Pular para o conteúdo principal

Carnaval: os ventos da mudança em Paraibuna


                                               
Se o segundo governo Barros ficou velho antes mesmo de começar, outras coisas são novíssimas.
O intenso debate na Fundação Cultural em torno do formato e do que se pretende com o carnaval da cidade em 2013 é exemplo de uma mudança de mentalidade que aos poucos vai se impondo como nova realidade nesta Paraibuna de todos os Santos.
O primeiro artigo que escrevi sobre Paraibuna foi em 1994, falava sobre coronelismo, mandonismo e a política local. Desde aquele primeiro artigo, publicado no jornal “O Paraibunense” que não quis mais publicar nenhum, minha intenção sempre foi a de falar aquilo que muitas pessoas na cidade gostariam de falar, mas por diversas razões não podiam. Nestes quase 20 anos devo ter escrito centenas de textos sobre Paraibuna, seus lideres, seus problemas e contradições. Claro que antes de mim vieram outros, uns dos mais bravos e combativos nessa arte de dizer o que tem ser dito está o João Rural; um dos mais importantes pesquisadores da história caipira do Vale Paraíba e redondezas e que ainda não recebeu de Paraibuna o reconhecimento que merece.
O que vemos agora é que o medo, o receio, a timidez em discutir Paraibuna vai aos poucos desaparecendo e isso é fruto desse longo processo de amadurecimento social que tenho a honra de fazer parte e ajudar a construir. Blogs e redes sociais como Facebook, atualmente, são os espaços onde os debates têm sido mais frequentemente gestados e amadurecidos. De repente uma rapaziada nova se expõe, fala, comenta, escreve artigos, produz HQ’s sobre a cidade, sua índole e psique. E que venha mais, cada vez mais ousados e impertinentes.
É bom chamar a atenção, entretanto, para o fato de que mais recentemente essa história tem uma forte e fundante marca que nasceu na Fundação Cultural entre os anos de 2004 e 2008. Capitaneada pelos competentes William e pelo Zé Vicente foi ali naquela casa de Cultura onde se gestou o que melhor vem à tona agora. Situada como um espaço não apenas para se lançar projetos e iniciativas programáticas, foi principalmente um espaço de debate, de encontro, de reunião, da possibilidade de se pensar e conhecer quem pensa. Este espaço concreto e subjetivo é a coisa mais importante acontecida na cidade em todos os aspectos das duas administrações últimas. Certamente foi o único legado da administração anterior e parece ser a única coisa realmente nova e frutífera na cidade ainda hoje.
A Fundação Cultural aconteceu no melhor momento e se encontra com a expansão do uso das redes sociais na cidade pelos jovens. Os debates acontecem nas redes sociais e na Fundação, como é o caso do Carnaval, e migram e se espraiam pela cidade envolvendo todo mundo e obrigando o debate sobre Paraibuna. Mais importante, aliás, que o resultado dessa particular discussão, o carnaval, é o aprendizado do debate em si.
Esse exercício também esta ganhando outras áreas, como foi o intenso debate em torno das finanças da prefeitura e o não pagamento de compromissos com funcionários e parceiros da prefeitura. É esse debate que precisa continuar e tomar todos os espaços, a Câmara e o dinheiro que ela usa, as prioridades da prefeitura e o desperdício de dinheiro que sempre há, as razões e a legitimidade do prefeito de fazer uso do dinheiro público sem a consulta da população a respeito. A educação e os professores, as condições aviltantes dos funcionários públicos, o patrimônio arquitetônico urbano, o péssimo transporte público interurbano que certamente não melhora em função do jetom que os políticos recebem para não obrigarem a empresa Litorânea a melhorar o atendimento, debate esse que já vem acontecendo na internet e que precisa ganhar as ruas. O debate de tudo isso e muitas outras coisas precisa ser parte constante da vida social da cidade.
É por isso que me parece de fundamental importância que a cidade tenha um sistema de internet que não seja privilégio do centro e de alguns poucos bairros próximos. Aliás, ninguém discute o fato de a prefeitura pagar um sistema não utilizado de internet. Paga, mas não é disponibilizado à população. Por quê?
Essa questão é fundamental por que é o acesso a internet na cidade e nas zonas rurais que possibilitará a ampliação da cidadania em Paraibuna, bem como a maior participação nas decisões daquilo que é importante para a cidade.  Essa é uma luta central, ou o debate ficará restrito a uns poucos moradores da cidade, enquanto a maioria mora na zona Rural. Se isso acontecer, provavelmente esse vigor e entusiasmo agora vividos serão em algum tempo esvaziados e desfalecidos, não podemos deixar que isso ocorra. Luciano Alvarenga, Sociólogo







Comentários

Rogério Faria disse…
Luciano,

Ótima análise, principalmente quando trata do marco zero que representou a administração do William na Fundação Cultural, e mesmo o reconhecimento ao João Rural. Os efeitos estão se propagando. Não entendi o que você levantou sobre a Prefeitura pagar internet e não disponibilizar à população. Quando puder, me explique melhor. Abraço.

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Classe média alta de Rio Preto no tráfico de drogas

Cocaína e ecstasy rolam solto na alta rodaAllan de Abreu Diário da Região Arte sobre fotos/Adriana CarvalhoMédicos são acusados de induzir o consumo de cocaína e ecstasy em festas raveFestas caras com música eletrônica e bebida à vontade durante dois ou três dias seguidos, promovidas por jovens de classe média-alta de Rio Preto, se tornaram cenário para o consumo de drogas, principalmente ecstasy e cocaína. A constatação vem de processo judicial em que os médicos Oscar Victor Rollemberg Hansen, 31 anos, e Ivan Rollemberg, 25, primos, são acusados pelo Ministério Público de induzir o consumo de entorpecentes nesse tipo de evento.

Oscarzinho e Ivanzinho, como são conhecidos, organizam há seis anos a festa eletrônica La Locomotive. A última será neste fim de semana, em Rio Preto. Cada festa chega a reunir de 3 mil a 4 mil pessoas. Segundo a denúncia do Ministério Público, os primos “integram um circuito de festas de elevado padrão social e seus frequentadores, em especial os participa…