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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Professora posta fotos no Facebook mostrando abandono de escola

Educação
 
› Não dá para curtir essa escola
São José do Rio Preto, 24 de Outubro, 2012 - 1:50
Professora posta fotos no Facebook mostrando abandono de escola

Tatiane Domingos Diário da Região

Reprodução/Facebook
Alambrado de muro da escola está caindo, permitindo acesso de invasores
Inconformada com o abandono da escola municipal Paul Percy Harris, no Parque da Cidadania, em Rio Preto, uma professora decidiu fotografar tudo o que viu pela frente e publicar na internet. Tem de tudo um pouco na página de Débora Malacario, no Facebook: alambrado caindo, traves da quadra enferrujadas, calçadas em desnível e até um arame solto, que furou o pé de uma criança. Na escola estudam 400 alunos com idades entre 7 e 14 anos.

“Minha intenção é apenas colaborar para que as coisas melhorem, não quero confusão com ninguém”, afirmou Débora, acrescentando: “Fico até doente com tanta carência, ainda mais numa escola que precisa tanto de apoio, como no Parque da Cidadania”. A professora está afastada até amanhã, quando deve retornar à escola. A ausência momentânea não tem nada a ver com a publicação. “Tive de fazer exames médicos, mas vou entender perfeitamente quando retornar e me chamarem para conversar. Vou dizer que só quis ajudar e que jamais pretendi tumultuar”. A professora dá aula na rede pública há mais de 20 anos.

Os alunos confirmam a má conservação do local e dizem que desde o ano passado a situação só piora. O adolescente J.A.S., 14 anos, estuda na escola desde o 5° ano e diz que, além dos problemas no pátio, os banheiros também estão danificados. “As portas dos banheiros estão todas quebradas e o mau cheiro é insuportável”.

Outro aluno do 9° ano, E.S., 14, diz que falta tudo na escola, desde giz para os professores até equipamento para a aula de educação física. “Quando a bola que nós temos para jogar futebol furou, o diretor mandou remendar porque não tinha como ter outra.”

Em uma das fotos, o estudante J.A.S. aparece com um ferimento no pé. “Furei no gancho que segurava a rede na trave. O tênis que ganhei no começo do ano rasgou e o gancho atingiu meu pé. Tiraram a rede que estava rasgada, mas não tiraram os ganchos, que estão lá”.

A professora diz que na quadra há grandes pilares de concreto para apoiar a cobertura, mas, pelo espaço ser pequeno, os alunos muitas vezes se chocam contra essas colunas e se machucam. E.S. diz que além de bater nos pilares as rachaduras no teto dão medo. “No ano passado, parte do telhado caiu durante as férias.”

Quando o assunto é segurança, os dois estudantes dizem que a escola não oferece nenhuma garantia. “As grades dos muros estão caindo e, durante o intervalo, pula muita gente por ali”, diz J.A.S.. O outro adolescente acrescenta que na maioria das salas de aula, os vidros estão quebrados desde o ano passado. “Às vezes, durante as aulas, as pessoas que passam na rua atiram coisas dentro do local.”

Para estes alunos, o descaso do poder público em manter um prédio em boas condições e abastecido de todos os elementos que auxiliem na educação deles desanima a todos e desestimula o aprendizado. “Não tenho vontade de ir para a escola. Só vou porque é importante para o meu futuro”, diz J.A.S., que queria mudar de unidade escolar. “É ruim estudar em um lugar assim, parece que fomos colocados em um depósito. Nem parece escola”, diz.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Educação de Rio Preto informou que a escola passa por reparos e que no ano que vem receberá reforma geral com custo de R$ 400 mil. Sobre o ferimento do aluno, a pasta informou apenas que orienta os estudantes a não praticarem atividade física descalços. Assegurou que a escola “está em processo de manutenção no qual estão sendo reparados vários pontos, seguindo cronograma de manutenção”.


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