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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Carnaval: os ventos da mudança em Paraibuna


                                               
Se o segundo governo Barros ficou velho antes mesmo de começar, outras coisas são novíssimas.
O intenso debate na Fundação Cultural em torno do formato e do que se pretende com o carnaval da cidade em 2013 é exemplo de uma mudança de mentalidade que aos poucos vai se impondo como nova realidade nesta Paraibuna de todos os Santos.
O primeiro artigo que escrevi sobre Paraibuna foi em 1994, falava sobre coronelismo, mandonismo e a política local. Desde aquele primeiro artigo, publicado no jornal “O Paraibunense” que não quis mais publicar nenhum, minha intenção sempre foi a de falar aquilo que muitas pessoas na cidade gostariam de falar, mas por diversas razões não podiam. Nestes quase 20 anos devo ter escrito centenas de textos sobre Paraibuna, seus lideres, seus problemas e contradições. Claro que antes de mim vieram outros, uns dos mais bravos e combativos nessa arte de dizer o que tem ser dito está o João Rural; um dos mais importantes pesquisadores da história caipira do Vale Paraíba e redondezas e que ainda não recebeu de Paraibuna o reconhecimento que merece.
O que vemos agora é que o medo, o receio, a timidez em discutir Paraibuna vai aos poucos desaparecendo e isso é fruto desse longo processo de amadurecimento social que tenho a honra de fazer parte e ajudar a construir. Blogs e redes sociais como Facebook, atualmente, são os espaços onde os debates têm sido mais frequentemente gestados e amadurecidos. De repente uma rapaziada nova se expõe, fala, comenta, escreve artigos, produz HQ’s sobre a cidade, sua índole e psique. E que venha mais, cada vez mais ousados e impertinentes.
É bom chamar a atenção, entretanto, para o fato de que mais recentemente essa história tem uma forte e fundante marca que nasceu na Fundação Cultural entre os anos de 2004 e 2008. Capitaneada pelos competentes William e pelo Zé Vicente foi ali naquela casa de Cultura onde se gestou o que melhor vem à tona agora. Situada como um espaço não apenas para se lançar projetos e iniciativas programáticas, foi principalmente um espaço de debate, de encontro, de reunião, da possibilidade de se pensar e conhecer quem pensa. Este espaço concreto e subjetivo é a coisa mais importante acontecida na cidade em todos os aspectos das duas administrações últimas. Certamente foi o único legado da administração anterior e parece ser a única coisa realmente nova e frutífera na cidade ainda hoje.
A Fundação Cultural aconteceu no melhor momento e se encontra com a expansão do uso das redes sociais na cidade pelos jovens. Os debates acontecem nas redes sociais e na Fundação, como é o caso do Carnaval, e migram e se espraiam pela cidade envolvendo todo mundo e obrigando o debate sobre Paraibuna. Mais importante, aliás, que o resultado dessa particular discussão, o carnaval, é o aprendizado do debate em si.
Esse exercício também esta ganhando outras áreas, como foi o intenso debate em torno das finanças da prefeitura e o não pagamento de compromissos com funcionários e parceiros da prefeitura. É esse debate que precisa continuar e tomar todos os espaços, a Câmara e o dinheiro que ela usa, as prioridades da prefeitura e o desperdício de dinheiro que sempre há, as razões e a legitimidade do prefeito de fazer uso do dinheiro público sem a consulta da população a respeito. A educação e os professores, as condições aviltantes dos funcionários públicos, o patrimônio arquitetônico urbano, o péssimo transporte público interurbano que certamente não melhora em função do jetom que os políticos recebem para não obrigarem a empresa Litorânea a melhorar o atendimento, debate esse que já vem acontecendo na internet e que precisa ganhar as ruas. O debate de tudo isso e muitas outras coisas precisa ser parte constante da vida social da cidade.
É por isso que me parece de fundamental importância que a cidade tenha um sistema de internet que não seja privilégio do centro e de alguns poucos bairros próximos. Aliás, ninguém discute o fato de a prefeitura pagar um sistema não utilizado de internet. Paga, mas não é disponibilizado à população. Por quê?
Essa questão é fundamental por que é o acesso a internet na cidade e nas zonas rurais que possibilitará a ampliação da cidadania em Paraibuna, bem como a maior participação nas decisões daquilo que é importante para a cidade.  Essa é uma luta central, ou o debate ficará restrito a uns poucos moradores da cidade, enquanto a maioria mora na zona Rural. Se isso acontecer, provavelmente esse vigor e entusiasmo agora vividos serão em algum tempo esvaziados e desfalecidos, não podemos deixar que isso ocorra. Luciano Alvarenga, Sociólogo







Um comentário:

Rogério Faria disse...

Luciano,

Ótima análise, principalmente quando trata do marco zero que representou a administração do William na Fundação Cultural, e mesmo o reconhecimento ao João Rural. Os efeitos estão se propagando. Não entendi o que você levantou sobre a Prefeitura pagar internet e não disponibilizar à população. Quando puder, me explique melhor. Abraço.