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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Ocaso da Educação Universitária


Caiu o pau do galinheiro
A realidade que apenas se anunciava anos atrás chegou até o professor universitário das faculdades particulares. Ganhando mal, trabalhando muito, lidando com classes numerosas, na maioria dos casos sem registro em carteira, ou, com registro salarial subestimado e trabalhando em várias instituições convive ainda com a alta rotatividade na profissão, uma vez que quem não se enquadra é posto na rua.
A situação geral do professor nas instituições particulares, com as exceções de sempre, é hoje muito parecido com a do professor de escola pública secundária. Coisa não imaginada pelos docentes que iniciaram suas carreiras nos anos 1990. Com o PROUNI e outras bolsas de estímulo ao aluno carente, o alunado das IES particulares é formada em sua maioria por alunos provenientes do ensino público.
As muitas mudanças nas regras do MEC nas últimas duas décadas voltadas para estas instituições resultaram num quadro de docentes mal formados, muitos sem nenhum curso de pós-graduação seja de que tipo for, quem paga a conta final é o aluno. Com cara de caça níquel, com professores de tipo funcionário sem importância, o quadro das conhecidas faculdades particulares é desolador.
Aqueles que se formaram nestes últimos anos e sem nenhuma expectativa profissional, foram cooptados pelas IES e se transformaram em professores. Aqueles que se formaram em instituições de ensino publico, fizeram mestrado e doutorado estão desesperados com a situação. Com uma titulação desvalorizada, sem lugar no mercado, e incapazes de fazerem outra coisa que não serem docentes como é a situação da maioria (tendo em vista que foram formados para isso), o que estamos assistindo são profissionais, muitas vezes competentes, aceitando qualquer coisa para se manterem no mercado de dar aula.
Quem conseguiu antever os novos tempos quando estes ainda não se mostravam inteiramente, partiram para outra, caso tivessem talentos e competências que possibilitassem a migração. Quem fechou os olhos ou não teve tino para ver o cenário se desenrolando está numa situação difícil. Só sabem dar aulas, sem contatos profissionais extras salas, inseguros sobre uma aventura de mudar de carreira sem certeza de alcançarem a outra margem do rio, acabam aceitando as condições e concorrendo com novos professores que, para piorar a realidade, acham que o salário aviltado que as instituições pagam está de ótimo tamanho.
O resultado óbvio deste quadro já podemos acompanhar pela imprensa com certa regularidade, os casos cada vez mais comuns de profissionais cometendo todo tipo de erros e descasos resultantes da péssima formação que tiveram ou, desmotivados para serem tudo o que podem como professores. O resultado são alunos cada vez mais insatisfeitos com a formação que recebem ou incapazes de perceber como ela é ruim. Luciano Alvarenga, Sociólogo e Mestre em Economia pela Unesp.

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