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Desigualdade de renda condena o pobre à cultura do fracasso


Luciano Alvarenga
Não sei se consegui me fazer entender esta semana a respeito do tema desigualdade de renda e cultura de classe média/alta e cultura de pobre, e como esta diferença explica por que uns conseguem mais facilmente se desenvolverem e se realizarem na vida e outros não.
Mas eu gostaria de permanecer nesse tema mais um pouco. É comum a impressão ou mesmo uma certa crença de que no fundo os pobres ainda que sejam pobres, aproveitam mais a vida, se divertem e tem menos preocupações que os de outras classes sociais. A ideia de samba, pagode, cerveja e mulatas em torno da mesa é uma imagem cristalizada à respeito dessa ideia de felicidade dos pobres. Isso é um engodo
É claro que o prazer, a curtição é um aspecto importante da vida e precisamos dele para que vivamos bem, mas e quando não se consegue viver a vida de outra maneira que não preso as contingencias do prazer ou daquilo que se imagina ser um prazer. 
O que temos não é prazer, mas uma incapacidade para viver uma vida mais complexa do que apenas curtir. Aqui que o ceio familiar é fundamental no que irá acontecer na vida de uma pessoa até o fim de sua vida. Se, filho de uma família equilibrada, estruturada, equipada, que consegue entender a importância do presente na realização do futuro ou, o principio de que a maneira como vivemos o hoje é que define o amanhã, teremos então uma pessoa que aprenderá, em casa em primeiro lugar, todos os elementos de que precisará mais tarde para ter sucesso escolar e certamente estará munida de todo o equipamento emocional, conseguido na família, e intelectual conseguido na escola, para viver uma vida plena e realizada.
E quando não se tem esta família? E quando não se tem estas condições materiais?
Teremos na maioria esmagadora dos casos pessoas que não conseguem mudar suas vidas. Vivendo mal, e sempre fazendo as mesmas coisas que as impede de melhorarem. Isso por que o software psíquico familiar em que ela recebe por meio da convivência, do amor, da presença, da estrutura material, do carinho e da segurança que uma família estruturada pode dar, ela não teve. Como construir uma vida adulta equilibrada e plena se nunca aprendi o que seja isso nem tive acesso a estas referências? 
Ora, todo mundo sabe o que significa não ter estudado, todo mudo sabe o que significa não ter estudado mais. Todo mundo já percebeu como faz falta não ter disciplina para se dedicar ao aprendizado de um idioma. Todo mundo já pagou o preço de não conseguir se controlar emocionalmente; todos já vivemos as tristezas de sempre estarmos envolvidos amorosamente exatamente com quem não devíamos.
Aonde vocês acham que aprendemos essas coisas? De onde vocês imaginam que surge a capacidade e a disciplina para estudar? De onde vocês imaginam veem a certeza de que conseguiremos aprender mais um idioma? Ou, onde aprendemos a controlar nossas emoções e desejos, estas mesmas que muitas vezes transformam nossas vidas num inferno?
Tudo isso é vem de uma família estruturada materialmente, equilibrada emocionalmente e intelectualmente preparada.  
É por isso que os filhos da classe média alta conseguem na maior parte dos casos acesso aos bens materiais e culturais da sociedade ao contrário dos filhos dos pobres. Estes presos num ambiente de privação material e sem perspectiva emocional que os obriga a viver uma cultura de fracasso sem fim.  

Youtube 
http://www.youtube.com/watch?v=X8UPuoaAf0Q

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