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domingo, 2 de dezembro de 2012

Desigualdade de Renda: cultura de pobre e cultura de classe média e alta


Luciano Alvarenga 
Disse na sexta feira que a imensa e pornográfica disparidade de renda no Brasil é que explica o nível de pobreza entre a maior parte da população brasileira.
E que esse fato, mais que a tragédia que é a qualidade da educação, é que evidencia qual é o nosso grande problema.
Quais as consequências para a imensa maioria da população essa disparidade? Em primeiro lugar o fato de que existe no Brasil uma cultura de classe média alta e outra de pobre e aqui está um dado extremamente importante sobre essa questão.
Ora uma pessoa que cresça numa família de classe alta terá acesso por consequência a todo o aparato econômico possível a ela e por extensão as benesses e oportunidades de conhecer tudo do mundo em que vive em função disso. Pessoas, lugares, experiências e certamente não terá que lutar, mas sim administrar a riqueza que já possui e que herderá.
No caso dos filhos da classe média o mais importante elemento é o acesso à cultura, marca fundamental nos tempos atuais. Ou seja, desde cedo a criança cresce vendo o pai lendo jornal, a mãe lendo romance, os tios falando inglês fluentemente, o irmão mais velho ensinando os segredos de computador via jogos e internet.
Esse aprendizado vai acontecendo naturalmente, inconscientemente, se desenvolve intra familiarmente. Quando chega na juventude o que temos é um jovem disciplinado, com capacidade de concentração e esforço, que entende o significado de tudo isso e sua importância na vida futura dele. E claro, o fato de ter sido amado, cuidado e vivido num ninho familiar explica por que será um adulto mais moderado, equilibrado, com auto estima, capacidade de suportar pressão e momentos difíceis, com amor próprio e isso por que desde cedo recebeu estes sentimentos dentro da família.
O mesmo não ocorre com as crianças que crescem em famílias pobres. Desde cedo à criança é exposta a todo tipo de privação, em grande parte das vezes inclusive de pai e mãe. Cresce sem cuidado, sem uma referência de autoridade e, portanto, sem conhecer o lado impeditivo da autoridade, mas também sem conhecer a proteção; sem amor e carinho e, portanto, as pré condições emocionais para se tornar um adulto seguro com auto estima e amor próprio. Quem não foi amado na infância não pode se amar quando adulto.
Temos um quadro então que é o fato de que a criança de classe média e alta chega à idade escolar já muito mais adiantada e com um aparato de conhecimento emocional e cultural que a criança pobre nunca viu e provavelmente não verá.
Por que a gente sempre houve aquela história, “o que aconteceu com aquela pessoa, tão inteligente, esforçado, de repente se perdeu”. 

Um comentário:

Fábio disse...

Oi Luciano, de fato existe, em muitos aspectos, abismos culturais que saparam as classes sociais. Nao sei se concordo que os mais ricos recebem mais afeto... o que tenho visto é que eles tem recebido o afeto que a babá ou a professora lhe dao... mas concordo que um bom nivel de educaçao, cultura, autoestima, senso de direitos e iniciativas, capacidades de planejar e sonhar a vida e tantas coisas mais, sao luxo de uma minoria. Entendo ser um dever moral dessa minoria democratizar essas oportunidades para todas as classes mais pobres.