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Desigualdade de Renda: cultura de pobre e cultura de classe média e alta 2


Luciano Alvarenga
Disse ontem que a disparidade de renda resulta no Brasil resulta num pais dividido em dois, um com cultura de pobre, e outro com cultura de classe média alta.
Essa divisão explica por que uns se dão bem, a minoria, e a maioria continua vivendo sua vida dura de sempre.
É aqui que a ideia de mérito no Brasil é uma fraude, uma mentira, uma ficção. Não existe mérito no Brasil simplesmente por que aqueles que serão escolhidos pelo “mérito” já foram escolhidos desde o nascimento.
Uma pessoa que tenha vindo de uma família de classe media alta, recebeu desde o nascimento toda a formação cultural e emocional de que precisará durante a vida. Aprendeu em casa, muito antes de ir à escola, por meio de seus familiares a ter disciplina, autocontrole, método. Além, claro de todo um equipamento emocional via afeto familiar.
Isso significa que essa criança ao chegar a escola já chega mais preparada, mais completa que aquela que vem de família pobre. Essa pela falta de afeto, pai, carinho, cuidado e tudo o mais, tem uma enorme defasagem de aprendizagem, incapacidade de ter disciplina, não consegue ter foco, é descomprometida, rebelde, na maioria dos casos em função de desestrutura familiar.
Mérito à quem? A criança pobre na escola não consegue evoluir pela simples razão de que lhe falta estofo familiar necessário para que na escola o aprendizado seja um desdobramento técnico de suas habilidades inatas.
O acento que as elites dão a ideia de mérito, favorece os da classe media alta. É por isso que pobre não consegue os melhores empregos, os melhores cargos, as melhores posições, simplesmente por que as condições em que ele começa a vida são muito piores do que aquelas oferecidas a quem é rico.
Nesse sentido que o grande problema no Brasil é distribuição de renda. Não adianta oferecer escolas melhores aos pobres, se sua vida familiar continua materialmente precária e emocionalmente uma tragédia.
Exatamente por isso que as cotas estão fadadas ao fracasso, como aliás ocorreu nos Estados Unidos, elas colocam os pobres em melhores posições artificialmente, e apenas uma pequena parte deles. Sem mudar a essência do problema, que é uns poucos terem muito e muitos terem muito pouco.

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