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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O atraso cool de Rio Preto


Luciano Alvarenga

Já escrevi em outra oportunidade que Rio Preto é uma cidade dividida em duas partes não homogêneas. De um lado, uma cidade anacrônica, autoritária, paroquial, representada por políticos de iguais adjetivos promovendo uma administração que seria ótima trinta anos trás. De outro, uma Rio Preto arejada, fluída, criativa e oxigenada por boas ideias e conectada aos melhores ventos das mudanças globais.
Estas duas faces de nossa cidade, claro, não são estanques, definidas, mas vai de uma ponta a outra em matizes. O pipocar de denúncias, novas investigações e mais manchetes nos jornais a respeito do andar da administração atual evidencia a qualidade dos ocupantes do poder e de qual parte da cidade está no comando. Temo que as coisas demorem a mudar.
Por outro lado, chama a atenção que aquela parte da cidade que não se identifica com o que ai está e que, portanto, podemos considerar a mais dinâmica e plugada aos tempos atuais, não consegue fazer entender exatamente o que pensa e quer para Rio Preto. Quase sempre escorrega numa ideia ultrapassada de desenvolvimento tendo como representantes grandes centros como São Paulo, um lugar com princípios arcaicos de convivência urbana e de valores que em nada dialoga ou, dialoga muito pouco, com o que de fato representa uma cidade do interior como Rio Preto.
O lado arejado da cidade, aquele de onde deveria irradiar discussões, debates, projetos e iniciativas para tornar Rio Preto um lugar plugado com os tempos atuais, colocando acento aqui em atual como sustentável, democrático, público e não apenas comercial e privado, é justamente o lado de onde pouco se consegue por que também ele não possui clareza a respeito do que é ser contemporâneo.
Somente isso para explicar por que uma prefeitura como a que temos tenha conseguido ganhar uma eleição ainda no primeiro turno. O atraso se encontra em Rio Preto com o moderno naquilo que o moderno ainda não compreendeu de atrasado em seu próprio pensamento. De repente temos um grupo político no poder com a força que conseguiu granjear, coisa menos provável 4 anos atrás, justamente por que soube apoderar-se daquilo tudo que o lado mais arejado não consegue esclarecer a si mesmo.
Os escândalos no poder municipal - que só vão aumentar nos próximos meses - e a reeleição no primeiro turno apesar de tudo revela por seu turno, a incapacidade daqueles que não se identificam com o estado de coisas atual, o quanto que também eles estão despreparados para dizer à cidade o que é uma cidade melhor do que esta que aí está. Luciano Alvarenga, Sociólogo



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