar uma fogueira das vaidades. Provavelmente não será muito melhor do que a anterior, apenas menos mesquinha, mas continuará servil aos interesses do Executivo. As trocas de ofensas e chutes nas portas já indica o caminho que as coisas podem tomar. Chama a atenção como as “virtudes” da botina sobrevivem e retornam impedindo que as coisas ganhem melhores contornos.
A imprensa provavelmente irá encontrar um mote para se dedicar a partir do ano que vem, é pouco provável, entretanto, que encontre uma fonte caudalosa de manchetes como o foi o “pequeno”. Mas certamente que o Legislativo continuará sendo o locus central de ação do jornalismo local.
O segundo mandato do Valdomiro será modorrento, sem obras, sem reeleição, sem adversários - externos - interessados em derrubá-lo, teremos uma infindável quantidade de problemas se desenrolando pela cidade sem merecer qualquer tipo de atenção ou explicação do prefeito.
Os arroubos de indignação com a imoralidade pública perderam a força diante dos mais de cem mil votos do prefeito. A impressão que fica, correta, é que pouco pode ser feito diante do poder econômico e político dos políticos, especialmente do Prefeito. Como a indignação da opinião pública letrada não anda em compasso com as necessidades diretas e objetivas das maiorias que votam e elegem, eis que as vozes se dignaram a umas frases aqui outra acolá nas redes sociais.  Para muitos ainda é incompreensível às razões e os porquês do povo votar como vota.
Uma coisa me parece clara. Valdomiro não é uma fraude eleitoral, ele é o que Rio Preto em sua maioria e em todos os extratos quer.
Ainda que a cidade tenha ficado cheia de obras, tenho a impressão que Rio Preto ficará parada no tempo e no espaço por oito anos, talvez mais. Continua sem projeto estrutural para este novo século.
Enfim, Rio Preto continua uma ótima cidade do século XX, o que não é pouco tendo em vista a situação geral das cidades brasileiras. Luciano Alvarenga, Sociólogo

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