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Rio Preto: o que você prefere?



Uma cidade com mais de um milhão de habitantes ou, uma cidade média com no máximo 500 mil pessoas? Uma cidade fraturada por condomínios e bairros irregulares multiplicados pela inserção permanente de áreas rurais no perímetro urbano ou, uma cidade integrada, planejada e em diálogo permanente com seus centros de comércio e convivência?
Uma cidade com múltiplos meios de transporte como VLT (veículo leve sobre trilho), ônibus integrados, ciclovia por toda a cidade, calçadas como possibilidade de deslocamento a pé ou, a continuidade do monopólio de transporte público, a precariedade no deslocamento da população e incentivo a circulação de automóvel individual?
Uma cidade de grandes obras órfãs, afinal o que significa mais UBS e postinhos se não há médicos, os profissionais de saúde continuam abandonados, a população continua levando meses para ser dignamente atendida? De que serve pavimento asfáltico se o trânsito continua um absurdo e a cidade cheia de carros andando cada vez mais lentamente? De que adianta um belo parque no Rio Preto se não era lá onde as obras deveriam ter sido feitas e, por isso as enchentes continuam?
Mas não se engane o que há em Rio Preto não é a falta de projeto, mas um projeto de desfiguração da cidade. O atual prefeito afirmava categoricamente na campanha de 2008 que seu sonho era fazer Rio Preto chegar a casa de um milhão de habitantes. A pergunta é: nós queremos? É o melhor e mais moderno em termos de sustentabilidade, qualidade de vida? Não, não é.
Os únicos que irão ganhar com uma cidade com um milhão de habitantes são os políticos. Esse é o projeto em andamento.
Rio Preto está num momento histórico importante. Ou decide por ser uma cidade média, de qualidade de vida superior, integrada, moderna, sustentável e de qualidade de vida digna ou; vira uma cidade inchada, com uma imensa periferia problemática e desintegrada, com condomínios cada vez maiores e mais distantes do centro, aumento da violência, sem identidade, mas um prato cheio para a riqueza das grandes corporações da construção civil e da segurança privada.
Rio Preto precisa decidir entre ser melhor o que sempre foi, uma bela e integrada cidade do interior ou, virar, no fundão do Estado de São Paulo, uma grande cidade desordenada, feia, violenta e sem perspectiva.
É isso o que está em questão nessa eleição. Luciano Alvarenga

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