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Desigualdade de Renda: cultura de pobre e cultura de classe média e alta


Luciano Alvarenga 
Disse na sexta feira que a imensa e pornográfica disparidade de renda no Brasil é que explica o nível de pobreza entre a maior parte da população brasileira.
E que esse fato, mais que a tragédia que é a qualidade da educação, é que evidencia qual é o nosso grande problema.
Quais as consequências para a imensa maioria da população essa disparidade? Em primeiro lugar o fato de que existe no Brasil uma cultura de classe média alta e outra de pobre e aqui está um dado extremamente importante sobre essa questão.
Ora uma pessoa que cresça numa família de classe alta terá acesso por consequência a todo o aparato econômico possível a ela e por extensão as benesses e oportunidades de conhecer tudo do mundo em que vive em função disso. Pessoas, lugares, experiências e certamente não terá que lutar, mas sim administrar a riqueza que já possui e que herderá.
No caso dos filhos da classe média o mais importante elemento é o acesso à cultura, marca fundamental nos tempos atuais. Ou seja, desde cedo a criança cresce vendo o pai lendo jornal, a mãe lendo romance, os tios falando inglês fluentemente, o irmão mais velho ensinando os segredos de computador via jogos e internet.
Esse aprendizado vai acontecendo naturalmente, inconscientemente, se desenvolve intra familiarmente. Quando chega na juventude o que temos é um jovem disciplinado, com capacidade de concentração e esforço, que entende o significado de tudo isso e sua importância na vida futura dele. E claro, o fato de ter sido amado, cuidado e vivido num ninho familiar explica por que será um adulto mais moderado, equilibrado, com auto estima, capacidade de suportar pressão e momentos difíceis, com amor próprio e isso por que desde cedo recebeu estes sentimentos dentro da família.
O mesmo não ocorre com as crianças que crescem em famílias pobres. Desde cedo à criança é exposta a todo tipo de privação, em grande parte das vezes inclusive de pai e mãe. Cresce sem cuidado, sem uma referência de autoridade e, portanto, sem conhecer o lado impeditivo da autoridade, mas também sem conhecer a proteção; sem amor e carinho e, portanto, as pré condições emocionais para se tornar um adulto seguro com auto estima e amor próprio. Quem não foi amado na infância não pode se amar quando adulto.
Temos um quadro então que é o fato de que a criança de classe média e alta chega à idade escolar já muito mais adiantada e com um aparato de conhecimento emocional e cultural que a criança pobre nunca viu e provavelmente não verá.
Por que a gente sempre houve aquela história, “o que aconteceu com aquela pessoa, tão inteligente, esforçado, de repente se perdeu”. 

Comentários

Fábio disse…
Oi Luciano, de fato existe, em muitos aspectos, abismos culturais que saparam as classes sociais. Nao sei se concordo que os mais ricos recebem mais afeto... o que tenho visto é que eles tem recebido o afeto que a babá ou a professora lhe dao... mas concordo que um bom nivel de educaçao, cultura, autoestima, senso de direitos e iniciativas, capacidades de planejar e sonhar a vida e tantas coisas mais, sao luxo de uma minoria. Entendo ser um dever moral dessa minoria democratizar essas oportunidades para todas as classes mais pobres.

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