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domingo, 5 de agosto de 2012

Último Censo indica que 20% das cidades antigiram o pleno emprego


Segundo índice, taxa de desocupação em mais de mil municípios do país é menor que 3,5%

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Paulo Roberto de Oliveira, 23, se mudou de São Paulo para Blumenau, onde trabalha na indústria têxtil
Foto: Agência O Globo / Foto: Paula Giolito
Paulo Roberto de Oliveira, 23, se mudou de São Paulo para Blumenau, onde trabalha na indústria têxtilAGÊNCIA O GLOBO / FOTO: PAULA GIOLITO
BLUMENAU e RIO - “Não, não, definitivamente não conheço nenhum desempregado”, disse André Thiago Hass, de 24 anos, fazendo esforço para lembrar de algum conhecido sem trabalho. Formado em sistemas de informação, o jovem é apenas mais um dos milhares que trabalham com tecnologia na charmosa Blumenau (SC). Como falta gente com qualificação, André — da mesma forma que Júlio, Robson ou Lucas — é disputado. Mas essa escassez de pessoal chega também a setores catarinenses mais tradicionais, como o têxtil. Assim, diversificando as atividades, a cidade atingiu o que muitos chamam de pleno emprego. Blumenau, porém, com sua desocupação em 2,74%, não está só: há outras 1.132 cidades, 20% das 5.565, com taxa abaixo dos 3,5%, segundo dados do Censo 2010.
— Uma a cada cinco cidades tem desocupação abaixo de 3,5%, um patamar baixíssimo. É um indicador, ainda que pouco usado para medir a desocupação, que expressa uma espécie de pleno emprego. Essas taxas refletem o auge do emprego em 2010. De todo jeito, se um censo fosse elaborado agora, não me surpreenderia se viesse com taxas menores — disse João Saboia, professor do Instituto de Economia da UFRJ.
Desemprego zero é o que se vê em Serra da Saudade, em Minas. Pequenina, a cidade mineira é a menos populosa do seu estado (menos de mil pessoas) e sua atividade gira em torno de agropecuária. Entre os mais de mil municípios com pleno emprego, há outras centenas de tamanho reduzido e de baixa relevância para o PIB. Mas também há Jaguará do Sul (com indústrias de confecções, metal-mecânicas e alimentos) ou Brusque (setores têxtil e metal-mecânico, além de turismo) em Santa Catarina; ou Nova Serrana (calçados), em Minas; ou Santa Cruz do Capibaribe (confecções), em Pernambuco. No Rio, a única praticamente sem desemprego é Sumidouro, a menos de 200 km da capital.
— O crescimento é o que melhor explica essa fotografia do Censo. Políticas públicas, como de transferência de renda, aumento do salário mínimo, contribuíram para que o desemprego atingisse um patamar baixo — explicou Cláudio Dedecca, professor de Economia da Unicamp, acrescentando que o envelhecimento da população também mexe com as estatísticas. — Não se pode ignorar que muitas dessas mil cidades podem ter baixa atividade econômica (sem emprego, as pessoas não procuram trabalho), ser cidades dormitórios ou ter muitos inativos.
O Censo é o único indicador que traz dados de todas as cidades, ao contrário da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) com informações de regiões metropolitanas. O Caged, que traz o saldo dos empregos formais, aponta para uma desaceleração por causa da crise externa. De janeiro a junho de 2010, foram criadas 1,63 milhão de empregos, ante 1,04 milhão até junho de 2012. Vagas são abertas, mas num ritmo menor.
*Enviada especial


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