Pular para o conteúdo principal

A direita raivosa parte para cima do Lula


Lula e a 'naturalidade' na política

Por Assis Ribeiro
Do Correio Braziliense
Denise Rothenburg
Lula é de seguir a "naturalidade" na política. Não quis saber de terceiro mandato embora tivesse no alto dos mais de 80% de aprovação popular e uma base aliada expressiva. Ficou no natural: buscar um nome novo que pudesse dar ao seu partido o ar de renovação. Assim, escolheu Dilma.
Terminadas as eleições com a vitória do petista Fernando Haddad em São Paulo, o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em todas as rodas. Até mesmo nos depoimentos do publicitário Marcos Valério que vieram à tona agora. O PPS correu para pedir que Lula fosse investigado. PSDB e DEM não chegaram a tanto. Dentro do PT, há quem diga que Lula deva ser candidato em 2014 para rebater toda e qualquer acusação contra ele. Os demais partidos da base defendem o ex-presidente. Afinal, o mensalão está por aí há quase oito anos e até então Lula não tinha sido investigado. O próprio Roberto Jefferson há alguns anos pedia que José Dirceu deixasse o cargo para não atingir um homem inocente.
Quer a oposição ao governo Dilma goste ou não, é fato que Lula foi o presidente mais popular dos últimos tempos. Deixou o governo com uma aprovação recorde e tem diálogo direto com o povo, o que faz dele um eleitor de peso para qualquer candidato que se apresente ao seu lado. Se o apadrinhado vai vingar ou não, é outra história. No caso de São Paulo, vingou. E talvez pelo erro do PSDB de ter insistido em lançar José Serra, candidato que perdeu um tempo danado tentando explicar que, se eleito, não deixaria o cargo.
A chance, entretanto, de Lula ser candidato em 2014 é tendente a zero, como bem comentam os amigos dele. O governador da Bahia, Jaques Wagner, um interlocutor privilegiado junto ao ex-presidente e sua sucessora, é claro em todas as conversas que tem com Lula sobre o tema. Há alguns meses, quando começaram os balões de ensaio de alguns petistas sobre uma possível candidatura de Lula, Wagner disse ao ex-presidente a seguinte frase: “Você saiu (da Presidência) com o cinturão de ouro. Vai colocar em disputa por que?”. 
A essa frase é preciso acrescentar alguns outros ingredientes. Lula é de seguir a “naturalidade” na política. Não quis saber de terceiro mandato — embora tivesse no alto dos mais de 80% de aprovação popular e uma base aliada expressiva. Ficou no natural: buscar um nome novo que pudesse dar ao seu partido o ar de renovação. Assim, escolheu Dilma. Deu certo.

Enquanto isso, no Planalto…
A presidente, da sua parte, avaliam seus aliados, vem “encorpando”, ou seja, ganhando traquejo. Seus dois primeiros anos de governo vão terminando sem grandes sobressaltos que comprometam o futuro do país. A queda de ministros no primeiro ano fez com que ela se fortalecesse ainda mais. A economia não naufragou. Seu primeiro teste político, as eleições municipais, terminou com o PT vencedor em São Paulo e com mais prefeituras, apesar de tudo. Agora, o próximo desafio é manter os aliados próximos. Não por acaso, ela reuniu ontem à noite a cúpula do PT e do PMDB. Quer evitar rusgas e desconfianças que possam comprometer acordos a curto e médio prazos, leia-se a disputa pelas presidências da Câmara e do Senado e a eleição de 2014 — o horizonte que a vista começa a enxergar.

Diante dessa fotografia do momento, com o primeiro tempo do governo Dilma a menos de dois meses do fim, as mentes mais sensatas dentro do PT — entre elas a de Lula, que mantém o raciocínio político longe do fígado — têm claro que o natural é uma candidatura dela em 2014. Ao ex-presidente Lula, hoje o detentor do cinturão de ouro, restará nesse caso o árduo papel de reconstrução do PT e outro que ele tira de letra, o diálogo direto com o povo. Nesse sentido, há quem diga que, se a oposição insistir em processar o ex-presidente, deve estar preparada para as reações. Há o risco de que esse foco sobre Lula, neste momento tão doloroso para os petistas, acabe por dar ao ex-presidente uma força extra diante daquela população que aprovou seu governo e o idolatra onde quer que ele chegue.

Por falar em Lula…
Que ninguém se surpreenda se daqui a alguns dias, ele chamar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para aquela “conversa americana”. Só não se sabe se será antes ou depois da conversa que Dilma pretende ter com o presidente do PSB. Mas essa é outra história.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Classe média alta de Rio Preto no tráfico de drogas

Cocaína e ecstasy rolam solto na alta rodaAllan de Abreu Diário da Região Arte sobre fotos/Adriana CarvalhoMédicos são acusados de induzir o consumo de cocaína e ecstasy em festas raveFestas caras com música eletrônica e bebida à vontade durante dois ou três dias seguidos, promovidas por jovens de classe média-alta de Rio Preto, se tornaram cenário para o consumo de drogas, principalmente ecstasy e cocaína. A constatação vem de processo judicial em que os médicos Oscar Victor Rollemberg Hansen, 31 anos, e Ivan Rollemberg, 25, primos, são acusados pelo Ministério Público de induzir o consumo de entorpecentes nesse tipo de evento.

Oscarzinho e Ivanzinho, como são conhecidos, organizam há seis anos a festa eletrônica La Locomotive. A última será neste fim de semana, em Rio Preto. Cada festa chega a reunir de 3 mil a 4 mil pessoas. Segundo a denúncia do Ministério Público, os primos “integram um circuito de festas de elevado padrão social e seus frequentadores, em especial os participa…