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Manipulação das notícias



Manual para entender a manipulação de notícias

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Independentemente de motivações políticas, ideológicas ou meramente de mercados, existem consensos sobre alguns aspectos tanto do jornalismo quanto da investigação criminal:
1. Jornalismo declaratório - aquele que se baseia apenas nas declarações de fontes - é lixo. É o mesmo que publicar a pauta. Em qualquer jornalismo sério, feclarações de fontes servem como ponto de partida para investigações. Depois, tem que embasar a reportagem em documentos, provas  substantivas. Tanto assim, que na maior reportagem investigativa do século passado, Watergate, declarações de fontes, antes de serem utilizadas, eram checadas com pelo menos duas outras fontes. No máximo, aceitam-se declarações de fontes de ilibada reputação. Nenhum jornal sério de país desenvolvido abriria manchetes com o tal depoimento de Marcos Valério.
2. Jornalismo declaratório de fonte em off é o lixo do lixo. Isso é do conhecimento de qualquer aluno de curso de jornalismo. Nenhum jornal sério do mundo se vale desse recurso. Indague de qualquer professor de jornalismo ou jornalista experiente, qual o primeiro indício de jornalismo sem seriedade e eles responderão: praticar jornalismo declaratório em cima de fontes em off.
3. Jornalismo declaratório de fonte em off, com informações inverossímeis, só é aproveitado por tablóides. Típico episódio é a história dos dólares cubanos que teriam sido mandados para a sede do PT em São Paulo dentro de garrafas de aguardente - um dos "furos" que Carlinhos Cachoeira passou para Veja.
4. O jogo do junta os pontos. No meu livro "O jornalismo dos anos 90" relato inúmeras jogadas de "esquentamento" ou de manipulação de reportagens. Junte alguns pontos verdadeiros (por exemplo, Rosemary Noronha adquiriu um apartamento no endereço ypisilone, de valor xis, do fulano de tal). Em cima disso, junte uma declaração de fonte em off e preencha os pontos de acordo com o desenho que quiser dar.
Aí vai para vocês o PDF do livro - lançado em 2002 em cima de colunas escritas nos anos 90. Especialmente o capítulo que explica as diversas formas de manipulação da notícia.

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