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Valdomiro: 4, 8 ou 12 anos?



A eleição do atual prefeito Valdomiro Lopes, em 2008, significou claramente um retrocesso político na cidade de Rio Preto. Pouca gente, inclusive o grupo político do qual faz parte o prefeito, acreditava na possibilidade de sua eleição. A indicação de um vice absolutamente outsider naquela ocasião é uma evidencia de como os ânimos eram pouco confiantes no sucesso daquela candidatura.
A título de lembrança é bom citar que o candidato Valdomiro começou a campanha com mais de 50% de intenção de votos e foi caindo a cada pesquisa. Até que a primeira pesquisa do segundo turno indicava o candidato do PT com mais de 15 pontos de vantagem na disputa. Por obra do acaso e da ajuda de última hora do então governador do Estado, Serra, eis que se elegeu prefeito o hoje candidato a reeleição.
A administração atual perdeu o time da cidade. As obras todas que hoje vemos sendo inauguradas, como todos sabem, são obra e engenho do prefeito anterior. Inaugurá-las, como faz agora o atual prefeito, é apenas realizar aquilo que de outra maneira teria que responder como irresponsabilidade administrativa caso não fizesse. Mas havia outra coisa, essa sim fundamental, e que o prefeito atual não deu segmento. Rio Preto, nos oito anos anteriores a 2008, deu passos importantes no sentido de consolidar a sua vocação de liderança na região.
Todos sabem que Rio Preto não pode mais ser administrada sem ter em conta as muitas dezenas de cidade ao seu redor. Todos sabem que qualquer projeto de transporte público, segurança, formação de mão de obra, saúde e turismo envolve uma costura firme com todas as prefeituras ao redor de nossa cidade. A ideia de Rio Preto como metrópole não é apenas um título, um nome, um crachá, é a ideia de que não existe mais uma cidade a ser administrada e sim uma região inteira que tem Rio Preto como referência e centro irradiador.
Irradiador de políticas públicas, de iniciativas e projetos de desenvolvimento e sustentabilidade; irradiador de programas que incluam, liguem e conectem as cidades da região de tal maneira que sejamos uma região metropolitana no sentido não da proximidade, mas da tessitura de soluções que coloquem a região em outro patamar de desenvolvimento. Essa ideia morreu a partir da eleição do atual prefeito em 2008.
Nada existe no sentido de criar um sistema de transporte regional que desestimule as pessoas que trabalham e visitam Rio Preto a não virem em nossa cidade de carro. Nada existe no sentido de criar um sistema de ciclovias que seduzam as pessoas a se locomoverem em duas rodas pela cidade. Nada existe no sentido de impedir que todo o entorno da Represa municipal, a principal fonte de água de Rio Preto, seja completa e totalmente dominada por condomínios comprometendo gravemente o abastecimento da cidade.
Os conselhos de saúde, de educação e outros que foram duramente construídos e postos em operação nos anos anteriores foram todos eles completamente desmontados, desarticulados e impossibilitados de funcionarem nestes últimos quatros anos. Domina a gestão autoritária, centralizada (vide o caso esdrúxulo de que poucos secretários ocupam várias secretarias), sem diálogo e distantes dos movimentos sociais. A sociedade civil é vista como um ente infantil, sem vontade e imatura para decidir seu caminho, cabendo ao paizão, ou prefeitão, a autoridade para decidir o que fazer.
Como disse inicialmente, as obras em inauguração é o lado mais evidente daquilo que estava sendo desenhado e que de fato precisa ser realizado. Mas a transformação de Rio Preto na capital política, social e cultural da Região, econômica já é, era o projeto mais importante a ser realizado e isso foi abandonado e, por quê?
O grupo instalado na prefeitura vê o compartilhamento de projetos e iniciativas com as cidades vizinhas como algo que lhe diminui e retira importância e poder. É por isso que o projeto de cidade metropolitana está morto nessa administração. O grupo que foi eleito em 2008 sem a menor ideia de que pudesse sê-lo e por isso sem projeto, agora vê a grande oportunidade de se enraizar na prefeitura implementando um projeto de poder autoritário, centralista e baseado no populismo de ajudar quem precisa esmagar quem pensa e participa e impedir, atraindo para dentro da máquina, qualquer outro grupo político que lhe ameace o poder. Para tantos quantos que nem imaginavam se eleger em 2008, agora há a possibilidade real de criar um grupo que domine a prefeitura por mais 2 ou 3 mandatos pelo menos.
O que está em jogo nessa eleição é a possibilidade do grupo atualmente no poder de se cristalizar nas estruturas administrativas municipais, dominar fisiologicamente as lideranças sociais, domesticar até a doçura a Câmara municipal, rifar o espaço urbano aos interesses das grandes corporações da construção civil e do setor imobiliário e por fim, impossibilitar a sociedade civil de ter meios de erigir uma Rio Preto moderna, sustentável bonita, equilibrada e conectada com os melhores ventos da sociedade brasileira.
Luciano Alvarenga, Sociólogo/PRP




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